SEXTO MANDAMENTO: NÃO PECAR CONTRA A CASTIDADE
Bem-aventurados os puros de coração porque verão a Deus” (Mateus 5, 8).
É fundamental que se compreenda que no sexto mandamento o que está em jogo propriamente é o amor, a pureza do amor, não simplesmente questões sexuais. “Castidade” tem sua origem na palavra “castigar”, que significa corrigir, purificar: seja lá o que for que amamos – os nossos semelhantes, os animais, as coisas inanimadas –, nosso amor deve se casto (“castigado”), isto é, ordenado, limpo e puro, do contrário não amaremos a Deus acima de todas as coisas nem amaremos ao próximo como o amou Jesus, modelo de todo amor.
Precisamente porque a nossa carne é fraca, ela necessita de um apoio especial que nos ajude a caminhar pelo caminho reto: esse apoio é o sexto mandamento. O Antigo Testamento resumia tudo nas palavras: “Não cometerás adultério” (Êxodo 20,14). Jesus, porém, aprofundou seu sentido e o ampliou: “Ouvistes que foi dito: ‘Não cometerás adultério’. Eu, porém, vos digo: todo aquele que olhar para uma mulher com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela em seu coração” (Mateus 5,27-28). Como se vê, pode-se pecar também por maus pensamentos e más intenções.
Sem dúvida, é um desafio aprender a integrar a sexualidade no conjunto da pessoa humana. O ser humano por inteiro, corpo e alma, é marcado pela sexualidade. Ela afeta de modo especial a afetividade, a capacidade de amar, de procriar, mas também tem a capacidade de criar vínculos e comunhão com os outros. Ocorre uma grave fonte de distúrbios quando alguém não consegue integrar a sexualidade no contexto de toda a pessoa ou a considera somente enquanto genitalidade. Cabe a cada ser humano reconhecer e aceitar a própria identidade sexual e buscar integrá-la serenamente no seu todo.
• A aprendizagem do domínio de si, que é a pedagogia para a formação da liberdade humana. Ou a pessoa comanda suas paixões, ou acaba tornando-se sua escrava: a diferença é que, no primeiro caso, ela tem paz; no segundo, infelicidade e remorso. Deixar-se guiar por impulsos torna o ser humano semelhante aos irracionais. A razão e, no caso do cristão, a fé é que devem tomar a dianteira e organizar as energias humanas dentro do coração.
• O uso dos meios adequados é indispensável para conservar a castidade. Não se pode ser passivo e esperar que as coisas aconteçam. O conhecimento de si, a prática da ascese (renúncia a tudo o que possa excitar paixões menos convenientes), a obediência aos mandamentos, a prática das virtudes, a Palavra de Deus, a oração, os sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia, a orientação espiritual..., tudo isto ajuda a pessoa a se manter equilibrada.
• A prática da temperança, virtude que “tempera”, modera, equilibra os apetites da sensibilidade humana, submetendo-os à razão e à fé, é fundamental para se tornar casto.
• O domínio de si é um trabalho a longo prazo, até o fim da vida. Ele nunca pode ser dado como adquirido plenamente. Haverá períodos em que se torna menos necessário, nunca, porém, pode ser descuidado. A castidade tem leis de crescimento, às vezes marcadas por imperfeições e até por faltas graves: assim mesmo, é preciso retomar o trabalho para obter o domínio sobre si próprio.
• Embora cada um deva cuidar da própria castidade, há também uma preocupação por criar uma cultura de castidade. Quem não percebe, hoje, quanto a nossa cultura está impregnada de sensualidade, sexualidade, pornografia? Os meios de comunicação social, os formadores de opinião pública, os educadores, todos têm grande responsabilidade nisto e precisam promover maior respeito pelas pessoas, pelo próprio corpo e pelo corpo dos outros. Há muito interesse em cuidar do corpo por vaidade; muito pouco respeito pelo corpo enquanto templo do Espírito Santo.
• A castidade é também um dom de Deus, é graça divina, é fruto de um trabalho espiritual. É o Espírito Santo que nos concede imitar a pureza de Cristo. Não nos esqueçamos disto, nós que fomos batizados em Cristo: “Os que pertencem a Jesus Cristo crucificaram a carne com suas paixões e desejos. Se vivemos pelo Espírito, procedamos também de acordo com o Espírito” (Gálatas 24-25).
Ouve-se facilmente a afirmação de que namorados e noivos é conveniente que se relacionem sexualmente, como se fossem casados, com a finalidade de se conhecerem melhor, de mostrar carinho e amor. É um engano. A união sexual não foi prevista pelo Criador como forma de fazer experiências ou de divertimento: seria instrumentalizar as pessoas. A pessoa cuja experiência não fosse aprovada, não haveria de sentir-se rejeitada e intensamente ofendida? O amor, quando é verdadeiro, é absoluto, não condicionado.
PS O texto acima tem como autor Dom Hilario Moser,sdb, Bispo Emérito de Tubarão, SC e é aqui transcrito com sua autorização.
PS O texto acima tem como autor Dom Hilario Moser,sdb, Bispo Emérito de Tubarão, SC e é aqui transcrito com sua autorização.


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