terça-feira, 28 de agosto de 2012

O SEXTO MANDAMENTO, O HOMEM E A MULHER



“Deus disse: ‘Façamos o ser humano à nossa imagem e segundo nossa semelhança’... Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus os criou. Homem e mulher ele os criou” (Gênesis 1,26-27). Este é o ser humano criado por Deus e esta é a distinção estabelecida por Deus entre os seres humanos: uns são do sexo masculino, outros, do sexo feminino. Deus os fez um para o outro e lhes disse: “Sede fecundos e multiplicai-vos” (Gênesis 1,28).

Da vontade do Criador nasce o matrimônio e a família. A sexualidade está ordenada ao amor conjugal entre o homem e a mulher. Essa união é santificada, entre os batizados, pelo sacramento do Matrimônio. São Paulo fala do matrimônio como símbolo do amor de doação até à morte de Cristo esposo por sua esposa, a Igreja (cf. Efésios 5,32). A castidade vem em ajuda às pessoas casadas para que seu amor seja, o mais possível, semelhante ao amor de Cristo e da Igreja, isto é, amor de doação, não amor interesseiro.

O Catecismo da Igreja Católica ensina: “Os atos com os quais os cônjuges se unem íntima e castamente são honestos e dignos. Quando realizados de maneira verdadeiramente humana, significam e favorecem a mútua doação pela qual os esposos se enriquecem com o coração alegre e agradecido. A sexualidade é fonte de alegria e de prazer... Pela união dos esposos realiza-se o duplo fim do matrimônio: o bem dos cônjuges e a transmissão da vida. Esses dois significados ou valores do casamento não podem ser separados sem alterar a vida espiritual do casal e sem comprometer os bens matrimoniais e o futuro da família. Assim, o amor conjugal entre o homem e a mulher atende à dupla exigência da fidelidade e da fecundidade” (n. 2362-2363).

À fidelidade conjugal (cf. Marcos 10,9) se opõe a infidelidade, ou seja, preterir o esposo ou esposa para unir-se a outro parceiro ou parceira (adultério). Trata-se de pecado grave contra a castidade e também contra a justiça, pois além de violar o sexto mandamento, viola também o compromisso assumido com o outro cônjuge, isto é, de fazer dele o único amor da própria vida. Disse também Jesus: “Todo aquele que olhar para uma mulher com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela em seu coração” (Mateus 5,28).

Uma pergunta: será que castidade tem a ver também com a fecundidade matrimonial? Sim, porque, além de o matrimônio visar à complementação dos esposos, também deve visar à procriação e educação dos filhos, pois foi para isto que Deus o quis. Sejam quais forem as situações dos esposos, o matrimônio sempre precisa estar aberto à transmissão da vida. Esta é a missão dos esposos: serem cooperadores da missão criadora de Deus. De fato, os filhos são um dom de Deus. Por isso, fazer do casamento só uma fonte de satisfação pessoal, excluindo a possibilidade da procriação, é pecar gravemente contra o plano do Criador, o que também facilmente leva a buscar satisfações contrárias à castidade.

Outra ofensa ao matrimônio é o divórcio. Por natureza, o casamento é indissolúvel, isto é, não pode ser anulado, quer porque o amor, em si mesmo, exige ser algo absoluto, quer porque o bem dos filhos o pede. O divórcio é uma falta grave. No Antigo Testamento tolerava-se o divórcio. Jesus, porém, corrigiu essa falha quando disse: “Moisés permitiu despedir a mulher, por causa da dureza do vosso coração. Mas não foi assim desde o princípio (da criação) (Mateus 19,8). E acrescentou: “Foi dito também (aos antigos): ‘Quem despedir sua mulher dê-lhe um atestado de divórcio’. Eu, porém, vos digo: todo aquele que despedir sua mulher – fora o caso de união ilícita – faz com que ela se torne adúltera; e quem se casa com a mulher que foi despedida comete adultério” (Mateus 5,31-32). São Paulo ensina aos Coríntios a mesma doutrina (Cf. 1 Coríntios 7,10-11).

Há ainda outras ofensas à dignidade do casamento. Limito-me a citá-las:

a poligamia ou a poliandria, isto é, ter mais de uma mulher ou mais de um homem;

a união livre ou concubinato, quando homem e mulher se recusam a dar forma jurídica e pública à sua união;

as experiências sexuais antes ou fora do casamento;

o incesto, como já acenamos na postagem anterior, que consiste em ter relações íntimas com parentes ou pessoas afins;

a pedofilia, isto é, abusos sexuais cometidos por adultos contra crianças ou adolescentes.

Todas estas atitudes são contrárias à dignidade do casamento e, portanto, são violações do sexto mandamento. De fato, a castidade defende e preserva em sua pureza o amor dos esposos.

PS O texto acima tem como autor Dom Hilario Moser,sdb, Bispo Emérito de Tubarão, SC e é aqui transcrito com sua autorização.


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