quarta-feira, 8 de agosto de 2012



O QUINTO MANDAMENTO, A PAZ... E A GUERRA



Também a paz faz parte do quinto mandamento. É contra o quinto mandamento tudo o que atenta gravemente contra a paz. Especificamente:

· A cólera, que é desejo de vingança: “Todo aquele que tratar seu irmão com raiva será acusado perante o tribunal” (Mateus 5,22). Dependendo do que a cólera pretende e das atitudes que ela provoca contra alguém, pode chegar a ser falta grave contra a caridade.

· O ódio é também contrário à caridade, sobretudo quando se deseja um mal grave ao próximo. “Ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’ Eu, porém, vos digo: ‘Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem! Assim vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus’” (Mateus 5,43-45).

· O desrespeito da pessoa humana também é contra a paz. Paz não é só ausência de guerra e equilíbrio de forças. Sem a paz, violam-se todos os direitos dos seres humanos, da sociedade e da humanidade.

A paz do cristão deve ser fruto da paz de Cristo, que Ele conquistou derramando seu sangue. “Ele é a nossa paz” (Efésios 2,14). E declarou “felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mateus 5,9). A paz de Cristo é bem diversa da “paz” do mundo. Ele disse: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não é à maneira do mundo que eu a dou” (João 14,27).

Além da paz, existe também a guerra. Infelizmente! O quinto mandamento defende a vida e condena tudo o que destrói a vida humana. Por isso, a guerra é fonte de males e injustiças humanas; ignora completamente o Deus de amor e investe contra suas criaturas, feitas para o amor.

Note-se que:

· Se houver perigo de guerra e tiverem sido esgotados todos os recursos para evitá-la, é lícita a legítima defesa pela força militar. Todavia, para agir moralmente, muitas e graves são as condições para que se possa falar de autêntica legítima defesa, coisa que cabe aos poderes públicos decidir.

· Durante os conflitos armados não fica em absoluto suspensa a norma moral, como pensam os que, na guerra, julgam que tudo é lícito. A obediência cega não é suficiente para legitimar o extermínio de um povo, de uma nação ou de uma minoria étnica, o genocídio.

Deve-se fazer de tudo para evitar a guerra. Entretanto, favorece a guerra também por uma série de tomadas de posição que, em última análise, aos poucos, a preparam. Sobretudo as seguintes:

· A acumulação de armas, a corrida aos armamentos, o superarmamento, armas científicas, sobretudo atômicas, biológicas ou químicas.

· A produção e o comércio de armas, pelo perigo que representam para o bem comum, devem ser estritamente regulamentadas pelos governos.

· As injustiças, as desigualdades excessivas de ordem econômica ou social, a inveja, o orgulho, e de modo especial os grandes interesses econômicos que frequentemente se escondem por detrás de falsos objetivos apresentados ao mundo como promoção do bem social.

Conclusão: a guerra provoca a ruína de muitas consciências, e são sem número as ofensas graves a Deus e aos seres humanos. Ela está sempre à espreita do mundo, mas a caridade precisa vencer essa tentação, até que se cumpra a palavra do Senhor: chegará o tempo em que os homens, em vez de guerrear, irão “fundir as lanças, para delas fazer foices. Nenhuma nação pegará em armas contra a outra e nunca mais se treinarão para a guerra” (Isaías 2,4). Que assim seja!

PS O texto acima tem como autor Dom Hilario Moser,sdb, Bispo Emérito de Tubarão, SC e é aqui transcrito com sua autorização.


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