quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O Quarto Mandamento e os deveres dos PAIS para com seus filhos

O Quarto Mandamento e os deveres dos PAIS para com seus filhos


Os deveres dos pais para com seus filhos são muitos. Ser pai e mãe não é só questão de gerar os filhos. Sua missão continua a vida toda, particularmente no tempo da educação e formação deles, tanto no campo humano, quanto no campo espiritual. Se, de um lado, os pais têm essas graves obrigações para com os filhos, por outro, o direito e o papel de educadores e formadores dos filhos são algo fundamental e inalienável da parte deles, o que deve gerar consequências práticas na vida.







Por isso, os filhos devem ser considerados pelos pais como filhos de Deus e devem ser tratados como pessoas humanas. Portanto, é preciso educá-los integralmente, isto é, ajudá-los a se tornarem seres humanos autênticos e úteis aos outros, respeitosos de todos, enfim, dotados o mais possível das qualidades de um cidadão consciente. Enquanto filhos de Deus, precisam ser ajudados a compreender os fundamentos da religião, a observar a Lei de Deus e a cumprir seus compromissos religiosos. É, pois, dever dos pais providenciar para os filhos o atendimento de todas as suas necessidades físicas, materiais e espirituais a fim de que se tornem realmente pessoas humanas e filhos de Deus.





Os pais têm também responsabilidades específicas com relação ao lar. Para educar convenientemente os filhos, os pais devem procurar que sua casa seja um verdadeiro lar, impregnado de amor, ternura, perdão, respeito, fidelidade, serviço desinteressado. É ali que deverão exercitar os filhos na educação das virtudes. Esta formação exige esforço, dedicação, bom senso, critérios adequados, domínio de si, enfim, um conjunto de circunstâncias que ajudem os filhos a se formarem bem para a liberdade. Uma educação demasiado rígida não é a melhor forma de educar os filhos, como ensina São Paulo: “E vós, pais, não provoqueis revolta nos vossos filhos; antes, educai-os com uma pedagogia inspirada no Senhor” (Efésios 6,4). Nesse assunto, mais do que nunca, é importante o bom exemplo dos pais, pois os filhos aprendem mais imitando o que veem nos pais do que ouvindo suas recomendações. O lar deve também abrir a mente e o coração dos filhos para as responsabilidades humanas em geral e as comunitárias. Por outro lado, os filhos também hão de ser preparados para os perigos que a sociedade oferece.





Aqui cabe uma oportuna palavra sobre a violência na família. Qualquer tipo de violência é sempre condenada pelo Evangelho. É ainda mais condenável pelo fato de ocorrer dentro da família, que deve ser um lugar de amor e comunhão. Assinalemos aqui três comportamentos violentos que ocorrem com frequência nas famílias:



· maltratar os filhos de diversas maneiras: palavras duras, castigos exagerados (físicos ou de outra ordem), surras, provocar ferimentos e outras atitudes semelhantes;



· abusar deles sexualmente: fato gravíssimo que acontece dentro da própria família com muito mais frequência do que se imagina e que deixa na criança feridas que a farão sofrer por toda a vida;



· os filhos maltratarem os pais ou os pais se maltratarem entre si: ambas as faltas ferem o quarto e o quinto mandamento; ofender a esposa ou vice-versa, é bom ressaltar, é uma forma também de ofender o sacramento do Matrimônio, pois os esposos juraram perante Deus e a Igreja amor mútuo para sempre.





Os pais também precisam evangelizar os filhos. Foi com esta finalidade, entre outras, que os pais, pelo sacramento do Matrimônio, receberam graça especial de Deus. Os primeiros catequistas numa família devem ser os pais, pela palavra e pelo exemplo. Além de procurar fazer da família uma “Igreja doméstica”, os pais encaminharão os filhos para a vida da comunidade eclesial (paróquia ou comunidade menor), iniciando-os na catequese e na prática religiosa, no acesso aos sacramentos, na oração e, aos poucos, no discernimento da própria vocação. Esta é tarefa importantíssima, isto é, a educação para a fé dos próprios filhos. Se assim for, os filhos acabarão colaborando para o crescimento da santidade de seus próprios pais, criando entre eles um clima de amor mútuo, de perdão, de autêntica caridade cristã.





É fundamental também que os pais escolham para os filhos uma boa escola, que corresponda às suas convicções humanas e cristãs. Os poderes públicos têm obrigação de garantir esse direito dos pais e dar-lhes segurança para poderem exercer serenamente esse direito. Convém lembrar igualmente aos pais que os filhos, ao se tornarem adultos, têm o direito de escolher sua profissão e seu estado de vida. Neste ponto, os pais poderão aconselhar e sugerir, nunca impor. Por outro lado, também os filhos devem saber solicitar conselhos e orientações a seus pais.





Às vezes, há filhos ou filhas que não se casam para cuidar dos pais idosos ou doentes, ou para se dedicar exclusivamente a uma profissão ou por outros motivos louváveis. É uma forma também esta de contribuir para o bem da humanidade. E quando os filhos pretenderem seguir uma vocação religiosa ou sacerdotal, os pais que têm fé sentirão alegria em vez de tristeza ou de reagir de forma a desestimular os filhos no prosseguimento desse caminho. Afinal, a primeira vocação do cristão é a de seguir Jesus. “Quem ama pai ou mãe mais do que a mim, não é digno de mim. E quem ama filho ou filha mais do que a mim, não é digno de mim” (Mateus 10,37).





O filho ou filha que seguem uma vocação específica na Igreja não deixam de amar seus pais, pelo contrário, eles os amam de uma forma ainda melhor, sob o olhar amoroso de Deus. Um dia São Pedro disse a Jesus: “Olha! Nós deixamos tudo e te seguimos. Que haveremos de receber? Jesus respondeu: ‘Em verdade vos digo, quando o mundo for renovado e o Filho do homem se sentar no trono de sua glória, também vós que me seguistes, havereis de sentar-vos em doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel. E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai e mãe, filhos ou campos, por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá como herança a vida eterna” (Mateus 19,22-29).



Na próxima postagem abordaremos o respeito devido às autoridades e aos cidadãos, o que também é requerido pelo quarto Mandamento.

PS O texto acima tem como autor Dom Hilario Moser,sdb, Bispo Emérito de Tubarão, SC e é aqui transcrito com sua autorização.


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