quarta-feira, 8 de agosto de 2012



O QUINTO MANDAMENTO, OS ESCÂNDALOS, A SAÚDE...




O quinto mandamento se opõe também aos escândalos. Trata-se de uma falta de respeito à alma das pessoas. O escândalo consiste em tentar o próximo, opor-se à retidão da pessoa, arrastar o irmão à morte espiritual. O escândalo é pecado grave se, por ação ou omissão, conduzir deliberadamente alguém a uma falta grave.

Como qualquer falta, também o escândalo tem suas graduações. É tanto mais desastroso quanto maior for a autoridade de quem o pratica ou a fraqueza de alma dos que são envolvidos neles. “Quem escandalizar um só destes pequenos que creem em mim, melhor seria que lhe amarrassem ao pescoço uma pedra de moinho e o lançassem no fundo do mar. Ai do mundo por causa dos escândalos. É inevitável, sem dúvida, que eles ocorram, mas ai daquele que os provoca” (Mateus 18,6-7).

várias maneiras de escandalizar. O escândalo é mais grave quando é dado por pessoas que, por natureza ou função, devem ensinar e educar os outros. O escândalo pode ser provocado também por leis, instituições, pela moda, pela opinião... Tudo o que leva à degradação dos costumes, corrompe a vida religiosa das pessoas, prejudica o ambiente social de tal modo que torna difícil cumprir os Dez Mandamentos e viver segundo o Evangelho, tudo isso provoca escândalo.

Igualmente provocam escândalo chefes de empresas que em seus regulamentos incitam à fraude, professores que exasperam os alunos, os manipuladores da opinião pública. Todas essas atitudes são ocasiões de pecado para os mais fracos e, portanto, são ocasiões de escândalo.

O quinto Mandamento engloba também o cuidado pela saúde. Sim, porque a vida e a saúde são dons de Deus a fim de podermos cumprir nossa missão neste mundo. Precisamos cuidar delas equilibradamente, tendo em mente também as necessidades dos outros e o bem comum. Também faz parte da saúde o cuidado com o corpo, não, porém, de forma exagerada a ponto de fazer dele um ídolo.

Em questões de saúde e de cuidado com o corpo, é preciso evitar toda espécie de excesso, na comida, na bebida e em tudo o mais. Cabe à virtude da temperança manter sob controle tudo o que fazemos. Não falemos do uso da droga que causa gravíssimos danos à saúde e leva outras pessoas ao mal, com consequências enormes para as famílias, a sociedade e a própria pessoa que as consome. Quem as comercializa é responsável por gravíssimos danos morais.

A pesquisa científica também pode resultar em dano para a pessoa. De fato, trata-se de uma faca de dois gumes: experiências científicas, médicas ou psicológicas podem prestar enorme ajuda à saúde das pessoas. Lembre-se, porém, que experiências em seres humanos sempre exigem o consentimento do interessado ou de seus representantes legais. Por outro lado, elas não podem legitimar atos em si mesmos contrários à dignidade das pessoas. Nem o consentimento da pessoa envolvida no caso legitima tais tomadas de posição.

Essas experiências não são lícitas, se puserem em perigo a vida, a integridade física e psíquica da pessoa ou as levarem a correr riscos desproporcionais ou evitáveis por outras intervenções.

Quanto ao transplante de órgãos, é moralmente legítimo na medida em que os riscos a que se submete o doador não representem para ele grave prejuízo e, ao mesmo tempo, que haja probabilidade concreta de bom êxito em favor do destinatário. Sempre, porém, se exige o consentimento do doador ou de seus representantes legais. Doar órgãos após a morte é louvável. Mutilar a si mesmo é sempre moralmente inadmissível. – (Continua na próxima postagem).

PS O texto acima tem como autor Dom Hilario Moser,sdb, Bispo Emérito de Tubarão, SC e é aqui transcrito com sua autorização.


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