O SEXTO MANDAMENTO, COMVITE Á PUREZA DO AMOR
Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo?
Não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo?
(1 Tessalonicenses 4,7)
O Sexto Mandamento é um convite à pureza do amor, em particular, em referência ao nosso próprio corpo e ao corpo dos outros. A carne é frágil..., por isso, esse território precisa ser rodeado de defesas, do contrário, os estragos podem ser significativos. A castidade é um dom de Deus, mas conservá-lo ou adquiri-lo depende também do nosso esforço e cuidado, do uso de todos os meios que o Espírito Santo, por Jesus, põe à nossa disposição. São Paulo nos alerta: “Deus não nos chama à impureza, mas à santidade”.
O pecado contra a castidade assume formas diversas, seja por pensamentos e desejos, seja por palavras e obras. O Catecismo da Igreja Católica elenca uma série delas:
• Luxúria: o desejo desordenado ou a busca do prazer sexual por si mesmo, fora das finalidades estabelecidas para o sexo pelo Criador, que são a união dos esposos e a procriação. (Há quem confunda “luxúria” com “luxo”: o luxo é ostentação, nada tem a ver com sexo).
• Masturbação: a excitação voluntária dos órgãos sexuais por mero prazer. Muitos justificam a masturbação como um fato natural. A Igreja e o senso moral dos fiéis sempre a consideraram um ato gravemente desordenado por si mesmo. Todavia, para julgar da gravidade maior ou menor do ato praticado, será preciso levar em conta a imaturidade afetiva, certos hábitos contraídos, estados de angústia, outros fatores psíquicos ou sociais que podem diminuir a força da responsabilidade.
• Fornicação: a união carnal entre um homem e uma mulher não casados. Como as faltas acima, ela é contrária à dignidade das pessoas porque as instrumentaliza e é sempre um abuso da sexualidade humana que, como vimos, tem objetivos específicos ditados pelo Criador.
• Pornografia: exibe a outros os atos sexuais, isolados de sua finalidade, por puro prazer. Desnatura o ato conjugal, ridiculariza a doação íntima dos esposos, ofende gravemente a dignidade humana. Todas as pessoas envolvidas no processo pornográfico (atores, comerciantes, público) não estão isentas de culpa e de escândalo; sem falar dos que a incentivam e, com ela, acumulam fortunas explorando a fraqueza humana. Em particular, a pornografia escandaliza enormemente a juventude, encaminha para o vício e cria um mundo ilusório, artificial.
• Prostituição: gravemente contrária à própria pessoa que se prostitui, reduzida a puro objeto de prazer. A prostituição é um flagelo social e envolve todas as categorias de pessoas de todas as idades. É sempre falta grave; todavia, sua responsabilidade pode ser atenuada pela pressão da miséria, da chantagem e de outros fatores pessoais ou sociais.
• Estupro: usar da força para praticar um ato sexual com alguém. É contra a justiça e a caridade, provoca danos gravíssimos, lesa o direito ao respeito, à liberdade, à integridade física e moral da pessoa ofendida. Na mesma linha do estupro deve-se apontar o incesto e a pedofilia (Cf. Catecismo da Igreja Católica n. 2351-2356).
O que dizer da homossexualidade? “A homossexualidade designa as relações entre homens e mulheres que sentem atração sexual, exclusiva ou predominante, por pessoas do mesmo sexo. A homossexualidade se reveste de formas muito variáveis ao longo dos séculos e das culturas. Sua gênese psíquica continua amplamente inexplicada. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves, a tradição sempre declarou que os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados. São contrários à lei natural. Fecham o ato sexual ao dom da vida. Não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira. Em caso algum podem ser aprovados”.
“Um número não negligenciável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente enraizadas. Esta inclinação objetivamente desordenada constitui, para a maioria, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar a vontade de Deus em sua vida e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por causa de sua condição. As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã” (Catecismo da Igreja Católica, n. 2357-2359).
Em conclusão: a castidade não é um “bicho de sete cabeças”, impossível de se praticar. Apesar de vivermos num clima saturado de erotismo, estimulado particularmente por certos meios de comunicação social, por certas “ondas” do momento... há muitas pessoas que se conservam puras e santas, na alma e no corpo. E há sempre o caminho do retorno, lembrando o que diz São João: “Se o nosso coração nos acusa, Deus é maior do que o nosso coração e Ele conhece tudo” (1 João 3, 20).
O discípulo/a de Jesus, apesar da sua fragilidade, auxiliado pelo Espírito Santo, pela Palavra de Deus, pela oração, pelos sacramentos (especialmente da Reconciliação e da Eucaristia), se esforça para aprender a amar de forma pura, a si mesmo, aos outros e a todas as criaturas. Na perfeição do amor é que consiste a santidade. Neste sentido, o Sexto Mandamento vem em auxílio da nossa fraqueza. – (Continua na próxima postagem).
PS O texto acima tem como autor Dom Hilario Moser,sdb, Bispo Emérito de Tubarão, SC e é aqui transcrito com sua autorização.
PS O texto acima tem como autor Dom Hilario Moser,sdb, Bispo Emérito de Tubarão, SC e é aqui transcrito com sua autorização.

Nenhum comentário:
Postar um comentário