quarta-feira, 8 de agosto de 2012

SEGUNDO MANDAMENTO: NÃO TOMAR SEU SANTO NOME EM VÃO


A Bíblia usa com frequência a palavra “nome” para designar o próprio Deus. Confiar o próprio nome a uma pessoa é sinal de amizade e intimidade, como Deus fez com Moisés (cf. Êxodo 3,13-14). Assim, entre a multiplicidade das verdades reveladas por Deus a seu povo, encontramos de modo específico a revelação do nome de Deus. Mas Ele exigiu que seu nome fosse respeitado: “Não pronunciarás o nome do Senhor teu Deus em vão” (Êxodo 207).

Respeitar o nome de Deus exige que tenhamos cuidado com nossas palavras quando nos referimos a Ele. Este segundo Mandamento, como o primeiro, se refere à virtude da religião: orienta-nos a não profanarmos com palavras as coisas santas, a começar pelo próprio Deus.

Todavia, o amor e o respeito pelo nome do Senhor exigem algo mais. Exigem, em particular, que as promessas sejam cumpridas, as blasfêmias e pragas evitadas. Vejamos:

• as promessas feitas em nome de Deus devem ser cumpridas com sinceridade. Não cumpri-las é o mesmo que pretender que Deus participe da nossa infidelidade: “É uma armadilha consagrar levianamente alguma coisa e, depois, arrepender-se da promessa” (Provérbios 20,25);

• a blasfêmia consiste em proferir contra Deus, em pensamento ou com a boca, palavras de ódio, de ofensa, de desafio, ou em falar mal de Deus, zombar do nome do Senhor. O mesmo vale para Jesus, a Igreja, os santos, as coisas sagradas. O Catecismo da Igreja Católica ensina: “É também blasfemo recorrer ao nome de Deus para encobrir práticas criminosas, reduzir povos à servidão, torturar ou matar. O abuso do nome de Deus para cometer um crime provoca a rejeição da religião. A blasfêmia... é em si um pecado grave” (n.2148);

• as pragas também são falta de respeito a Deus, pois por elas invoca-se o nome de Deus para desejar mal aos outros.

O amor e o respeito pelo nome do Senhor devem levar-nos também a evitar o juramento falso: consiste em invocar a Deus como testemunha da nossa mentira. Só se pode invocar a Deus como testemunha quando se trata de jurar a verdade. Mesmo assim, não se deve jurar por qualquer motivo fútil, como é muito comum.

Por sua vez, o perjúrio consiste em jurar por Deus com a intenção de não manter o juramento ou de violar a promessa feita sob juramento. Pior ainda quando alguém faz um juramento para cumprir uma obra má. Jurar falso é grave ofensa a Deus. Eis o que nos ensinou Jesus: “Ouvistes... o que foi dito aos antigos: ‘Não jurarás falso’, mas ‘cumprirás os teus juramentos ao Senhor’. Eu, porém, vos digo: não jureis de modo algum... Seja o vosso sim, sim, e o vosso não, não. O que passa disso vem do Maligno” (Mateus 5,33-34.37).

Por motivos graves e com sinceridade, ponderando com responsabilidade caso por caso, é possível jurar por Deus. Há, porém, casos em que o juramento não deve ser feito. “A santidade do nome divino exige que não se recorra a ele para coisas fúteis e não se preste juramento em circunstâncias susceptíveis de ser interpretado como uma aprovação do poder que o exigisse injustamente. Quando o juramento é exigido por autoridades civis ilegítimas, pode-se recusá-lo. Deve ser recusado quando é pedido para fins contrários à dignidade das pessoas ou à comunhão da Igreja” (Catecismo da Igreja Católica n. 2155).

Finalmente, uma pergunta “interesseira”: terá Deus algo a ver com o nosso nome? Isaías diz: “Desde o seio materno, o Senhor me chamou, desde o ventre de minha mãe, já sabia meu nome” (Isaías 49,1). E ainda: “Não tenhas medo, que fui eu quem te resgatou, chamei-te pelo próprio nome, tu és meu!” (Isaías 43,1). Se Deus “conta o número das estrelas e chama cada uma pelo nome” (Salmo 147,4), imaginemos se ele não sabe o nosso nome!

O nosso nome nos foi dado no batismo que, por sua vez, nos foi administrado “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. E todos os dias, o cristão começa a jornada “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Jesus nos diz: “Ficai alegres porque vossos nomes estão escritos nos céus” (Lucas 10,20).

PS O texto acima tem como autor Dom Hilario Moser,sdb, Bispo Emérito de Tubarão, SC e é aqui transcrito com sua autorização.



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