quinta-feira, 20 de setembro de 2012



O SÉTIMO MANDAMENTO MANDA SER SOLIDÁRIOS



Faz parte do sétimo mandamento no setor da justiça social também a solidariedade. De fato, o Catecismo da Igreja Católica n. 2437-2438 observa: “No plano internacional, a desigualdade dos recursos e dos meios econômicos é tão grande que provoca entre as nações um verdadeiro fosso. De um lado, estão os que detêm e desenvolvem os meios de crescimento e, de outro, os que acumulam as dívidas. Diversas causas, de natureza religiosa, política, econômica e financeira, conferem hoje à questão social uma dimensão mundial”.

O Catecismo continua: “A solidariedade é necessária entre as nações cujas políticas já são interdependentes. É ainda mais indispensável quando se torna preciso deter ‘os mecanismos perversos’ que impedem o desenvolvimento dos países menos avançados. Urge substituir os sistemas financeiros abusivos e mesmo usurários, as relações comerciais iníquas entre as nações e a corrida armamentista por um esforço comum no sentido de mobilizar os recursos e objetivos de desenvolvimento moral, cultural e econômico, redefinindo as prioridades e as escalas de valores".

É possível definir algumas responsabilidades maiores. Aqui estão algumas:

as nações ricas têm responsabilidades especiais graves para com as que não têm condições de se desenvolverem: é um dever de solidariedade e caridade;

a ajuda direta é uma forma de atender às necessidades imediatas das nações que, por um motivo ou por outro, estão submersas em dificuldades especiais ou na miséria permanente;

há também a necessidade de reformar as instituições econômicas e financeiras internacionais para que ajudem de forma mais equitativa os países menos desenvolvidos;

na base de qualquer crescimento do desenvolvimento completo da sociedade humana está o senso de Deus e o reconhecimento do nosso lugar como criaturas; se não houver cuidado em cultivar esses valores, o egoísmo prevalecerá;

a tarefa de intervir diretamente na construção política e na organização da vida social não cabe aos pastores, mas é vocação própria dos fiéis leigos, o que pode ser feito de diversas maneiras.

Quanto aos pobres, a Igreja ensina: “Deus abençoa aqueles que ajudam os pobres e reprova aqueles que se afastam deles: ‘Dá ao que te pede e não voltes as costas ao que te pede emprestado’(Mateus 5,42). ‘De graça recebestes, de graça dai’ (Mateus 10,8). Jesus Cristo reconhecerá seus eleitos pelo que tiverem feito pelos pobres. Temos o sinal da presença de Cristo quando ‘os pobres são evangelizados’ (Mateus 11,53)”.

“O amor da Igreja pelos pobres... faz parte de sua tradição constante. Inspira-se no Evangelho das bem-aventuranças, na pobreza de Jesus e em sua atenção aos pobres. O amor aos pobres é também um dos motivos do dever de trabalhar, para se ter o que partilhar com quem tiver necessidade. Não se estende apenas à pobreza material, mas também às numerosas formas de pobreza cultural e religiosa. O amor aos pobres é incompatível com o amor imoderado das riquezas ou o uso egoísta delas” (Catecismo da Igreja Católica, n. 2443-2445).

Em relação aos pobres há dois grandes meios a se levar em consideração:

as obras de misericórdia: veja-as em Mateus 25,31-46; elas serão critério fundamental para nosso julgamento.

o amor preferencial pelos pobres: o Antigo Testamento já o recomendava o amor pelos mais fracos: “Uma vez que nunca deixará de haver pobres na terra, eu te dou este mandamento. Abre tua mão para teu irmão, teu necessitado, teu pobre em tua terra” (Deuteronômio 15,11); palavras que Jesus fez suas: “Os pobres, sempre os tendes convosco. A mim, no entanto, nem sempre tereis” (João 12,8).

PS O texto acima tem como autor Dom Hilario Moser,sdb, Bispo Emérito de Tubarão, SC e é aqui transcrito com sua autorização.


O SÉTIMO MANDAMENTO E O TRABALHO



A justiça social ilumina com particular intensidade o trabalho: dele deriva a grandeza para o ser humano, tornado parceiro de Deus na obra da criação. Posto no mundo para trabalhar, São Paulo diz que “quem não quer trabalhar também não coma” (2 Tessalonicenses 3,10).


O trabalho honra o ser humano e honra também o Criador. Ele pode ser redentor, quando suportado com paciência e unido a Jesus Redentor que trabalhou com suas mãos. Tenha-se sempre presente que o trabalho é para o homem, não o homem para o trabalho. O trabalho deve ser fonte de dignidade, não de humilhação e escravidão.


O trabalho tem ainda outras exigências. Acenaremos aqui a algumas, sem poder deter-nos em explicitá-las cabalmente:

Cada um tem o direito de iniciativa econômica para o próprio bem e para o bem comum; naturalmente deverá adaptar-se às normas que existem para regular o bem comum.

A vida econômica fatalmente acaba criando conflitos: é preciso bom senso e esforço para minimizá-los e solucioná-los conforme a justiça social.

O Estado tem responsabilidades especiais nesse setor: ele deve criar todas as condições favoráveis ao desenvolvimento das atividades econômicas e garantir aos que trabalham condições adequadas para cumprirem sua missão; em particular, é preciso que se respeitem os direitos humanos no setor econômico;

Especiais responsabilidades têm os donos de empresas: eles devem pensar antes no bem das pessoas mais do que nos lucros; naturalmente, também estes são necessários.



O trabalho tem ainda algumas outras exigências. Assinalamos as seguintes:

O acesso ao trabalho é preciso que esteja aberto a todos, sem discriminação.

Quem trabalha merece seu salário justo: recusá-lo ou retê-lo pode ser grave injustiça. “Olhai: o salário dos trabalhadores que ceifaram os vossos campos, e que vós deixastes de pagar, está gritando; o clamor dos trabalhadores chegou aos ouvidos do Senhor todo-poderoso” (Tiago 5,4). Um salário justo exige que com ele se possam atender às necessidades da pessoa, dependendo também de suas contribuições; o acordo entre partes não basta para justificar moralmente o montante de um salário.

O protesto da greve pode ser legítimo e até necessário, mas é moralmente inaceitável quando acompanhado de violência ou quando esconde objetivos que não se referem diretamente às condições do trabalho em questão.

É falta de justiça sonegar o pagamento das cotas estipuladas pelas autoridades legítimas em função da seguridade social.

Grande atentado à dignidade humana é a privação do trabalho (desemprego), pois coloca em situação difícil a pessoa desempregada, sua família e o equilíbrio da vida social.


Para encerrar, muito belas as palavras do Papa Leão XIII sobre Jesus que aprendeu a trabalhar na casa de José e Maria: “Antes que Ele tivesse as mãos banhadas de sangue pelos tormentos da crucificação, teve-as banhadas de suor pela sua dedicação ao trabalho”. O criador do mundo aprendeu de um ser humano – José – a usar as próprias mãos para aperfeiçoar a criação, tarefa confiada por Deus aos seres humanos. – (Continua na próxima postagem).

PS O texto acima tem como autor Dom Hilario Moser,sdb, Bispo Emérito de Tubarão, SC e é aqui transcrito com sua autorização.




O SÉTIMO MANDAMENTO E A JUSTIÇA



A justiça que o sétimo mandamento nos pede consiste em respeitarmos os outros e tudo o que lhes pertence, mesma em se tratando de coisa pequena. Afinal, Deus deseja que sejamos justos, e a injustiça não lhe pode agradar: ela é contra a verdade, a autenticidade, a honestidade.

Há muitos modos de faltar à justiça. Não é possível tratar de todos aqui. De forma geral, deve-se dizer que sempre que a consciência da pessoa reconhecer que faltou de respeito a uma pessoa, a seus direitos, às suas posses, deverá confessar que praticou a injustiça. Nesse sentido, não se trata só de observar o sétimo mandamento; a violação de qualquer um dos mandamentos leva, de um modo ou de outro, à prática da injustiça porque, como disse acima, fere a verdade, a autenticidade do ser humano.

Não há dúvida, porém, de que o sétimo mandamento, em particular, quer que sejamos justos evitando faltar de respeito aos bens dos outros. Por isso, em primeiro lugar, ele proíbe o roubo: consiste em apropriar-se dos bens de outras pessoas contra a vontade razoável delas. Roubo é também reter injustamente o bem de outras pessoas, mesmo que não haja leis civis que o proíbam. Igualmente é roubo reter de propósito bens emprestados, objetos perdidos, enganar no comércio, pagar salários injustos, elevar os preços especulando sobre a ignorância e a miséria dos outros... As modalidades do roubo são muito amplas, como se vê.

Não há roubo se se sabe que os donos não se opõem a que nos apropriemos de alguma coisa que lhes pertence. Não há roubo também quando há necessidade urgente e evidente de dispor de alguma coisa para satisfazer as necessidades imediatas e essenciais do ser humano, como comida, casa, roupa..., pois nesse caso prevalece a destinação universal dos bens.

Há outras formas de roubar. O Catecismo da Igreja Católica explicita algumas mais comuns (há mais): “São... moralmente ilícitos a especulação, pela qual se faz variar artificialmente a avaliação dos bens, visando levar vantagem em detrimento do outro; a corrupção, pela qual se “compra” o julgamento daqueles que devem tomar decisões de acordo com o direito; a apropriação e uso privados dos bens sociais de uma empresa; os trabalhos malfeitos; a fraude fiscal; a falsificação de cheques e de faturas; os gastos excessivos; o desperdício. Infligir voluntariamente um prejuízo aos proprietários privados ou públicos é contrário à lei moral e exige reparação” (n. 2409).

Também faz parte do sétimo mandamento cumprir honestamente as promessas e os contratos, pois grande parte da vida econômica e social depende disso: venda e compra, locação e trabalho, etc. Tudo deve ser feito em boa fé, do contrário a vida se torna impossível.

A justiça comutativa, ou seja, aquela que regula as trocas entre pessoas e instituições, também exige que se faça a reparação da injustiça cometida. Aqui vale a pena lembrar o episódio do encontro de Jesus com Zaqueu que, convertido, prometeu devolver o quádruplo aos que ele defraudara: veja Lucas 19,1-10. Também toda pessoa que cooperou com terceiros para defraudar alguém deve, de um modo ou de outro, reparar a injustiça.

Por acaso, os jogos de azar e as apostas são contra a justiça? Em si, não são. Sabe-se, porém, que essas coisas viciam. Por isso, é perigoso dedicar-se sistematicamente a elas. Tornam-se imorais, se por causa disso a pessoa não tem mais como atender suas necessidades fundamentais ou as dos outros. Trapacear no jogo, dependendo do dano infligido aos outros, pode ser até falta grave.

Um dos maiores pecados contra o sétimo mandamento consiste em toda e qualquer forma de escravização dos seres humanos: é ofensa grave à dignidade humana, a seus direitos fundamentais e, portanto ao Criador. Pode não parecer, mas é este um pecado contra a justiça que se comete muito mais do que se imagina.

Finalmente, existe também a justiça social. A Igreja, baseada na Palavra de Deus, tem critérios próprios a respeito da atividade econômica, social e política: é a chamada Doutrina Social da Igreja. Por ela, a Igreja dá orientações detalhadas de como as pessoas se devem comportar perante seus semelhantes, o trabalho, as atividades econômicas e sociais, enfim, perante tudo o que constitui atividade que nos ajuda a criar uma civilização permeada de solidariedade, a famosa “civilização do amor” de que falava o Servo de Deus Papa Paulo VI.

Trata-se de um tema muito amplo. Aqui me refiro especificamente às atividades econômicas, que se prestam com facilidade à prática da injustiça. “O desenvolvimento das atividades econômicas e o crescimento da produção estão destinados a servir às necessidades dos seres humanos. A vida econômica não visa somente multiplicar os bens produzidos e aumentar o lucro ou o poder; antes de tudo, ela está ordenada ao serviço das pessoas, do homem em sua totalidade e de toda a comunidade humana. Conduzida segundo seus métodos próprios, a atividade econômica deve ser exercida dentro dos limites da ordem moral, segundo a justiça social, a fim de corresponder ao plano de Deus acerca do homem” (Catecismo da Igreja Católica, n. 2426). – (Continua nas próximas postagens).

PS O texto acima tem como autor Dom Hilario Moser,sdb, Bispo Emérito de Tubarão, SC e é aqui transcrito com sua autorização.


terça-feira, 28 de agosto de 2012

SÉTIMO MANDAMENTO: NÃO FURTAR


O Pe. Antônio Vieira, maior orador sacro da língua portuguesa, escreveu um livro que ficou famoso. Deu-lhe um nome sugestivo (para o seu tempo... e para o nosso): “A arte de furtar”. Esse livro mereceria ser distribuído às carradas: é atualíssimo!

Pois é, o sétimo mandamento manda não praticar essa “arte” de que fala o Pe. Vieira. Do lado positivo, o sétimo mandamento manda praticar a justiça. E a justiça manda que cada um dê o seu a seu dono; agir contra este princípio é roubar ou furtar, é violar o sétimo mandamento de Deus: “Não roubarás” (Êxodo 20,15; Mateus 19,18). Trata-se de tomar ou reter injustamente coisas dos outros ou então prejudicá-los em seus bens. A justiça e a caridade exigem respeito pelos bens terrestres e pelo trabalho humano.

Embora o bem comum preveja que os bens terrenos têm uma destinação universal, não se exclui a posse e o uso privado de uma parte deles. O sétimo mandamento é a forma de nós usarmos e administrarmos corretamente a criação, tendo como ponto de referência Deus e o próximo.

É legítimo perguntar: como compor a destinação universal dos bens criados e a propriedade privada? Boa pergunta. De fato, na criação do mundo, Deus entregou tudo o que ele fez aos cuidados da humanidade. Depois de abençoar o homem e a mulher, disse-lhes: “Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a! Dominai sobre os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais que se movem pelo chão” (Gênesis 1,28).

Por motivos de segurança e para defesa da própria vida, aos poucos, a terra foi sendo repartida, surgindo daí a propriedade privada. Ela é legítima: garante a liberdade e a dignidade das pessoas, ajuda no suprimento das necessidades de cada um. A propriedade privada deve levar, porém, a promover a solidariedade entre as pessoas. O egoísmo e o individualismo são contra a vontade de Deus e fontes de males.

É legítimo também perguntar: O que prevalece, a destinação universal dos bens ou a propriedade privada? A destinação universal tem prioridade, pois o bem comum prevalece sobre o bem particular, conforme manda a caridade. A destinação universal dos bens, porém, não é motivo para anular a propriedade privada.

É sempre preciso recordar que o ser humano não é dono da criação, é administrador em nome de Deus. Por isso, mesmo os bens privados, um dia, por motivo de caridade ou de justiça, podem ser úteis aos outros, socorrendo-os em nome do bem comum. Cabe à autoridade política vigiar para que o exercício do direito de propriedade seja regulamentado em função do bem comum.

Convém lembrar também que nós temos deveres para com a criação. Tudo o que foi criado – animais, plantas, seres inanimados – tudo foi criado por Deus e posto à disposição do ser humano. Isso, porém, não significa que nós somos donos da criação e podemos fazer dela o que quisermos. Devemos servir-nos dela na medida de nossas necessidades, respeitando-a o mais possível, pois dela depende não só a vida, mas também a qualidade de vida das outras pessoas.

A grande causa da ecologia, embora muitos não saibam, tem como fundamento exatamente o respeito pelo Criador e pela criação que ele fez para nossa utilidade e para nosso bem. Tudo deve ser usado com moderação, sem egoísmo e instinto de posse, sem abuso de qualquer tipo, como, por exemplo, fazer sofrer os animais, destruir por destruir, etc.

A virtude que regula nosso comportamento para com as pessoas quanto aos bens criados é a virtude da temperança, que modera nossos atos. No que se refere ao respeito pelos bens dos outros, é a virtude da justiça que nos manda dar a cada um o que é seu. Por fim, a solidariedade nos leva a repartir com os mais pobres aquilo que temos, especialmente se se tratar de bens supérfluos. – (Continua nas próximas postagens).

PS O texto acima tem como autor Dom Hilario Moser,sdb, Bispo Emérito de Tubarão, SC e é aqui transcrito com sua autorização.


O SEXTO MANDAMENTO, O HOMEM E A MULHER



“Deus disse: ‘Façamos o ser humano à nossa imagem e segundo nossa semelhança’... Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus os criou. Homem e mulher ele os criou” (Gênesis 1,26-27). Este é o ser humano criado por Deus e esta é a distinção estabelecida por Deus entre os seres humanos: uns são do sexo masculino, outros, do sexo feminino. Deus os fez um para o outro e lhes disse: “Sede fecundos e multiplicai-vos” (Gênesis 1,28).

Da vontade do Criador nasce o matrimônio e a família. A sexualidade está ordenada ao amor conjugal entre o homem e a mulher. Essa união é santificada, entre os batizados, pelo sacramento do Matrimônio. São Paulo fala do matrimônio como símbolo do amor de doação até à morte de Cristo esposo por sua esposa, a Igreja (cf. Efésios 5,32). A castidade vem em ajuda às pessoas casadas para que seu amor seja, o mais possível, semelhante ao amor de Cristo e da Igreja, isto é, amor de doação, não amor interesseiro.

O Catecismo da Igreja Católica ensina: “Os atos com os quais os cônjuges se unem íntima e castamente são honestos e dignos. Quando realizados de maneira verdadeiramente humana, significam e favorecem a mútua doação pela qual os esposos se enriquecem com o coração alegre e agradecido. A sexualidade é fonte de alegria e de prazer... Pela união dos esposos realiza-se o duplo fim do matrimônio: o bem dos cônjuges e a transmissão da vida. Esses dois significados ou valores do casamento não podem ser separados sem alterar a vida espiritual do casal e sem comprometer os bens matrimoniais e o futuro da família. Assim, o amor conjugal entre o homem e a mulher atende à dupla exigência da fidelidade e da fecundidade” (n. 2362-2363).

À fidelidade conjugal (cf. Marcos 10,9) se opõe a infidelidade, ou seja, preterir o esposo ou esposa para unir-se a outro parceiro ou parceira (adultério). Trata-se de pecado grave contra a castidade e também contra a justiça, pois além de violar o sexto mandamento, viola também o compromisso assumido com o outro cônjuge, isto é, de fazer dele o único amor da própria vida. Disse também Jesus: “Todo aquele que olhar para uma mulher com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela em seu coração” (Mateus 5,28).

Uma pergunta: será que castidade tem a ver também com a fecundidade matrimonial? Sim, porque, além de o matrimônio visar à complementação dos esposos, também deve visar à procriação e educação dos filhos, pois foi para isto que Deus o quis. Sejam quais forem as situações dos esposos, o matrimônio sempre precisa estar aberto à transmissão da vida. Esta é a missão dos esposos: serem cooperadores da missão criadora de Deus. De fato, os filhos são um dom de Deus. Por isso, fazer do casamento só uma fonte de satisfação pessoal, excluindo a possibilidade da procriação, é pecar gravemente contra o plano do Criador, o que também facilmente leva a buscar satisfações contrárias à castidade.

Outra ofensa ao matrimônio é o divórcio. Por natureza, o casamento é indissolúvel, isto é, não pode ser anulado, quer porque o amor, em si mesmo, exige ser algo absoluto, quer porque o bem dos filhos o pede. O divórcio é uma falta grave. No Antigo Testamento tolerava-se o divórcio. Jesus, porém, corrigiu essa falha quando disse: “Moisés permitiu despedir a mulher, por causa da dureza do vosso coração. Mas não foi assim desde o princípio (da criação) (Mateus 19,8). E acrescentou: “Foi dito também (aos antigos): ‘Quem despedir sua mulher dê-lhe um atestado de divórcio’. Eu, porém, vos digo: todo aquele que despedir sua mulher – fora o caso de união ilícita – faz com que ela se torne adúltera; e quem se casa com a mulher que foi despedida comete adultério” (Mateus 5,31-32). São Paulo ensina aos Coríntios a mesma doutrina (Cf. 1 Coríntios 7,10-11).

Há ainda outras ofensas à dignidade do casamento. Limito-me a citá-las:

a poligamia ou a poliandria, isto é, ter mais de uma mulher ou mais de um homem;

a união livre ou concubinato, quando homem e mulher se recusam a dar forma jurídica e pública à sua união;

as experiências sexuais antes ou fora do casamento;

o incesto, como já acenamos na postagem anterior, que consiste em ter relações íntimas com parentes ou pessoas afins;

a pedofilia, isto é, abusos sexuais cometidos por adultos contra crianças ou adolescentes.

Todas estas atitudes são contrárias à dignidade do casamento e, portanto, são violações do sexto mandamento. De fato, a castidade defende e preserva em sua pureza o amor dos esposos.

PS O texto acima tem como autor Dom Hilario Moser,sdb, Bispo Emérito de Tubarão, SC e é aqui transcrito com sua autorização.


SEXTO MANDAMENTO: NÃO PECAR CONTRA A CASTIDADE

Bem-aventurados os puros de coração porque verão a Deus” (Mateus 5, 8).

A castidade é a pureza do amor, é o amor que cuida de si mesmo e não permite que nada o manche. O ser humano conhece as próprias fragilidades e sabe muito bem que a fraqueza da carne é uma das mais expostas a perigos e que seu clamor é dos mais fortes dentro e fora do si. Por isso, a castidade é a virtude que cuida para que o amor, em todas as suas dimensões, se mantenha isento de falhas. Dessa forma, as pessoas podem amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmas, isto é, com o melhor amor de que dispõem.

É fundamental que se compreenda que no sexto mandamento o que está em jogo propriamente é o amor, a pureza do amor, não simplesmente questões sexuais. “Castidade” tem sua origem na palavra “castigar”, que significa corrigir, purificar: seja lá o que for que amamos – os nossos semelhantes, os animais, as coisas inanimadas –, nosso amor deve se casto (“castigado”), isto é, ordenado, limpo e puro, do contrário não amaremos a Deus acima de todas as coisas nem amaremos ao próximo como o amou Jesus, modelo de todo amor.

Precisamente porque a nossa carne é fraca, ela necessita de um apoio especial que nos ajude a caminhar pelo caminho reto: esse apoio é o sexto mandamento. O Antigo Testamento resumia tudo nas palavras: “Não cometerás adultério” (Êxodo 20,14). Jesus, porém, aprofundou seu sentido e o ampliou: “Ouvistes que foi dito: ‘Não cometerás adultério’. Eu, porém, vos digo: todo aquele que olhar para uma mulher com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela em seu coração” (Mateus 5,27-28). Como se vê, pode-se pecar também por maus pensamentos e más intenções.

Todo ser humano é chamado à castidade: é por ela que se constrói e mantém a unidade entre seu ser corporal e espiritual. A sexualidade mostra que o ser humano pertence também ao mundo corporal e biológico. Todavia, a castidade se torna realmente humana quando é integrada serenamente na pessoa, na relação entre pessoas, na doação mútua e definitiva entre um homem e uma mulher. Portanto, a castidade exige a integridade da pessoa e a total capacidade de doação mútua.

Sem dúvida, é um desafio aprender a integrar a sexualidade no conjunto da pessoa humana. O ser humano por inteiro, corpo e alma, é marcado pela sexualidade. Ela afeta de modo especial a afetividade, a capacidade de amar, de procriar, mas também tem a capacidade de criar vínculos e comunhão com os outros. Ocorre uma grave fonte de distúrbios quando alguém não consegue integrar a sexualidade no contexto de toda a pessoa ou a considera somente enquanto genitalidade. Cabe a cada ser humano reconhecer e aceitar a própria identidade sexual e buscar integrá-la serenamente no seu todo.

A sexualidade, sem eliminar a igualdade fundamental entre o homem e a mulher, marca de tal modo as pessoas que ela as torna muito diferentes em muitos aspectos, desde a dimensão física até à dimensão espiritual. Essas diferenças são energias voltadas para a comunhão matrimonial (complementação mútua entre homem e mulher) e familiar (geração e educação dos filhos). Disse o Criador: “Por isso deixará o homem o pai e a mãe e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne” (Gênesis 2,24).

A castidade promove a integridade da pessoa defendendo as forças vitais e de amor da pessoa. Uma pessoa casta se sente unificada, não dispersada em diversas direções em busca de compensações menos adequadas que, aos poucos, pervertem o pensamento, o amor e a ação. Para que a castidade unifique e tonifique o ser humano, são necessárias diversas atitudes:

A aprendizagem do domínio de si, que é a pedagogia para a formação da liberdade humana. Ou a pessoa comanda suas paixões, ou acaba tornando-se sua escrava: a diferença é que, no primeiro caso, ela tem paz; no segundo, infelicidade e remorso. Deixar-se guiar por impulsos torna o ser humano semelhante aos irracionais. A razão e, no caso do cristão, a fé é que devem tomar a dianteira e organizar as energias humanas dentro do coração.

O uso dos meios adequados é indispensável para conservar a castidade. Não se pode ser passivo e esperar que as coisas aconteçam. O conhecimento de si, a prática da ascese (renúncia a tudo o que possa excitar paixões menos convenientes), a obediência aos mandamentos, a prática das virtudes, a Palavra de Deus, a oração, os sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia, a orientação espiritual..., tudo isto ajuda a pessoa a se manter equilibrada.

A prática da temperança, virtude que “tempera”, modera, equilibra os apetites da sensibilidade humana, submetendo-os à razão e à fé, é fundamental para se tornar casto.

Há ainda outros meios para a castidade promover a integração da pessoa, especialmente os seguintes:

O domínio de si é um trabalho a longo prazo, até o fim da vida. Ele nunca pode ser dado como adquirido plenamente. Haverá períodos em que se torna menos necessário, nunca, porém, pode ser descuidado. A castidade tem leis de crescimento, às vezes marcadas por imperfeições e até por faltas graves: assim mesmo, é preciso retomar o trabalho para obter o domínio sobre si próprio.

Embora cada um deva cuidar da própria castidade, há também uma preocupação por criar uma cultura de castidade. Quem não percebe, hoje, quanto a nossa cultura está impregnada de sensualidade, sexualidade, pornografia? Os meios de comunicação social, os formadores de opinião pública, os educadores, todos têm grande responsabilidade nisto e precisam promover maior respeito pelas pessoas, pelo próprio corpo e pelo corpo dos outros. Há muito interesse em cuidar do corpo por vaidade; muito pouco respeito pelo corpo enquanto templo do Espírito Santo.

A castidade é também um dom de Deus, é graça divina, é fruto de um trabalho espiritual. É o Espírito Santo que nos concede imitar a pureza de Cristo. Não nos esqueçamos disto, nós que fomos batizados em Cristo: “Os que pertencem a Jesus Cristo crucificaram a carne com suas paixões e desejos. Se vivemos pelo Espírito, procedamos também de acordo com o Espírito” (Gálatas 24-25).

A caridade é a rainha de todas as virtudes. É ela que faz da castidade uma escola de doação da pessoa porque a torna senhora de si e capaz de generosidade sem limites. É por isso que a castidade floresce facilmente na amizade. Em primeiro lugar, na amizade para com Aquele que nos amou por primeiro e que enviou até nós seu Filho. Depois, na amizade para com este Filho que nos fez seus próprios amigos: “Eu vos chamo amigos” (João 115,15), se entregou por nós e nos tornou participantes de sua condição divina. Por isso, a castidade é promessa de imortalidade. A castidade faz florescer também a amizade com o próximo que representa um grande bem para todos e conduz à comunhão espiritual.

Há diversas formas de viver a castidade. Todos os cristãos são chamados a viver a castidade. Há pessoas que, às vezes, vivem na ilusão de que para os casados esse mandamento não existe. É um grande engano. Como lembramos acima, a castidade é a pureza do amor, seja de um solteiro ou de um casado, porque ela é muito mais do que simples genitalidade. Uma pessoa pode ser virgem, outra celibatária, outra casada, outra viúva: todas devem procurar viver castamente.

Ouve-se facilmente a afirmação de que namorados e noivos é conveniente que se relacionem sexualmente, como se fossem casados, com a finalidade de se conhecerem melhor, de mostrar carinho e amor. É um engano. A união sexual não foi prevista pelo Criador como forma de fazer experiências ou de divertimento: seria instrumentalizar as pessoas. A pessoa cuja experiência não fosse aprovada, não haveria de sentir-se rejeitada e intensamente ofendida? O amor, quando é verdadeiro, é absoluto, não condicionado.

PS O texto acima tem como autor Dom Hilario Moser,sdb, Bispo Emérito de Tubarão, SC e é aqui transcrito com sua autorização.


sábado, 25 de agosto de 2012

O SEXTO MANDAMENTO, COMVITE Á PUREZA DO AMOR



Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo?
Não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo?
(1 Coríntios 6,15.19)

Deus não nos chamou à impureza, mas à santidade
(1 Tessalonicenses 4,7)


O Sexto Mandamento é um convite à pureza do amor, em particular, em referência ao nosso próprio corpo e ao corpo dos outros. A carne é frágil..., por isso, esse território precisa ser rodeado de defesas, do contrário, os estragos podem ser significativos. A castidade é um dom de Deus, mas conservá-lo ou adquiri-lo depende também do nosso esforço e cuidado, do uso de todos os meios que o Espírito Santo, por Jesus, põe à nossa disposição. São Paulo nos alerta: “Deus não nos chama à impureza, mas à santidade”.
O pecado contra a castidade assume formas diversas, seja por pensamentos e desejos, seja por palavras e obras. O Catecismo da Igreja Católica elenca uma série delas:
Luxúria: o desejo desordenado ou a busca do prazer sexual por si mesmo, fora das finalidades estabelecidas para o sexo pelo Criador, que são a união dos esposos e a procriação. (Há quem confunda “luxúria” com “luxo”: o luxo é ostentação, nada tem a ver com sexo).
Masturbação: a excitação voluntária dos órgãos sexuais por mero prazer. Muitos justificam a masturbação como um fato natural. A Igreja e o senso moral dos fiéis sempre a consideraram um ato gravemente desordenado por si mesmo. Todavia, para julgar da gravidade maior ou menor do ato praticado, será preciso levar em conta a imaturidade afetiva, certos hábitos contraídos, estados de angústia, outros fatores psíquicos ou sociais que podem diminuir a força da responsabilidade.
Fornicação: a união carnal entre um homem e uma mulher não casados. Como as faltas acima, ela é contrária à dignidade das pessoas porque as instrumentaliza e é sempre um abuso da sexualidade humana que, como vimos, tem objetivos específicos ditados pelo Criador.
Pornografia: exibe a outros os atos sexuais, isolados de sua finalidade, por puro prazer. Desnatura o ato conjugal, ridiculariza a doação íntima dos esposos, ofende gravemente a dignidade humana. Todas as pessoas envolvidas no processo pornográfico (atores, comerciantes, público) não estão isentas de culpa e de escândalo; sem falar dos que a incentivam e, com ela, acumulam fortunas explorando a fraqueza humana. Em particular, a pornografia escandaliza enormemente a juventude, encaminha para o vício e cria um mundo ilusório, artificial.
Prostituição: gravemente contrária à própria pessoa que se prostitui, reduzida a puro objeto de prazer. A prostituição é um flagelo social e envolve todas as categorias de pessoas de todas as idades. É sempre falta grave; todavia, sua responsabilidade pode ser atenuada pela pressão da miséria, da chantagem e de outros fatores pessoais ou sociais.
Estupro: usar da força para praticar um ato sexual com alguém. É contra a justiça e a caridade, provoca danos gravíssimos, lesa o direito ao respeito, à liberdade, à integridade física e moral da pessoa ofendida. Na mesma linha do estupro deve-se apontar o incesto e a pedofilia (Cf. Catecismo da Igreja Católica n. 2351-2356).
O que dizer da homossexualidade? “A homossexualidade designa as relações entre homens e mulheres que sentem atração sexual, exclusiva ou predominante, por pessoas do mesmo sexo. A homossexualidade se reveste de formas muito variáveis ao longo dos séculos e das culturas. Sua gênese psíquica continua amplamente inexplicada. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves, a tradição sempre declarou que os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados. São contrários à lei natural. Fecham o ato sexual ao dom da vida. Não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira. Em caso algum podem ser aprovados”.
“Um número não negligenciável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente enraizadas. Esta inclinação objetivamente desordenada constitui, para a maioria, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar a vontade de Deus em sua vida e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por causa de sua condição. As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã” (Catecismo da Igreja Católica, n. 2357-2359).
Em conclusão: a castidade não é um “bicho de sete cabeças”, impossível de se praticar. Apesar de vivermos num clima saturado de erotismo, estimulado particularmente por certos meios de comunicação social, por certas “ondas” do momento... há muitas pessoas que se conservam puras e santas, na alma e no corpo. E há sempre o caminho do retorno, lembrando o que diz São João: “Se o nosso coração nos acusa, Deus é maior do que o nosso coração e Ele conhece tudo” (1 João 3, 20).
O discípulo/a de Jesus, apesar da sua fragilidade, auxiliado pelo Espírito Santo, pela Palavra de Deus, pela oração, pelos sacramentos (especialmente da Reconciliação e da Eucaristia), se esforça para aprender a amar de forma pura, a si mesmo, aos outros e a todas as criaturas. Na perfeição do amor é que consiste a santidade. Neste sentido, o Sexto Mandamento vem em auxílio da nossa fraqueza. – (Continua na próxima postagem).

PS O texto acima tem como autor Dom Hilario Moser,sdb, Bispo Emérito de Tubarão, SC e é aqui transcrito com sua autorização.


quarta-feira, 8 de agosto de 2012



O QUINTO MANDAMENTO, A PAZ... E A GUERRA



Também a paz faz parte do quinto mandamento. É contra o quinto mandamento tudo o que atenta gravemente contra a paz. Especificamente:

· A cólera, que é desejo de vingança: “Todo aquele que tratar seu irmão com raiva será acusado perante o tribunal” (Mateus 5,22). Dependendo do que a cólera pretende e das atitudes que ela provoca contra alguém, pode chegar a ser falta grave contra a caridade.

· O ódio é também contrário à caridade, sobretudo quando se deseja um mal grave ao próximo. “Ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’ Eu, porém, vos digo: ‘Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem! Assim vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus’” (Mateus 5,43-45).

· O desrespeito da pessoa humana também é contra a paz. Paz não é só ausência de guerra e equilíbrio de forças. Sem a paz, violam-se todos os direitos dos seres humanos, da sociedade e da humanidade.

A paz do cristão deve ser fruto da paz de Cristo, que Ele conquistou derramando seu sangue. “Ele é a nossa paz” (Efésios 2,14). E declarou “felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mateus 5,9). A paz de Cristo é bem diversa da “paz” do mundo. Ele disse: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não é à maneira do mundo que eu a dou” (João 14,27).

Além da paz, existe também a guerra. Infelizmente! O quinto mandamento defende a vida e condena tudo o que destrói a vida humana. Por isso, a guerra é fonte de males e injustiças humanas; ignora completamente o Deus de amor e investe contra suas criaturas, feitas para o amor.

Note-se que:

· Se houver perigo de guerra e tiverem sido esgotados todos os recursos para evitá-la, é lícita a legítima defesa pela força militar. Todavia, para agir moralmente, muitas e graves são as condições para que se possa falar de autêntica legítima defesa, coisa que cabe aos poderes públicos decidir.

· Durante os conflitos armados não fica em absoluto suspensa a norma moral, como pensam os que, na guerra, julgam que tudo é lícito. A obediência cega não é suficiente para legitimar o extermínio de um povo, de uma nação ou de uma minoria étnica, o genocídio.

Deve-se fazer de tudo para evitar a guerra. Entretanto, favorece a guerra também por uma série de tomadas de posição que, em última análise, aos poucos, a preparam. Sobretudo as seguintes:

· A acumulação de armas, a corrida aos armamentos, o superarmamento, armas científicas, sobretudo atômicas, biológicas ou químicas.

· A produção e o comércio de armas, pelo perigo que representam para o bem comum, devem ser estritamente regulamentadas pelos governos.

· As injustiças, as desigualdades excessivas de ordem econômica ou social, a inveja, o orgulho, e de modo especial os grandes interesses econômicos que frequentemente se escondem por detrás de falsos objetivos apresentados ao mundo como promoção do bem social.

Conclusão: a guerra provoca a ruína de muitas consciências, e são sem número as ofensas graves a Deus e aos seres humanos. Ela está sempre à espreita do mundo, mas a caridade precisa vencer essa tentação, até que se cumpra a palavra do Senhor: chegará o tempo em que os homens, em vez de guerrear, irão “fundir as lanças, para delas fazer foices. Nenhuma nação pegará em armas contra a outra e nunca mais se treinarão para a guerra” (Isaías 2,4). Que assim seja!

PS O texto acima tem como autor Dom Hilario Moser,sdb, Bispo Emérito de Tubarão, SC e é aqui transcrito com sua autorização.