O SÉTIMO MANDAMENTO E O TRABALHO
A justiça social ilumina com particular intensidade o trabalho: dele deriva a grandeza para o ser humano, tornado parceiro de Deus na obra da criação. Posto no mundo para trabalhar, São Paulo diz que “quem não quer trabalhar também não coma” (2 Tessalonicenses 3,10).
O trabalho honra o ser humano e honra também o Criador. Ele pode ser redentor, quando suportado com paciência e unido a Jesus Redentor que trabalhou com suas mãos. Tenha-se sempre presente que o trabalho é para o homem, não o homem para o trabalho. O trabalho deve ser fonte de dignidade, não de humilhação e escravidão.
O trabalho tem ainda outras exigências. Acenaremos aqui a algumas, sem poder deter-nos em explicitá-las cabalmente:
• Cada um tem o direito de iniciativa econômica para o próprio bem e para o bem comum; naturalmente deverá adaptar-se às normas que existem para regular o bem comum.
• A vida econômica fatalmente acaba criando conflitos: é preciso bom senso e esforço para minimizá-los e solucioná-los conforme a justiça social.
• O Estado tem responsabilidades especiais nesse setor: ele deve criar todas as condições favoráveis ao desenvolvimento das atividades econômicas e garantir aos que trabalham condições adequadas para cumprirem sua missão; em particular, é preciso que se respeitem os direitos humanos no setor econômico;
• Especiais responsabilidades têm os donos de empresas: eles devem pensar antes no bem das pessoas mais do que nos lucros; naturalmente, também estes são necessários.
O trabalho tem ainda algumas outras exigências. Assinalamos as seguintes:
• O acesso ao trabalho é preciso que esteja aberto a todos, sem discriminação.
• Quem trabalha merece seu salário justo: recusá-lo ou retê-lo pode ser grave injustiça. “Olhai: o salário dos trabalhadores que ceifaram os vossos campos, e que vós deixastes de pagar, está gritando; o clamor dos trabalhadores chegou aos ouvidos do Senhor todo-poderoso” (Tiago 5,4). Um salário justo exige que com ele se possam atender às necessidades da pessoa, dependendo também de suas contribuições; o acordo entre partes não basta para justificar moralmente o montante de um salário.
• O protesto da greve pode ser legítimo e até necessário, mas é moralmente inaceitável quando acompanhado de violência ou quando esconde objetivos que não se referem diretamente às condições do trabalho em questão.
• É falta de justiça sonegar o pagamento das cotas estipuladas pelas autoridades legítimas em função da seguridade social.
• Grande atentado à dignidade humana é a privação do trabalho (desemprego), pois coloca em situação difícil a pessoa desempregada, sua família e o equilíbrio da vida social.
Para encerrar, muito belas as palavras do Papa Leão XIII sobre Jesus que aprendeu a trabalhar na casa de José e Maria: “Antes que Ele tivesse as mãos banhadas de sangue pelos tormentos da crucificação, teve-as banhadas de suor pela sua dedicação ao trabalho”. O criador do mundo aprendeu de um ser humano – José – a usar as próprias mãos para aperfeiçoar a criação, tarefa confiada por Deus aos seres humanos. – (Continua na próxima postagem).
PS O texto acima tem como autor Dom Hilario Moser,sdb, Bispo Emérito de Tubarão, SC e é aqui transcrito com sua autorização.
PS O texto acima tem como autor Dom Hilario Moser,sdb, Bispo Emérito de Tubarão, SC e é aqui transcrito com sua autorização.


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