NONO MANDAMENTO: NÃO DESEJAR A MULHER DO PRÓXIMO
Na verdade, a formulação atual deste mandamento pode parecer restrita ao homem com relação à mulher alheia. Mas não é assim: o que ele de fato quer inculcar é que nosso amor a Deus e ao próximo nos deve levar a evitar toda forma de a concupiscência carnal.
Em outras palavras, ele se refere a toda forma de maus pensamentos e desejos carnais. Sabemos como somos fracos no campo da carne e como nossa mente e nosso coração são vítimas fáceis de imaginações não condizentes com a pureza do amor. Entendemos melhor, então, o nono mandamento ao lembrarmos as palavras de Jesus já citadas anteriormente: “Todo aquele que olhar para uma mulher com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério contra ela em seu coração” (Mateus 5,28).
Ouçamos São João: “Tudo o que há no mundo – a concupiscência humana, a cobiça dos olhos e a ostentação da riqueza – não vem do Pai, mas do mundo” (1 João 2,16). Estas palavras foram sempre sintetizadas em três formas de cobiça – é isto o que significa a palavra concupiscência –, isto é, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida. Elas resumem tudo o que o ser humano pode desejar de forma desregrada.
Eis a palavra de Jesus: "É do coração que saem as más intenções: homicídios, adultérios, imoralidade sexual, roubos, falsos testemunhos e calúnias" (Mateus 15,19). E São Tiago explica: “Cada qual é tentado por sua própria concupiscência, que o arrasta e seduz. Em seguida, a concupiscência concebe o pecado e o dá à luz” (Tiago 1,14-15). Realmente, nossos atos brotam de nossa mente e de nosso coração.
Para purificar o coração a vigilância e a luta devem ser constantes. Desde que o pecado deixou em nós sua marca, isto é, a inclinação para o mal, é preciso estar sempre atentos e servir-nos de todos os meios para não permitir que surjam em nós maus desejos. Aqui tem grande importância a virtude da temperança, moderadora de todos os nossos comportamentos. Jesus proclamou: “Felizes os puros de coração, porque verão a Deus” (Mateus 5,8). Ser puro de coração significa procurar pertencer totalmente a Deus em pensamentos, palavras e obras. O coração, na Bíblia, é considerado o centro da pessoa: ter um coração puro é ser uma pessoa pura. É a pureza de coração que, como diz a sexta bem-aventurança, permite ver a Deus: ou seja, ver a Deus em tudo e ver tudo conforme Deus vê, portanto, sem maldade nenhuma.
O coração vai se purificando na medida em que lutarmos contra pensamentos e desejos desordenados no campo da castidade. Isso é feito:
· pela virtude e pelo dom da castidade, que nos permite amar com um coração reto e indiviso;
· pela pureza de intenção, pois na vida é preciso agir sempre tendo em vista o fim verdadeiro do homem, ou seja, fazer em tudo a vontade de Deus e opor-se a tudo o que o pode ofender;
· pela pureza do olhar, exterior e interior; pela disciplina dos sentimentos e da imaginação; pela recusa de toda complacência nos pensamentos impuros que tendem a desviar-nos do caminho dos mandamentos divinos;
· pela oração, dado que sem ela é impossível aderir á vontade de Deus e obter forças para cumprir os mandamentos;
· pelo pudor, que defende a intimidade, a privacidade das pessoas, não expõe o que deve ficar resguardado, torna a pessoa delicada e respeitosa com o próprio corpo e com o corpo dos outros. O pudor envolve sobretudo os olhares, a língua, os gestos, o modo de se comportar, de se apresentar... Sem o pudor, é impossível viver a castidade;
· pela purificação do clima social, pois os meios de comunicação social têm grande responsabilidade nesse campo; estão errados quando, por suas apresentações, incentivam o erotismo, espetáculos ofensivos à moral sexual, enfim, por tudo o que é falta de respeito e de modéstia;
· pelo combate à permissividade dos costumes, que freqüentemente se baseia na falsa noção de liberdade de pensar que se pode fazer de tudo, sem limite para nada; de fato, recorre-se imediatamente ao grito “censura!” quando se observa que certas coisas não podem ser veiculadas impunemente para a virtude. Precisamos deixar-nos guiar pela lei moral, e os responsáveis pela educação têm obrigação grave de educar a juventude nesse campo.
PS O texto acima tem como autor Dom Hilario Moser,sdb, Bispo Emérito de Tubarão, SC e é aqui transcrito com sua autorização.
PS O texto acima tem como autor Dom Hilario Moser,sdb, Bispo Emérito de Tubarão, SC e é aqui transcrito com sua autorização.


Nenhum comentário:
Postar um comentário