O QUARTO MANDAMENTO E OS DEVERES DOS FILHOS PARA COM SEUS PAIS
FELIZ E SANTA PÁSCOA!
JESUS RESSUSCITADO, NOSSA VIDA, NOSSA ESPERANÇA!
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O primeiro dever dos filhos é o amor para com seus pais. “Do Pai... recebe o nome toda a paternidade no céu e na terra” (Efésios 3,14-15). Portanto, os pais recebem sua paternidade da paternidade do Pai celeste: eis a razão do grande respeito que Deus pede para com os pais. Assim, em primeiro lugar, devemos manifestar reconhecimento para com quem nos deu a vida, nos ama, trabalhou por nós, nos educou, nos encaminhou para a vida, gastou sua própria vida em nosso favor... às vezes sem receber contrapartida e gratidão. “De todo o coração honra teu pai e não te esqueças dos gemidos de tua mãe: tu lhes retribuirás o que fizeram por ti” (Eclesiástico 7,29-30). “Escuta teu pai que te gerou e não desprezes tua mãe envelhecida” (Provérbios 23,22).
Outra forma de respeito por quem nos deu a vida é a docilidade e a obediência: “Meu filho, guarda os preceitos de teu pai e não rejeites a instrução de tua mãe. Leva (esses preceitos) sempre atados ao teu coração, e pendurados ao teu pescoço. Quando caminhares, te guiarão; quando dormires, te guardarão e, quando acordares, falarão contigo” (Provérbios 6,20-22). “O filho sábio aceita a disciplina paterna; o insolente não ouve quando é advertido” (Provérbios 13,1). Quanto seria necessário inculcar estes conceitos em muitos filhos e filhas, hoje! “Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, pois isto agrada ao Senhor” (Colossenses 3,20).
Embora haja diferença entre o modo de relacionar-se com os pais por parte dos filhos menores e daqueles que já são maiores, o amor e o respeito jamais podem faltar. Pelo contrário, os filhos maiores não se esqueçam de que, sobretudo na velhice, é hora de devolver aos pais os cuidados amorosos que deles receberam quando eram pequenos. O respeito pelos pais se prolonga também nos educadores que, em nome dos pais, trabalham pela boa formação de seus filhos.
É evidente, por sua vez, que os filhos adultos têm responsabilidades especiais para com os pais. Particularmente devem ajudar os pais na velhice, na doença, na solidão, nos momentos de angústia e de outras dificuldades. O texto acima citado de Eclesiástico 3,1-18 retorna aqui com uma série de recomendações para os filhos com relação a seus pais. Abandonar os pais idosos e doentes a si mesmos é um crime que brada aos céus, é o mesmo que voltar as costas àquele Deus que se serviu de nossos pais para nos comunicar a vida.
O quarto Mandamento também inclui o cultivo das relações entre irmãos e irmãs: se forem relações de respeito e amor, fazem do ambiente de família um lugar sereno e feliz, alegria para os pais: “Os netos são a coroa dos anciãos, como os pais são a glória dos filhos” (Provérbios 17,6). No caso dos cristãos, é preciso ter semelhante respeito e amor também para com o padre, o bispo, o papa, os catequistas, os professores, enfim, para com todos aqueles que nos ajudam a crescer e a nos tornarmos alguém na vida humana e cristã.
Na próxima postagem abordaremos os deveres dos pais para com seus filhos.
PS O texto acima tem como autor Dom Hilario Moser,sdb, Bispo Emérito de Tubarão, SC e é aqui transcrito com sua autorização.
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
QUARTO MANDAMENTO: HONRAR PAI E MÃE
Os três primeiros Mandamentos se referem ao amor de Deus; a partir do quarto, os demais se referem ao amor do próximo. As pessoas mais próximas de cada um de nós são precisamente nosso pai e nossa mãe. Daí a razão do quanto Mandamento. De fato, na terra, as pessoas que personificam mais de perto e de forma mais intensa o amor do Pai celeste por nós são nossos pais. Eis, pois, o mandamento de Deus: “Honra teu pai e tua mãe, para que vivas longos anos na terra que o Senhor teu Deus te dará” (Êxodo 20,12).
Jesus deu exemplo do cumprimento desse mandamento: aos 12 anos, depois ser encontrado por Maria e José no templo de Jerusalém onde permanecera conversando com os doutores da Lei, “desceu com seus pais para Nazaré e era obediente a eles” (Lucas 2,51). São Paulo lembra o dever dos filhos para com os pais: “Filhos, obedecei a vossos pais, pois isto é de justiça” (Efésios 6,1).
Isso é válido ainda hoje. Uma família em que os pais são amados e respeitados pelos filhos vive em harmonia, é o fundamento para o bem-estar geral e mesmo para a prosperidade. Ao passo que uma família em que os pais são desprezados, ali só nasce sofrimento, dor, desentendimento e ausência de qualquer bênção. Entretanto, se os filhos devem respeitar e amar seus pais, é preciso também que os pais se tornem dignos do amor e do respeito dos filhos. A ausência desse entendimento mútuo é um dos dramas atuais: muita juventude se perde por falta de clima familiar; muitos pais sofrem por falta de respeito filial. Daí a importância da família, o que também está ligado ao quarto Mandamento.
O pai e a mãe merecem tanto respeito porque Deus os tornou criadores do mundo junto com Ele; porque são os parceiros de Deus na multiplicação da família humana, a pedra fundamental dos lares. Ali se cria aos poucos a comunhão familiar, célula da sociedade e da Igreja, e que exprime em forma humana o mistério da comunhão trinitária.
Assim, entre os seres humanos, nada há de mais sagrado e que mereça maior veneração do que nossos pais. Ao nascermos, são seus braços que nos acolhem e estreitam ao peito, são seus beijos que nos enternecem, seus carinhos que nos acalmam... Todas essas atitudes amorosas dos pais são a expressão visível e sensível do amor do Pai celeste para conosco.
O que será que a Bíblia diz aos filhos que faltam de respeito aos pais? A Bíblia é severa com quem desrespeita os pais: “Quem amaldiçoar o pai ou a mãe será punido de morte” (Êxodo 21,17). Ainda: “Maldito, quem desprezar o pai ou a mãe!” (Levítico 27,16). Um texto que merece ser lido e meditado, e que convido você a ler com calma, é o do Livro do Eclesiástico 3,1-18: por ele nos damos conta de quanto Deus honra os pais e de quanto as bênçãos de Deus sobre os filhos dependem do amor e do respeito a seus pais. O texto se encerra com palavras muito fortes: “Como é infame quem desampara seu pai, e é amaldiçoado por Deus quem exaspera sua mãe!” (Eclesiástico 3,18). Afinal, Deus, que é fonte de vida, serviu-se de nossos pais para nos comunicar a vida. Como não honrar nossos pais, colaboradores de Deus e, sem os quais, não existiríamos?
Mas, atenção! O quarto Mandamento NÃO é só para os filhos. Ele abrange todas as relações de parentesco com os membros do grupo familiar, vivos e defuntos. Este mandamento também “manda prestar honra, afeição e reconhecimento aos avós e antepassados. Estende-se, enfim, aos deveres dos alunos para com seus professores, dos empregados com seus patrões, dos subordinados com seus chefes, dos cidadãos para com sua pátria e para com os que a administram ou governam. Como ensina o Catecismo da Igreja Católica, este Mandamento implica e subentende também os deveres dos pais, tutores, professores, chefes, magistrados, governantes, de todos os que exercem uma autoridade sobre outros ou sobre uma comunidade” (n. 2199). Isto é o que abordaremos nas próximas postagens.
PS O texto acima tem como autor Dom Hilario Moser,sdb, Bispo Emérito de Tubarão, SC e é aqui transcrito com sua autorização.
O Quarto Mandamento e os deveres dos PAIS para com seus filhos
O Quarto Mandamento e os deveres dos PAIS para com seus filhos
Os deveres dos pais para com seus filhos são muitos. Ser pai e mãe não é só questão de gerar os filhos. Sua missão continua a vida toda, particularmente no tempo da educação e formação deles, tanto no campo humano, quanto no campo espiritual. Se, de um lado, os pais têm essas graves obrigações para com os filhos, por outro, o direito e o papel de educadores e formadores dos filhos são algo fundamental e inalienável da parte deles, o que deve gerar consequências práticas na vida.
Por isso, os filhos devem ser considerados pelos pais como filhos de Deus e devem ser tratados como pessoas humanas. Portanto, é preciso educá-los integralmente, isto é, ajudá-los a se tornarem seres humanos autênticos e úteis aos outros, respeitosos de todos, enfim, dotados o mais possível das qualidades de um cidadão consciente. Enquanto filhos de Deus, precisam ser ajudados a compreender os fundamentos da religião, a observar a Lei de Deus e a cumprir seus compromissos religiosos. É, pois, dever dos pais providenciar para os filhos o atendimento de todas as suas necessidades físicas, materiais e espirituais a fim de que se tornem realmente pessoas humanas e filhos de Deus.
Os pais têm também responsabilidades específicas com relação ao lar. Para educar convenientemente os filhos, os pais devem procurar que sua casa seja um verdadeiro lar, impregnado de amor, ternura, perdão, respeito, fidelidade, serviço desinteressado. É ali que deverão exercitar os filhos na educação das virtudes. Esta formação exige esforço, dedicação, bom senso, critérios adequados, domínio de si, enfim, um conjunto de circunstâncias que ajudem os filhos a se formarem bem para a liberdade. Uma educação demasiado rígida não é a melhor forma de educar os filhos, como ensina São Paulo: “E vós, pais, não provoqueis revolta nos vossos filhos; antes, educai-os com uma pedagogia inspirada no Senhor” (Efésios 6,4). Nesse assunto, mais do que nunca, é importante o bom exemplo dos pais, pois os filhos aprendem mais imitando o que veem nos pais do que ouvindo suas recomendações. O lar deve também abrir a mente e o coração dos filhos para as responsabilidades humanas em geral e as comunitárias. Por outro lado, os filhos também hão de ser preparados para os perigos que a sociedade oferece.
Aqui cabe uma oportuna palavra sobre a violência na família. Qualquer tipo de violência é sempre condenada pelo Evangelho. É ainda mais condenável pelo fato de ocorrer dentro da família, que deve ser um lugar de amor e comunhão. Assinalemos aqui três comportamentos violentos que ocorrem com frequência nas famílias:
· maltratar os filhos de diversas maneiras: palavras duras, castigos exagerados (físicos ou de outra ordem), surras, provocar ferimentos e outras atitudes semelhantes;
· abusar deles sexualmente: fato gravíssimo que acontece dentro da própria família com muito mais frequência do que se imagina e que deixa na criança feridas que a farão sofrer por toda a vida;
· os filhos maltratarem os pais ou os pais se maltratarem entre si: ambas as faltas ferem o quarto e o quinto mandamento; ofender a esposa ou vice-versa, é bom ressaltar, é uma forma também de ofender o sacramento do Matrimônio, pois os esposos juraram perante Deus e a Igreja amor mútuo para sempre.
Os pais também precisam evangelizar os filhos. Foi com esta finalidade, entre outras, que os pais, pelo sacramento do Matrimônio, receberam graça especial de Deus. Os primeiros catequistas numa família devem ser os pais, pela palavra e pelo exemplo. Além de procurar fazer da família uma “Igreja doméstica”, os pais encaminharão os filhos para a vida da comunidade eclesial (paróquia ou comunidade menor), iniciando-os na catequese e na prática religiosa, no acesso aos sacramentos, na oração e, aos poucos, no discernimento da própria vocação. Esta é tarefa importantíssima, isto é, a educação para a fé dos próprios filhos. Se assim for, os filhos acabarão colaborando para o crescimento da santidade de seus próprios pais, criando entre eles um clima de amor mútuo, de perdão, de autêntica caridade cristã.
É fundamental também que os pais escolham para os filhos uma boa escola, que corresponda às suas convicções humanas e cristãs. Os poderes públicos têm obrigação de garantir esse direito dos pais e dar-lhes segurança para poderem exercer serenamente esse direito. Convém lembrar igualmente aos pais que os filhos, ao se tornarem adultos, têm o direito de escolher sua profissão e seu estado de vida. Neste ponto, os pais poderão aconselhar e sugerir, nunca impor. Por outro lado, também os filhos devem saber solicitar conselhos e orientações a seus pais.
Às vezes, há filhos ou filhas que não se casam para cuidar dos pais idosos ou doentes, ou para se dedicar exclusivamente a uma profissão ou por outros motivos louváveis. É uma forma também esta de contribuir para o bem da humanidade. E quando os filhos pretenderem seguir uma vocação religiosa ou sacerdotal, os pais que têm fé sentirão alegria em vez de tristeza ou de reagir de forma a desestimular os filhos no prosseguimento desse caminho. Afinal, a primeira vocação do cristão é a de seguir Jesus. “Quem ama pai ou mãe mais do que a mim, não é digno de mim. E quem ama filho ou filha mais do que a mim, não é digno de mim” (Mateus 10,37).
O filho ou filha que seguem uma vocação específica na Igreja não deixam de amar seus pais, pelo contrário, eles os amam de uma forma ainda melhor, sob o olhar amoroso de Deus. Um dia São Pedro disse a Jesus: “Olha! Nós deixamos tudo e te seguimos. Que haveremos de receber? Jesus respondeu: ‘Em verdade vos digo, quando o mundo for renovado e o Filho do homem se sentar no trono de sua glória, também vós que me seguistes, havereis de sentar-vos em doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel. E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai e mãe, filhos ou campos, por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá como herança a vida eterna” (Mateus 19,22-29).
Na próxima postagem abordaremos o respeito devido às autoridades e aos cidadãos, o que também é requerido pelo quarto Mandamento.
PS O texto acima tem como autor Dom Hilario Moser,sdb, Bispo Emérito de Tubarão, SC e é aqui transcrito com sua autorização.
Os deveres dos pais para com seus filhos são muitos. Ser pai e mãe não é só questão de gerar os filhos. Sua missão continua a vida toda, particularmente no tempo da educação e formação deles, tanto no campo humano, quanto no campo espiritual. Se, de um lado, os pais têm essas graves obrigações para com os filhos, por outro, o direito e o papel de educadores e formadores dos filhos são algo fundamental e inalienável da parte deles, o que deve gerar consequências práticas na vida.
Por isso, os filhos devem ser considerados pelos pais como filhos de Deus e devem ser tratados como pessoas humanas. Portanto, é preciso educá-los integralmente, isto é, ajudá-los a se tornarem seres humanos autênticos e úteis aos outros, respeitosos de todos, enfim, dotados o mais possível das qualidades de um cidadão consciente. Enquanto filhos de Deus, precisam ser ajudados a compreender os fundamentos da religião, a observar a Lei de Deus e a cumprir seus compromissos religiosos. É, pois, dever dos pais providenciar para os filhos o atendimento de todas as suas necessidades físicas, materiais e espirituais a fim de que se tornem realmente pessoas humanas e filhos de Deus.
Os pais têm também responsabilidades específicas com relação ao lar. Para educar convenientemente os filhos, os pais devem procurar que sua casa seja um verdadeiro lar, impregnado de amor, ternura, perdão, respeito, fidelidade, serviço desinteressado. É ali que deverão exercitar os filhos na educação das virtudes. Esta formação exige esforço, dedicação, bom senso, critérios adequados, domínio de si, enfim, um conjunto de circunstâncias que ajudem os filhos a se formarem bem para a liberdade. Uma educação demasiado rígida não é a melhor forma de educar os filhos, como ensina São Paulo: “E vós, pais, não provoqueis revolta nos vossos filhos; antes, educai-os com uma pedagogia inspirada no Senhor” (Efésios 6,4). Nesse assunto, mais do que nunca, é importante o bom exemplo dos pais, pois os filhos aprendem mais imitando o que veem nos pais do que ouvindo suas recomendações. O lar deve também abrir a mente e o coração dos filhos para as responsabilidades humanas em geral e as comunitárias. Por outro lado, os filhos também hão de ser preparados para os perigos que a sociedade oferece.
Aqui cabe uma oportuna palavra sobre a violência na família. Qualquer tipo de violência é sempre condenada pelo Evangelho. É ainda mais condenável pelo fato de ocorrer dentro da família, que deve ser um lugar de amor e comunhão. Assinalemos aqui três comportamentos violentos que ocorrem com frequência nas famílias:
· maltratar os filhos de diversas maneiras: palavras duras, castigos exagerados (físicos ou de outra ordem), surras, provocar ferimentos e outras atitudes semelhantes;
· abusar deles sexualmente: fato gravíssimo que acontece dentro da própria família com muito mais frequência do que se imagina e que deixa na criança feridas que a farão sofrer por toda a vida;
· os filhos maltratarem os pais ou os pais se maltratarem entre si: ambas as faltas ferem o quarto e o quinto mandamento; ofender a esposa ou vice-versa, é bom ressaltar, é uma forma também de ofender o sacramento do Matrimônio, pois os esposos juraram perante Deus e a Igreja amor mútuo para sempre.
Os pais também precisam evangelizar os filhos. Foi com esta finalidade, entre outras, que os pais, pelo sacramento do Matrimônio, receberam graça especial de Deus. Os primeiros catequistas numa família devem ser os pais, pela palavra e pelo exemplo. Além de procurar fazer da família uma “Igreja doméstica”, os pais encaminharão os filhos para a vida da comunidade eclesial (paróquia ou comunidade menor), iniciando-os na catequese e na prática religiosa, no acesso aos sacramentos, na oração e, aos poucos, no discernimento da própria vocação. Esta é tarefa importantíssima, isto é, a educação para a fé dos próprios filhos. Se assim for, os filhos acabarão colaborando para o crescimento da santidade de seus próprios pais, criando entre eles um clima de amor mútuo, de perdão, de autêntica caridade cristã.
É fundamental também que os pais escolham para os filhos uma boa escola, que corresponda às suas convicções humanas e cristãs. Os poderes públicos têm obrigação de garantir esse direito dos pais e dar-lhes segurança para poderem exercer serenamente esse direito. Convém lembrar igualmente aos pais que os filhos, ao se tornarem adultos, têm o direito de escolher sua profissão e seu estado de vida. Neste ponto, os pais poderão aconselhar e sugerir, nunca impor. Por outro lado, também os filhos devem saber solicitar conselhos e orientações a seus pais.
Às vezes, há filhos ou filhas que não se casam para cuidar dos pais idosos ou doentes, ou para se dedicar exclusivamente a uma profissão ou por outros motivos louváveis. É uma forma também esta de contribuir para o bem da humanidade. E quando os filhos pretenderem seguir uma vocação religiosa ou sacerdotal, os pais que têm fé sentirão alegria em vez de tristeza ou de reagir de forma a desestimular os filhos no prosseguimento desse caminho. Afinal, a primeira vocação do cristão é a de seguir Jesus. “Quem ama pai ou mãe mais do que a mim, não é digno de mim. E quem ama filho ou filha mais do que a mim, não é digno de mim” (Mateus 10,37).
O filho ou filha que seguem uma vocação específica na Igreja não deixam de amar seus pais, pelo contrário, eles os amam de uma forma ainda melhor, sob o olhar amoroso de Deus. Um dia São Pedro disse a Jesus: “Olha! Nós deixamos tudo e te seguimos. Que haveremos de receber? Jesus respondeu: ‘Em verdade vos digo, quando o mundo for renovado e o Filho do homem se sentar no trono de sua glória, também vós que me seguistes, havereis de sentar-vos em doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel. E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai e mãe, filhos ou campos, por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá como herança a vida eterna” (Mateus 19,22-29).
Na próxima postagem abordaremos o respeito devido às autoridades e aos cidadãos, o que também é requerido pelo quarto Mandamento.
PS O texto acima tem como autor Dom Hilario Moser,sdb, Bispo Emérito de Tubarão, SC e é aqui transcrito com sua autorização.
SEGUNDO MANDAMENTO: NÃO TOMAR SEU SANTO NOME EM VÃO
A Bíblia usa com frequência a palavra “nome” para designar o próprio Deus. Confiar o próprio nome a uma pessoa é sinal de amizade e intimidade, como Deus fez com Moisés (cf. Êxodo 3,13-14). Assim, entre a multiplicidade das verdades reveladas por Deus a seu povo, encontramos de modo específico a revelação do nome de Deus. Mas Ele exigiu que seu nome fosse respeitado: “Não pronunciarás o nome do Senhor teu Deus em vão” (Êxodo 207).
Respeitar o nome de Deus exige que tenhamos cuidado com nossas palavras quando nos referimos a Ele. Este segundo Mandamento, como o primeiro, se refere à virtude da religião: orienta-nos a não profanarmos com palavras as coisas santas, a começar pelo próprio Deus.
Todavia, o amor e o respeito pelo nome do Senhor exigem algo mais. Exigem, em particular, que as promessas sejam cumpridas, as blasfêmias e pragas evitadas. Vejamos:
• as promessas feitas em nome de Deus devem ser cumpridas com sinceridade. Não cumpri-las é o mesmo que pretender que Deus participe da nossa infidelidade: “É uma armadilha consagrar levianamente alguma coisa e, depois, arrepender-se da promessa” (Provérbios 20,25);
• a blasfêmia consiste em proferir contra Deus, em pensamento ou com a boca, palavras de ódio, de ofensa, de desafio, ou em falar mal de Deus, zombar do nome do Senhor. O mesmo vale para Jesus, a Igreja, os santos, as coisas sagradas. O Catecismo da Igreja Católica ensina: “É também blasfemo recorrer ao nome de Deus para encobrir práticas criminosas, reduzir povos à servidão, torturar ou matar. O abuso do nome de Deus para cometer um crime provoca a rejeição da religião. A blasfêmia... é em si um pecado grave” (n.2148);
• as pragas também são falta de respeito a Deus, pois por elas invoca-se o nome de Deus para desejar mal aos outros.
O amor e o respeito pelo nome do Senhor devem levar-nos também a evitar o juramento falso: consiste em invocar a Deus como testemunha da nossa mentira. Só se pode invocar a Deus como testemunha quando se trata de jurar a verdade. Mesmo assim, não se deve jurar por qualquer motivo fútil, como é muito comum.
Por sua vez, o perjúrio consiste em jurar por Deus com a intenção de não manter o juramento ou de violar a promessa feita sob juramento. Pior ainda quando alguém faz um juramento para cumprir uma obra má. Jurar falso é grave ofensa a Deus. Eis o que nos ensinou Jesus: “Ouvistes... o que foi dito aos antigos: ‘Não jurarás falso’, mas ‘cumprirás os teus juramentos ao Senhor’. Eu, porém, vos digo: não jureis de modo algum... Seja o vosso sim, sim, e o vosso não, não. O que passa disso vem do Maligno” (Mateus 5,33-34.37).
Por motivos graves e com sinceridade, ponderando com responsabilidade caso por caso, é possível jurar por Deus. Há, porém, casos em que o juramento não deve ser feito. “A santidade do nome divino exige que não se recorra a ele para coisas fúteis e não se preste juramento em circunstâncias susceptíveis de ser interpretado como uma aprovação do poder que o exigisse injustamente. Quando o juramento é exigido por autoridades civis ilegítimas, pode-se recusá-lo. Deve ser recusado quando é pedido para fins contrários à dignidade das pessoas ou à comunhão da Igreja” (Catecismo da Igreja Católica n. 2155).
Finalmente, uma pergunta “interesseira”: terá Deus algo a ver com o nosso nome? Isaías diz: “Desde o seio materno, o Senhor me chamou, desde o ventre de minha mãe, já sabia meu nome” (Isaías 49,1). E ainda: “Não tenhas medo, que fui eu quem te resgatou, chamei-te pelo próprio nome, tu és meu!” (Isaías 43,1). Se Deus “conta o número das estrelas e chama cada uma pelo nome” (Salmo 147,4), imaginemos se ele não sabe o nosso nome!
O nosso nome nos foi dado no batismo que, por sua vez, nos foi administrado “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. E todos os dias, o cristão começa a jornada “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Jesus nos diz: “Ficai alegres porque vossos nomes estão escritos nos céus” (Lucas 10,20).
PS O texto acima tem como autor Dom Hilario Moser,sdb, Bispo Emérito de Tubarão, SC e é aqui transcrito com sua autorização.
A Bíblia usa com frequência a palavra “nome” para designar o próprio Deus. Confiar o próprio nome a uma pessoa é sinal de amizade e intimidade, como Deus fez com Moisés (cf. Êxodo 3,13-14). Assim, entre a multiplicidade das verdades reveladas por Deus a seu povo, encontramos de modo específico a revelação do nome de Deus. Mas Ele exigiu que seu nome fosse respeitado: “Não pronunciarás o nome do Senhor teu Deus em vão” (Êxodo 207).
Respeitar o nome de Deus exige que tenhamos cuidado com nossas palavras quando nos referimos a Ele. Este segundo Mandamento, como o primeiro, se refere à virtude da religião: orienta-nos a não profanarmos com palavras as coisas santas, a começar pelo próprio Deus.
Todavia, o amor e o respeito pelo nome do Senhor exigem algo mais. Exigem, em particular, que as promessas sejam cumpridas, as blasfêmias e pragas evitadas. Vejamos:
• as promessas feitas em nome de Deus devem ser cumpridas com sinceridade. Não cumpri-las é o mesmo que pretender que Deus participe da nossa infidelidade: “É uma armadilha consagrar levianamente alguma coisa e, depois, arrepender-se da promessa” (Provérbios 20,25);
• a blasfêmia consiste em proferir contra Deus, em pensamento ou com a boca, palavras de ódio, de ofensa, de desafio, ou em falar mal de Deus, zombar do nome do Senhor. O mesmo vale para Jesus, a Igreja, os santos, as coisas sagradas. O Catecismo da Igreja Católica ensina: “É também blasfemo recorrer ao nome de Deus para encobrir práticas criminosas, reduzir povos à servidão, torturar ou matar. O abuso do nome de Deus para cometer um crime provoca a rejeição da religião. A blasfêmia... é em si um pecado grave” (n.2148);
• as pragas também são falta de respeito a Deus, pois por elas invoca-se o nome de Deus para desejar mal aos outros.
O amor e o respeito pelo nome do Senhor devem levar-nos também a evitar o juramento falso: consiste em invocar a Deus como testemunha da nossa mentira. Só se pode invocar a Deus como testemunha quando se trata de jurar a verdade. Mesmo assim, não se deve jurar por qualquer motivo fútil, como é muito comum.
Por sua vez, o perjúrio consiste em jurar por Deus com a intenção de não manter o juramento ou de violar a promessa feita sob juramento. Pior ainda quando alguém faz um juramento para cumprir uma obra má. Jurar falso é grave ofensa a Deus. Eis o que nos ensinou Jesus: “Ouvistes... o que foi dito aos antigos: ‘Não jurarás falso’, mas ‘cumprirás os teus juramentos ao Senhor’. Eu, porém, vos digo: não jureis de modo algum... Seja o vosso sim, sim, e o vosso não, não. O que passa disso vem do Maligno” (Mateus 5,33-34.37).
Por motivos graves e com sinceridade, ponderando com responsabilidade caso por caso, é possível jurar por Deus. Há, porém, casos em que o juramento não deve ser feito. “A santidade do nome divino exige que não se recorra a ele para coisas fúteis e não se preste juramento em circunstâncias susceptíveis de ser interpretado como uma aprovação do poder que o exigisse injustamente. Quando o juramento é exigido por autoridades civis ilegítimas, pode-se recusá-lo. Deve ser recusado quando é pedido para fins contrários à dignidade das pessoas ou à comunhão da Igreja” (Catecismo da Igreja Católica n. 2155).
Finalmente, uma pergunta “interesseira”: terá Deus algo a ver com o nosso nome? Isaías diz: “Desde o seio materno, o Senhor me chamou, desde o ventre de minha mãe, já sabia meu nome” (Isaías 49,1). E ainda: “Não tenhas medo, que fui eu quem te resgatou, chamei-te pelo próprio nome, tu és meu!” (Isaías 43,1). Se Deus “conta o número das estrelas e chama cada uma pelo nome” (Salmo 147,4), imaginemos se ele não sabe o nosso nome!
O nosso nome nos foi dado no batismo que, por sua vez, nos foi administrado “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. E todos os dias, o cristão começa a jornada “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Jesus nos diz: “Ficai alegres porque vossos nomes estão escritos nos céus” (Lucas 10,20).
PS O texto acima tem como autor Dom Hilario Moser,sdb, Bispo Emérito de Tubarão, SC e é aqui transcrito com sua autorização.
OS MANDAMENTOS E O EVANGELHO

Antes de começar a tratar de cada um dos Dez Mandamentos, gostaria de dizer algumas palavras sobre duas questões: Há diferença existe entre os Mandamentos e o Evangelho? Por que os Mandamentos são dez?
Em primeiro lugar, deve-se dizer que o Evangelho é a continuação e o aperfeiçoamento dos Mandamentos. O próprio Jesus disse: “Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para cumprir” (Mateus 5,17).
A Carta aos Hebreus ensina: “Muitas vezes e de muitos modos, Deus falou outrora aos nossos pais, pelos profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por meio do Filho” (Hebreus 1,1-2). Portanto, deve-se compreender que o Filho de Deus, Jesus de Nazaré, é a perfeição da revelação do Antigo Testamento. Não há como optar pelos Mandamentos e rejeitar o Evangelho ou vice-versa; pelo contrário, no Evangelho encontramos aperfeiçoados todos os Mandamentos de Deus.
Aqui conviria ler por inteiro o Sermão da Montanha (cf. Mateus 5-7). A abertura é solene: Jesus proclama as Bem-aventuranças. Elas são a fina-flor da perfeição evangélica. A perfeição do Novo Testamento é mais exigente que a do Antigo. Por isso, para se fazer entender adequadamente a respeito de alguns pontos, Jesus diz: “Ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não matarás’ [...] ‘Não cometerás adultério’ [...] ‘Quem despedir sua mulher dê-lhe um atestado de divórcio’ [...] ‘Não jurarás falso’ [...] ‘Olho por olho, dente por dente’ [...] ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo’”... A todos estes mandamentos, digamos, à “moda do Antigo Testamento”, Jesus contrapõe os mandamentos à “moda do Evangelho”, com estas palavras: “Eu, porém, vos digo”.... Dessa forma, Ele corrige e aperfeiçoa as limitações dos Dez Mandamentos da Antiga Aliança.
Além de aperfeiçoar os Mandamentos de Deus, Jesus os sintetizou em poucas palavras que os resumem a todos. Um fariseu lhe perguntou: “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?” Ele respondeu: ‘Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento!’ Esse é o maior e o primeiro mandamento. Ora, o segundo lhe é semelhante: ‘Amarás teu próximo como a ti mesmo’. Toda a Lei e os Profetas dependem desses dois mandamentos” (Mateus 22,36-40). Usando palavras semelhantes, Jesus os condensou dessa forma: “Tudo quanto desejais que os outros vos façam, fazei-o, vós também, a eles. Isto é a Lei e os Profetas.” (Mateus 7,12). Por sua vez, São Paulo ensina que “o amor não faz nenhum mal contra o próximo. Portanto, o amor é o cumprimento perfeito da Lei” (Romanos 13,10).
Foi este o mandamento antigo que Jesus na última ceia chamou de mandamento novo e que nos deixou como sua suprema vontade: “Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (João 13,34). Este é o coração da perfeição do Evangelho!
De tudo isto tira-se a seguinte conclusão: quem quiser buscar a perfeição proposta por Jesus não pode limitar-se ao cumprimento do mínimo dos mínimos. Os fariseus e escribas é que mediam até onde podiam chegar sem cometer pecado... Jesus advertiu seus discípulos contra esse perigo: “Eu vos digo: se a vossa justiça não for maior que a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no Reino dos céus” (Mateus 5,20).
Jesus nos convida ao máximo possível: “Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mateus 5,48). Não basta evitar o pecado, não basta ser bom, é preciso esforçar-se para ser sempre melhor. Evidentemente, para isso, precisamos da ajuda do Senhor, como ele mesmo afirmou: “Sem mim, nada podeis fazer” (João 15,5).
***
E agora encaremos a segunda questão: por que os Mandamentos são dez?
Os Mandamentos, chamados também de Decálogo – o que significa “Dez Palavras” – como vimos, exprimem a vontade de Deus para seu povo Israel. A Bíblia apresenta duas redações dos Mandamentos: a do Livro do Êxodo, mais longa (cf. Êxodo 20,2-17) e a do Livro do Deuteronômio, mais breve (cf. Deuteronômio 5,6-21). Para fins de catequese e fácil memorização, a Igreja os sintetizou em Dez:
• Amar a Deus sobre todas as coisas
• Não tomar seu santo nome em vão
• Guardar domingos e festas de guarda
• Honrar pai e mãe
• Não matar
• Não pecar contra a castidade
• Não furtar
• Não levantar falso testemunho
• Não desejar a mulher do próximo
• Não cobiçar as coisas alheias
A Bíblia nos relata a forma como Deus entregou a Moisés os Dez Mandamentos. “O Senhor disse a Moisés: ‘Sobe para junto de mim no monte e fica ali. Eu quero dar-te as tábuas de pedra, a Lei e os mandamentos que escrevi para que instruas o povo´” (Êxodo 24,12). São as famosas Tábuas da Lei. Numa constavam os três primeiros mandamentos, que se referem ao amor a Deus; na outra, os demais sete, referentes ao amor do próximo.
É importante também compreender qual era o sentido dos Dez Mandamentos no Antigo Testamento. Ao libertar o povo de Israel do Egito, Deus o conduziu ao deserto e ali lhe propôs uma Aliança. O intermediário foi Moisés. Após seu encontro com Deus no alto do monte Sinai, “Moisés foi transmitir ao povo todas as palavras e os decretos do Senhor” (Êxodo 24,3). O povo se comprometeu a cumprir os Mandamentos de Deus.
Em seguida, a Aliança foi concluída com a celebração de holocaustos e sacrifícios. Moisés “tomou o livro da Aliança e o leu em voz alta ao povo, que respondeu: ‘Faremos tudo o que o Senhor falou e obedeceremos’. Moisés pegou, então, o sangue, aspergiu com ele o povo e disse: ‘Este é o sangue da Aliança que o Senhor fez convosco’” (Êxodo 24,7-8). A essência da Aliança era esta: o povo reconheceria Javé como seu único Deus e o adoraria como tal (portanto não reconheceria a existência de outros deuses e não adoraria seus ídolos), e Deus faria de Israel o seu povo escolhido, o amaria com predileção, protegeria, defenderia, caminharia com ele em todo tempo e lugar (cf. Êxodo 19-24).
Isto tudo continua valendo também para nós, pois a vontade de Deus passou pela mente, pelo coração e pelos lábios de Jesus, o novo Moisés. Por isso, somos convidados a assumirmos o compromisso de cumprir integralmente os Dez Mandamentos como expressão da vontade do nosso Pai que nos falou em seu Filho Jesus. Eles são o único código da Aliança e providenciam o bem total do ser humano. Diz São Tiago: “Quem pretende observar a Lei inteira, mas comete transgressão num só ponto, torna-se culpado contra toda a Lei” (Tiago 2,10). De fato, o mesmo Deus que mandou um mandamento, mandou também os outros, e o bem do ser humano que os Mandamentos promovem, não seria totalmente bem se faltasse uma parte dele.
O Catecismo da Igreja Católica ensina: “Visto que exprimem os deveres fundamentais do homem para com Deus e para com o próximo, os Dez Mandamentos revelam, em seu conteúdo primordial, obrigações graves. São essencialmente imutáveis e sua obrigação vale sempre e em toda parte. Ninguém pode dispensar-se deles. Os Dez Mandamentos estão gravados por Deus no coração do ser humano” (CIC n. 2072).
Disto dá testemunho São Paulo escrevendo aos Romanos. “Quando os pagãos, embora não tenham a Lei, cumprem o que a Lei prescreve, guiados pelo bom senso natural, esses que não têm a Lei tornam-se Lei para si mesmos. Por sua maneira de proceder, mostram que a Lei está inscrita em seus corações: disso dão testemunho igualmente sua consciência e os juízos éticos de acusação ou de defesa que fazem uns dos outros” (Romanos 2,14-16). Dessa forma, nem mesmo os pagãos podem desculpar-se totalmente pelo mal que cometem, pois a consciência deles os adverte e repreende quando o praticam.
Encerrando, rezemos com a Bíblia: Senhor, “de todo o coração eu vos procuro; não permitais que eu me aparte de vossos mandamentos. Guardo no fundo do meu coração a vossa palavra, para não vos ofender. Sede bendito, Senhor, ensinai-me vossas leis... Hei de deleitar-me em vossas leis, e jamais esquecerei vossas palavras” (Salmo 118,9-12.16).
PS O texto acima tem como autor Dom Hilario Moser,sdb, Bispo Emérito de Tubarão, SC e é aqui transcrito com sua autorização.
PS O texto acima tem como autor Dom Hilario Moser,sdb, Bispo Emérito de Tubarão, SC e é aqui transcrito com sua autorização.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
49o. Dia Mundial de Oração pelas Vocações
No próximo Domingo, 29 de abril, o 4o. do tempo Pascal, emblematicamente chamdo Dia do Bom Pastor, vamos celebrar o 49o. Dia Mundial de Oração pelas Vocações, promovendo pela quadragésima nona vez em todo mundo o Dia de Oração pelas Vocações.
Com esta iniciativa, a Igreja de Cristo, acolhe solícita, a voz de seu Fundador, o bom Pastor: "Pedi ao Senhor da messe que envie operários para a sua messe". Voz emocionada de Jesus diante da multidão, que era como ovelhas sem Pastor.
Como seus antecessores, também o Santo Padre Bento XVI dirige a toda a Comunidade Eclesial uma Mensagem: "As Vocações, dom do amor de Deus", que transcrevemos na íntegra a seguir.
Para visualizar melhor o texto, facilitando sua leitura, tomamos a liberdade de indicar os diversos tópicos da Mensagem, atribuindo-lhes um numero.
1. INTRODUÇÃO
[Inicialmente, a Mensagem, o Santo Padre nos introduz no tema "As vocações,dom do amor de Deus", com uma referência à fonte do todo dom perfeito: "Deus é Amor". O amor de Deus é anterior à criação do homem. Pela criação e filiação divina, nasce um vínculo primordial de Deus com a humanidade, que ao longo dos séculos, predispõe o cumprimento do seu designio universal da salvação, no Filho Jesus. Bento XVI citando Santo Agostinho, conclui que "descrever o mistério inefável do encontro com Deus, com o seu amor que transforma a existência humana", (Confissões,X,27-38).]
BENTO XVI
Amados irmãos e irmãs,
O XLIX Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que sera celebrado no IV domingo de Páscoa - 29 de Abril de 2012 - convida-nos a refletir sobre o tema "As vocações, dom do amor de Deus".
A fonte de todo dom perfeito é Deus, e Deus é Amor - Deus caritas est -; "quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele" (1 Jo, 4,16). A Sagrada Escritura narra a história desse vínculo primordial de Deus com a humanidade, que antecede a própria criação. Ao escrever aos cristãos da cidade de Éfeso, São Paulo eleva um hino de gratidão e louvor ao Pai pela infinita benevolância com que predispõe, ao londo dos séculos, o cumprimento do seu desígnio universal de salvação, que é um desígnio de amor. No Filho Jesus, Ele "escolheu-nos - afirma o Apóstolo - antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreencíveis em caridade na sua presença" (Ef 1,4). Fomos amados por Deus ainda "antes" de começarmos a existir ! Movido exclusivamnete pelo seu amor incondicional, "criou-no do nada" (cf. 2 Mac 7,28) para nos conduzir à plena comunhão consigo.
À vista da obra realizada por Deus na sua providência, o salmista exclama maravilhado:"Quando contemplo o céu, obra das vossas mãos, a Lua e as estrelas que Vos criastes, que é o homem para Vos lembrardes dele, o filho do homem para com ele Vos preocupardes?" (Sal 8,4-5). Assim, a verdade profunda da nossa existência esta contida neste mistério admiravel: cada criatura, e particularmente cada pessoa humana, é fruto de um pensamento e de um ato de amor de Deus, amor imenso, fiel e eterno (cf. Jer 31,3). É a descoberta desse fato que muda, verdadeira e profundamente, a nossa vida. Numa conhecida página das confissões, Santo Agostinho exprime, com grande intensidade, a sua descoberta de Deus, beleza suprema e supremo amor, um Deus que sempre estivera com ele e ao qual, finalmente abria a mente e o coração para ser transformado: "Tarde vos amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde vos amei! Vos estáveis dentro de mim, mas eu estava fora, e fora de mim vos procurava; com o meu espírito deformado, precipitava-me sobre as coisas formosas que criastes. Estáveis comigo e eu não estava convosco. Retinha-me longe de Vos aquilo que não existiria, se não existisse em Vos. Chamaste-me, clamastes e rompeste a minha surdez. Brilhastes, resplandecestes e dissipastes a minha cegueira. Exalastes sobre mim o vosso perfume: aspirei-o profundamente, e agora suspiro por Vos. Saboreei-Vos e agora tenho fome e sede de Vos. Tocaste-me e agora desejo ardentemente a vossa paz" (Confissões, X, 27-38). O Santo de Hipona procura ,através destas imagens, descrever o mistério inefável do encontro com Deus, com o seu amor que transforma a existência inteira.
2. A GRATUIDADE DO AMOR DE DEUS.
[A gratuidade do amor de Deus é absoluta. Quanto ao ministério sacerdotal, esse amor sem reservas, leva a amar e servir a Igreja, como também move a crescer no amor e no serviço a Jesus Cristo Cabeça, Pastor e Esposo da Igreja. Um amor que se configura sempre como resposta, à iniciatica de Deus que chama. em Jesus Cristo.]
BENTO XVI
Trata-se de um amor sem reserva que nos precede, sustenta e chama ao longo do caminho da vida e que tem a sua raiz na gratuidade absoluta de Deus. O meu antecessor, o Beato João Paulo II, afirmava - referindo-se ao ministério sacerdotal - que cada "gesto ministerial, enquanto leva a amar e servir a Igreja, impele a amadurecer cada vez mais no amor e no serviço a Jesus Cristo Cabeça, Pastor e Esposo da Igreja, um amor que se configura sempre como resposta ao amor prévio, livre e gratuito de Deus em Cristo" (Exort. ap. Pastores dabo vobis, 25). De fato, cada vocação específica nasce da iniciativa de Deus, é dom do amor de Deus! É Ele que realiza o "primeiro passo", e não o faz por uma particular bondade que teria vislumbrado em nós, mas em virtude da presença do seu próprio amor "derramado nos nossos corações pelo Espirito Santo" (Rm 5,5).
Em todo o tempo, na origem do chamamento divino esta a iniciativa do amor infinito de Deus, que se manifesta plenamente em Jesus Cristo. "Com efeito - como escrevi na minha primeira Encíclica, Deus caritas est - existe uma multipla visibilidade de Deus. Na historia de amor que a Bíblia nos narra, Ele vem ao nosso encontro, procura conquistar-nos - até à Última Ceia, até ao Coração trespassado no cruz, até às aparições do Ressuscitado e as grandes obras pelas quais Ele, através da ação dos Apóstolos, guiou o caminho da Igreja nascente. Também na sucessiva historia da Igreja,o Senhor não esteve ausente: incessantemente vem ao nosso encontro, através de pessoas nas quais Ele Se revela; através da sua Palavra no Sacramentos, especialmente na Eucaristia" (n. 17).
3. O AMOR DE DEUS PERMANECE PARA SEMPRE E É FIEL E FECUNDO.
[Por ser eterno e fiel à promessa, o Amor de Deus, com sua beleza persuasiva deve ser anunciado especialmente às novas gerações. Amor que não falha, mesmo em nas circunstâncias mais difíceis.]
BENTO XVI
O amor de Deus permanece para sempre; é fiel a si mesmo, à "promessa que jurou manter por mil gerações" (Sal 105,8). Por isso é preciso anunciar de novo, especialmente às novas gerações a beleza persuasiva desse amor divino, que procede e acompanha: este amor é a mola secreta, a causa que não falha mesmo nas circunstâncias mais difíceis.
Amados irmãos e irmãs, é a este amor que devemos abrir a nossa vida; cada dia,Jesus Cristo chama-nos à perfeição do amor do Pai (cf. Mt 5, 48). Na realidade, a medida alta da vida cristã consiste em amar "como" Deus; trata-se de um amor que, no dom total de si, se manifesta fiel e fecundo. Á prioresa do mosteiro de Segovia, que fizera saber a São João da Cruz a pena que sentia pela dramática situação de suspensão em que ele então se encontrava, este santo responde convidando-a a agir como Deus:"A única coisa que deve pensar é que tudo é predisposto por Deus; e onde não há amor, semeie amor e recolherá amor" (Epistolário, 26).
4. TODAS AS VOCAÇÕES NASCEM E SÃO FRUTO DA ABERTURA AO AMOR DE DEUS.
[Em um coração em oblação, aberto ao amor de Deus, nascem e crescem todas as vocações. A Palavra e os Sacramentos, mormente a Eucaristia, possibilitam viver o amor ao próximo, em cujo rosto apendemos a vislumbrar o de Cristo. Amor a Deus e amor ao proximo, duas expressões do único amor divino, a serem testemunhadas especialmente aos mais necessitados, por quem decide assumir a vocação ao ministério sacerdotal. O amor divino é a causa da resposta dada ao Senhor através da Ordenação sacerdotal].
BENTO XVI
Neste terreno de um coração em oblação, na abertura ao amor de Deus e como fruto desse amor, nascem todas as vocações. E é bebendo nesta fonte durante a oração, através de uma familiaridade assídua com a Palavra e os Sacramentos, nomeadamente a Eucaristia, que é possivel viver o amor ao próximo, em cujo rosto se aprende a vislumbrar o de Cristo Senhor (cf. Mt 25, 31-46). Para exprimir a ligação indivisivel entre estes "dois amores" - o amor a Deus e o amor ao próximo - que brotam da mesma fonte divina e para ela se orientam, o Papa São Gregório Magno usa o exemplo da plantinha: "No terreno do nosso coração, [Deus] plantou primeiro a raiz do amor a Ele e depois, como ramagem, desenvolveu-se o amor fraterno" (Moralia in Job, VII, 24,28:PL 75,780 D).
Estas duas expressões do único amor divino devem ser vividas, com particular vigor e pureza de coração, por aqueles que decidirem empreender um caminho de discernimento vocacional em ordem ao ministério sacerdotal e a vida consagrada; aquelas constituem o seu elemento qualificante. De fato o amor a Deus, do qual os presbíteros e os religiosos se tornam imagens visíveis - embora sempre imperfeitas -, é a causa da resposta à vocação de especial consagração ao Senhor através da ordenação presbiteral ou da profissão dos conselhos evangélicos. O vigor da resposta de São Pedro ao divino Mestre - "Tu sabes que Te amo" (Jo 21,15) - é o segredo duma existência doada e vivida em plenitude e, por isso, repleta de profunda alegria.
A outra expressão concreta do amor -o amor ao próximo, sobretudo às pessoas mais necessitadas e atribuladas - é o impulso decisivo que faz do sacerdote e da pessoa consagrada um gerador de comunhão entre as pessoas e um semeador de esperança. A relação dos consagrados, especialmente dos sacerdotes, com a comunidade cristã é vital e torna-se parte fundamental também do seu horizonte afetivo. A este propósito, o Santo Cura d'Ars gostava de repetir:"o padre não é padre para si mesmo; é-o para vós" [Le cure d'Ars. Sa pensée iSon coeur (ed. Foi Vivante - 1966), p. 100].
5. PASTORAL VOCACIONAL - OS RESPONSÁVEIS PELA PROMOÇÃO VOCACIONAL
[Com viva solicitude o Papa lembra a toda a Igreja, bispos, presbíteros, diáconos, consagrados(as), catequistas agentes de pastoral e educadores, a escutar atentamente os que apresentam sinas de vocação sacerdotal. Criar na Igreja, condições favoráveis para que muitas respostas positivas, generosas, ao chamado amoroso de Deus.]
BENTO XVI
Venerados irmãos no episcopado, amados presbíteros, diáconos, consagrados e consagradas, catequistas, agentes pastorais e todos vós que estais empenhados no campo da educação das novas gerações, exorto-vos, com viva solicitude, a uma escuta atenta de quantos, no âmbito das comunidades paroquiais, associações e movimentos, sentem manifestar-se os sinais duma vocação para o sacerdocio ou para uma especial consagração. É importante que se criem, na Igreja, as condições favoráveis para poderem desabrochar muitos "sins", respostas generosas ao amoroso chamamento de Deus.
É tarefa da pastoral vocacional oferecer os pontos de orientação para um percurso frutuoso. Elemento central ha de ser o amor à Palavra de Deus, cultivando uma familiaridade crescente com a Sagrada Escritura e uma oração pessoal e comunitária devota e constante, para ser capaz de escutar o chamamento divino no meio de tantas vozes que inundam a vida diária. Mas o "centro vital" de todo o caminho vocacional seja sobretudo a Eucaristia: é aqui no sacrificio de Cristo, expressão perfeita de amor, que o amor de Deus nos toca; e é aqui que aprendemos incessantemente a viver a "medida alta" do amor de Deus. Palavra, oração e Eucaristia constituem o tesouro precioso para se compreender a beleza duma vida totalmente gasta pelo Reino.
6. O QUE ESPERA DAS DIOCESES O SANTO PADRE.
[Antes da Bênção Apostólica, o Santo Padre, coclue sua Mensagem manifestanto o desejo de que todas as Dioceses sejam: Lugares de vgilante discernimento e de verificação vocacional profunda e as familias promovam e acompanhem as vocações, atravé de uma experiencia do amor oblativo].
BENTO XVI
Desejo que as Igrejas locais, nas suas várias componentes, se tornem "lugar" de vigilante discernimento e de verificação vocacional profunda, oferecendo aos jovens e às jovens um acompanhamento esoiritual sábio e vigoroso. Deste modo a própria comunidade cristã torna-se manifestação do amor de Deus, que guarda em si mesma cada vocação. Tal dinâmica, que corresponde às exigências do mandameto novo de Jesus, pode encontrar uma expressiva e singular realização nas famílias cristãs. cujo amor é expressão do amor de Cristo, que Se entregou à Si mesmo pela sua Igreja (cf. Ef 5,25). Na família, "comunidade de vida e de amor" (Gaudium et Spes, 48)`, as novas gerações podem fazer uma experiencia maravilhosa do amor de oblação. De fato, as famílias são não apenas lugar privilegiado da formação humana e cristã, mas podem constituir também "o primeiro e o melhor seminário da vocação à vida consagrada pelo Reino de Deus" (Exot. ap. Familiaris Consortio, 53), fazendo descobrir, mesmo no âmbito da família, a beleza e a importância do sacerdócio e da vida consagrada. Que os Pastores e todos os fiéis leigos colaborem entre si para que, na Igreja, se multipliquem estas "casas e escolas de comunhão" a exemplo da Sagrada Familia de Nazaré, reflexo harmonioso na terra da vida da Santíssima Trindade.
Com estes votos, concedo de todo coração a Bênção Apostólica a vós, veneráveis Irmãos no episcopado, aos sacerdotes, aos diáconos, aos religiosos, às religiosa e a todos os fieis leigos, especialmente aos jovens e às jovens que, de coração dócil, se põem à escura da voz de Deus, prontos a acolhe-la com uma adesão generosa e fiél.
BENTO XVI
Com esta iniciativa, a Igreja de Cristo, acolhe solícita, a voz de seu Fundador, o bom Pastor: "Pedi ao Senhor da messe que envie operários para a sua messe". Voz emocionada de Jesus diante da multidão, que era como ovelhas sem Pastor.
Como seus antecessores, também o Santo Padre Bento XVI dirige a toda a Comunidade Eclesial uma Mensagem: "As Vocações, dom do amor de Deus", que transcrevemos na íntegra a seguir.
Para visualizar melhor o texto, facilitando sua leitura, tomamos a liberdade de indicar os diversos tópicos da Mensagem, atribuindo-lhes um numero.
1. INTRODUÇÃO
[Inicialmente, a Mensagem, o Santo Padre nos introduz no tema "As vocações,dom do amor de Deus", com uma referência à fonte do todo dom perfeito: "Deus é Amor". O amor de Deus é anterior à criação do homem. Pela criação e filiação divina, nasce um vínculo primordial de Deus com a humanidade, que ao longo dos séculos, predispõe o cumprimento do seu designio universal da salvação, no Filho Jesus. Bento XVI citando Santo Agostinho, conclui que "descrever o mistério inefável do encontro com Deus, com o seu amor que transforma a existência humana", (Confissões,X,27-38).]
BENTO XVI
Amados irmãos e irmãs,
O XLIX Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que sera celebrado no IV domingo de Páscoa - 29 de Abril de 2012 - convida-nos a refletir sobre o tema "As vocações, dom do amor de Deus".
A fonte de todo dom perfeito é Deus, e Deus é Amor - Deus caritas est -; "quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele" (1 Jo, 4,16). A Sagrada Escritura narra a história desse vínculo primordial de Deus com a humanidade, que antecede a própria criação. Ao escrever aos cristãos da cidade de Éfeso, São Paulo eleva um hino de gratidão e louvor ao Pai pela infinita benevolância com que predispõe, ao londo dos séculos, o cumprimento do seu desígnio universal de salvação, que é um desígnio de amor. No Filho Jesus, Ele "escolheu-nos - afirma o Apóstolo - antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreencíveis em caridade na sua presença" (Ef 1,4). Fomos amados por Deus ainda "antes" de começarmos a existir ! Movido exclusivamnete pelo seu amor incondicional, "criou-no do nada" (cf. 2 Mac 7,28) para nos conduzir à plena comunhão consigo.
À vista da obra realizada por Deus na sua providência, o salmista exclama maravilhado:"Quando contemplo o céu, obra das vossas mãos, a Lua e as estrelas que Vos criastes, que é o homem para Vos lembrardes dele, o filho do homem para com ele Vos preocupardes?" (Sal 8,4-5). Assim, a verdade profunda da nossa existência esta contida neste mistério admiravel: cada criatura, e particularmente cada pessoa humana, é fruto de um pensamento e de um ato de amor de Deus, amor imenso, fiel e eterno (cf. Jer 31,3). É a descoberta desse fato que muda, verdadeira e profundamente, a nossa vida. Numa conhecida página das confissões, Santo Agostinho exprime, com grande intensidade, a sua descoberta de Deus, beleza suprema e supremo amor, um Deus que sempre estivera com ele e ao qual, finalmente abria a mente e o coração para ser transformado: "Tarde vos amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde vos amei! Vos estáveis dentro de mim, mas eu estava fora, e fora de mim vos procurava; com o meu espírito deformado, precipitava-me sobre as coisas formosas que criastes. Estáveis comigo e eu não estava convosco. Retinha-me longe de Vos aquilo que não existiria, se não existisse em Vos. Chamaste-me, clamastes e rompeste a minha surdez. Brilhastes, resplandecestes e dissipastes a minha cegueira. Exalastes sobre mim o vosso perfume: aspirei-o profundamente, e agora suspiro por Vos. Saboreei-Vos e agora tenho fome e sede de Vos. Tocaste-me e agora desejo ardentemente a vossa paz" (Confissões, X, 27-38). O Santo de Hipona procura ,através destas imagens, descrever o mistério inefável do encontro com Deus, com o seu amor que transforma a existência inteira.
2. A GRATUIDADE DO AMOR DE DEUS.
[A gratuidade do amor de Deus é absoluta. Quanto ao ministério sacerdotal, esse amor sem reservas, leva a amar e servir a Igreja, como também move a crescer no amor e no serviço a Jesus Cristo Cabeça, Pastor e Esposo da Igreja. Um amor que se configura sempre como resposta, à iniciatica de Deus que chama. em Jesus Cristo.]
BENTO XVI
Trata-se de um amor sem reserva que nos precede, sustenta e chama ao longo do caminho da vida e que tem a sua raiz na gratuidade absoluta de Deus. O meu antecessor, o Beato João Paulo II, afirmava - referindo-se ao ministério sacerdotal - que cada "gesto ministerial, enquanto leva a amar e servir a Igreja, impele a amadurecer cada vez mais no amor e no serviço a Jesus Cristo Cabeça, Pastor e Esposo da Igreja, um amor que se configura sempre como resposta ao amor prévio, livre e gratuito de Deus em Cristo" (Exort. ap. Pastores dabo vobis, 25). De fato, cada vocação específica nasce da iniciativa de Deus, é dom do amor de Deus! É Ele que realiza o "primeiro passo", e não o faz por uma particular bondade que teria vislumbrado em nós, mas em virtude da presença do seu próprio amor "derramado nos nossos corações pelo Espirito Santo" (Rm 5,5).
Em todo o tempo, na origem do chamamento divino esta a iniciativa do amor infinito de Deus, que se manifesta plenamente em Jesus Cristo. "Com efeito - como escrevi na minha primeira Encíclica, Deus caritas est - existe uma multipla visibilidade de Deus. Na historia de amor que a Bíblia nos narra, Ele vem ao nosso encontro, procura conquistar-nos - até à Última Ceia, até ao Coração trespassado no cruz, até às aparições do Ressuscitado e as grandes obras pelas quais Ele, através da ação dos Apóstolos, guiou o caminho da Igreja nascente. Também na sucessiva historia da Igreja,o Senhor não esteve ausente: incessantemente vem ao nosso encontro, através de pessoas nas quais Ele Se revela; através da sua Palavra no Sacramentos, especialmente na Eucaristia" (n. 17).
3. O AMOR DE DEUS PERMANECE PARA SEMPRE E É FIEL E FECUNDO.
[Por ser eterno e fiel à promessa, o Amor de Deus, com sua beleza persuasiva deve ser anunciado especialmente às novas gerações. Amor que não falha, mesmo em nas circunstâncias mais difíceis.]
BENTO XVI
O amor de Deus permanece para sempre; é fiel a si mesmo, à "promessa que jurou manter por mil gerações" (Sal 105,8). Por isso é preciso anunciar de novo, especialmente às novas gerações a beleza persuasiva desse amor divino, que procede e acompanha: este amor é a mola secreta, a causa que não falha mesmo nas circunstâncias mais difíceis.
Amados irmãos e irmãs, é a este amor que devemos abrir a nossa vida; cada dia,Jesus Cristo chama-nos à perfeição do amor do Pai (cf. Mt 5, 48). Na realidade, a medida alta da vida cristã consiste em amar "como" Deus; trata-se de um amor que, no dom total de si, se manifesta fiel e fecundo. Á prioresa do mosteiro de Segovia, que fizera saber a São João da Cruz a pena que sentia pela dramática situação de suspensão em que ele então se encontrava, este santo responde convidando-a a agir como Deus:"A única coisa que deve pensar é que tudo é predisposto por Deus; e onde não há amor, semeie amor e recolherá amor" (Epistolário, 26).
4. TODAS AS VOCAÇÕES NASCEM E SÃO FRUTO DA ABERTURA AO AMOR DE DEUS.
[Em um coração em oblação, aberto ao amor de Deus, nascem e crescem todas as vocações. A Palavra e os Sacramentos, mormente a Eucaristia, possibilitam viver o amor ao próximo, em cujo rosto apendemos a vislumbrar o de Cristo. Amor a Deus e amor ao proximo, duas expressões do único amor divino, a serem testemunhadas especialmente aos mais necessitados, por quem decide assumir a vocação ao ministério sacerdotal. O amor divino é a causa da resposta dada ao Senhor através da Ordenação sacerdotal].
BENTO XVI
Neste terreno de um coração em oblação, na abertura ao amor de Deus e como fruto desse amor, nascem todas as vocações. E é bebendo nesta fonte durante a oração, através de uma familiaridade assídua com a Palavra e os Sacramentos, nomeadamente a Eucaristia, que é possivel viver o amor ao próximo, em cujo rosto se aprende a vislumbrar o de Cristo Senhor (cf. Mt 25, 31-46). Para exprimir a ligação indivisivel entre estes "dois amores" - o amor a Deus e o amor ao próximo - que brotam da mesma fonte divina e para ela se orientam, o Papa São Gregório Magno usa o exemplo da plantinha: "No terreno do nosso coração, [Deus] plantou primeiro a raiz do amor a Ele e depois, como ramagem, desenvolveu-se o amor fraterno" (Moralia in Job, VII, 24,28:PL 75,780 D).
Estas duas expressões do único amor divino devem ser vividas, com particular vigor e pureza de coração, por aqueles que decidirem empreender um caminho de discernimento vocacional em ordem ao ministério sacerdotal e a vida consagrada; aquelas constituem o seu elemento qualificante. De fato o amor a Deus, do qual os presbíteros e os religiosos se tornam imagens visíveis - embora sempre imperfeitas -, é a causa da resposta à vocação de especial consagração ao Senhor através da ordenação presbiteral ou da profissão dos conselhos evangélicos. O vigor da resposta de São Pedro ao divino Mestre - "Tu sabes que Te amo" (Jo 21,15) - é o segredo duma existência doada e vivida em plenitude e, por isso, repleta de profunda alegria.
A outra expressão concreta do amor -o amor ao próximo, sobretudo às pessoas mais necessitadas e atribuladas - é o impulso decisivo que faz do sacerdote e da pessoa consagrada um gerador de comunhão entre as pessoas e um semeador de esperança. A relação dos consagrados, especialmente dos sacerdotes, com a comunidade cristã é vital e torna-se parte fundamental também do seu horizonte afetivo. A este propósito, o Santo Cura d'Ars gostava de repetir:"o padre não é padre para si mesmo; é-o para vós" [Le cure d'Ars. Sa pensée iSon coeur (ed. Foi Vivante - 1966), p. 100].
5. PASTORAL VOCACIONAL - OS RESPONSÁVEIS PELA PROMOÇÃO VOCACIONAL
[Com viva solicitude o Papa lembra a toda a Igreja, bispos, presbíteros, diáconos, consagrados(as), catequistas agentes de pastoral e educadores, a escutar atentamente os que apresentam sinas de vocação sacerdotal. Criar na Igreja, condições favoráveis para que muitas respostas positivas, generosas, ao chamado amoroso de Deus.]
BENTO XVI
Venerados irmãos no episcopado, amados presbíteros, diáconos, consagrados e consagradas, catequistas, agentes pastorais e todos vós que estais empenhados no campo da educação das novas gerações, exorto-vos, com viva solicitude, a uma escuta atenta de quantos, no âmbito das comunidades paroquiais, associações e movimentos, sentem manifestar-se os sinais duma vocação para o sacerdocio ou para uma especial consagração. É importante que se criem, na Igreja, as condições favoráveis para poderem desabrochar muitos "sins", respostas generosas ao amoroso chamamento de Deus.
É tarefa da pastoral vocacional oferecer os pontos de orientação para um percurso frutuoso. Elemento central ha de ser o amor à Palavra de Deus, cultivando uma familiaridade crescente com a Sagrada Escritura e uma oração pessoal e comunitária devota e constante, para ser capaz de escutar o chamamento divino no meio de tantas vozes que inundam a vida diária. Mas o "centro vital" de todo o caminho vocacional seja sobretudo a Eucaristia: é aqui no sacrificio de Cristo, expressão perfeita de amor, que o amor de Deus nos toca; e é aqui que aprendemos incessantemente a viver a "medida alta" do amor de Deus. Palavra, oração e Eucaristia constituem o tesouro precioso para se compreender a beleza duma vida totalmente gasta pelo Reino.
6. O QUE ESPERA DAS DIOCESES O SANTO PADRE.
[Antes da Bênção Apostólica, o Santo Padre, coclue sua Mensagem manifestanto o desejo de que todas as Dioceses sejam: Lugares de vgilante discernimento e de verificação vocacional profunda e as familias promovam e acompanhem as vocações, atravé de uma experiencia do amor oblativo].
BENTO XVI
Desejo que as Igrejas locais, nas suas várias componentes, se tornem "lugar" de vigilante discernimento e de verificação vocacional profunda, oferecendo aos jovens e às jovens um acompanhamento esoiritual sábio e vigoroso. Deste modo a própria comunidade cristã torna-se manifestação do amor de Deus, que guarda em si mesma cada vocação. Tal dinâmica, que corresponde às exigências do mandameto novo de Jesus, pode encontrar uma expressiva e singular realização nas famílias cristãs. cujo amor é expressão do amor de Cristo, que Se entregou à Si mesmo pela sua Igreja (cf. Ef 5,25). Na família, "comunidade de vida e de amor" (Gaudium et Spes, 48)`, as novas gerações podem fazer uma experiencia maravilhosa do amor de oblação. De fato, as famílias são não apenas lugar privilegiado da formação humana e cristã, mas podem constituir também "o primeiro e o melhor seminário da vocação à vida consagrada pelo Reino de Deus" (Exot. ap. Familiaris Consortio, 53), fazendo descobrir, mesmo no âmbito da família, a beleza e a importância do sacerdócio e da vida consagrada. Que os Pastores e todos os fiéis leigos colaborem entre si para que, na Igreja, se multipliquem estas "casas e escolas de comunhão" a exemplo da Sagrada Familia de Nazaré, reflexo harmonioso na terra da vida da Santíssima Trindade.
Com estes votos, concedo de todo coração a Bênção Apostólica a vós, veneráveis Irmãos no episcopado, aos sacerdotes, aos diáconos, aos religiosos, às religiosa e a todos os fieis leigos, especialmente aos jovens e às jovens que, de coração dócil, se põem à escura da voz de Deus, prontos a acolhe-la com uma adesão generosa e fiél.
BENTO XVI
quinta-feira, 22 de março de 2012
O PRIMEIRO MANDAMENTO E A RELIGIÃO
“Adorarás o Senhor teu Deus e só a ele servirás” (Mateus 4,10; cfr. Deuteronômio 6,13;) foi a resposta que Jesus deu ao Diabo que o tentava, dizendo: “Dar-te-ei tudo isto (os reinos do mundo), se, prostrando-te diante de mim, me adorares” (Mateus 4,9).
Só há um Deus e só a Ele devemos adorar. É pela religião que traduzimos em atos nosso culto ao único Deus. Estes são os principais:
• adoração: consiste em reconhecer a Deus – por meio de pensamentos, afetos e outras atitudes interiores e exteriores – como nosso Criador, Pai e Salvador, Senhor de tudo o que existe, Amor infinito e misericordioso.
• oração: exprime a Deus nosso louvor, nossa ação de graças, nossos pedidos de ajuda e nosso arrependimento pelos pecados;
• sacrifício: tem como finalidade expressar a Deus nosso louvor, nossa submissão, nossa humildade, nosso pedido de perdão. O sacrifício perfeito foi o do amor de Cristo na cruz; nossos sacrifícios se unem ao dele para adorar ao Pai;
• promessas e votos: são formas diversificadas de nos comprometermos com Deus a realizar esta ou aquela obra de bem.
A religião deve ter também dimensões públicas, pois, além de pertencermos a Deus enquanto pessoas, nós Lhe pertencemos também enquanto comunidade, dado que o ser humano é um ser social.
Aqui convém responder à seguinte questão: por que há tantas religiões diferentes? Serão todas iguais? Tanto faz uma como a outra? Não! As religiões variam porque nem todos têm o mesmo conceito de Deus e do ser humano: variando esse conceito, varia também a religião praticada.
A verdadeira religião foi revelada pelo próprio Deus ao povo de Israel e, em seguida, aperfeiçoada por Jesus. Daqui resulta que todo o seguidor de Cristo tem o dever de ser missionário, isto é, de anunciar o verdadeiro Deus, seu Filho Jesus Cristo e sua Igreja, que continua no mundo a missão de evangelizar.
No trabalho missionário, é preciso sempre respeitar a liberdade de consciência das pessoas. Embora nem todas as religiões sejam “verdadeiras”, ocorre que muitas pessoas, sem culpa própria, ignoram a Palavra de Deus e, portanto, vivem serenamente sua religião, de boa fé.
Todavia, a liberdade religiosa não pode significar desinteresse pelo assunto religioso, pela existência ou não de Deus; particularmente se isso ocorresse porque a pessoa quer “ficar à vontade” e, assim, poder se entregar a quaisquer atitudes sem remorsos de consciência: isso não seria liberdade, seria libertinagem. Pelo contrário, todos têm a obrigação grave de formar a própria consciência, informando-se, na medida do seu possível, a respeito da verdade de Deus, de Cristo e de sua Igreja.
Voltando à questão de um único Deus: se é assim, logicamente não existem outros deuses! Disse Deus a seu povo: “Não terás outros deuses além de mim” (Êxodo 20,3; cf. Deuteronômio 5, 7). Apesar disso, muitos membros do povo escolhido praticaram a idolatria, como hoje também muitos a praticam. A única diferença é que os falsos deuses modernos têm outros nomes: orgulho, poder, egoísmo, sexo, dinheiro...
Adorar outros deuses chama-se “idolatria”. Ela pode ocorrer de diversas formas. É sempre pecado e, portanto, ofensa a Deus. Estas são algumas delas:
• idolatria em sentido estrito: consiste em divinizar o que não é Deus, negar o senhorio exclusivo de Deus sobre tudo o que existe e, por consequência, prestar culto a alguma criatura fabricada pelo ser humano ou já existente; também é idolatria dar importância absoluta a certas coisas ou atitudes, como o poder, o dinheiro, a raça, o Estado;
• superstição: é o desvio do sentimento religioso e das práticas com que ele se exprime; por exemplo, atribuir forças mágicas a certos ritos e orações por crer que dispõem de eficácia independentemente das disposições interiores;
• adivinhação e pela magia ou feitiçaria: a adivinhação consiste em recorrer ao diabo, aos mortos ou a outras criaturas a fim de descobrir o futuro; a magia ou feitiçaria pretende dominar os poderes sobrenaturais para colocá-los ao próprio serviço e conseguir objetivos divinos. Essas práticas revelam falta de confiança em Deus, que disse a seu povo Israel: “Não haja em teu meio... quem consulte adivinhos, ou observe sonhos ou agouros, nem quem use feitiçaria; nem quem recorra à magia, consulte oráculos, interrogue espíritos ou evoque mortos. Pois o Senhor abomina quem se entrega a tais práticas” (Deuteronômio 18,10-12). Estas palavras são também a condenação para certas práticas do espiritismo.
• irreligião: é a falta total de respeito para com Deus, pondo-o à prova a fim de conferir seu poder ou sua bondade ou qualquer um de seus atributos: “Não tenteis o Senhor vosso Deus (Deuteronômio 6,16);
• sacrilégio: consiste em profanar ou tratar indignamente tudo o que se refere ao culto de Deus, sejam pessoas, coisas ou lugares consagrados, sejam ações litúrgicas, sobretudo sacramentos;
• simonia: consiste em vender ou comprar coisas e ações sagradas ou realidades espirituais;
• ateísmo: é a atitude de quem nega a Deus ou vive como se ele não existisse e valoriza unicamente as coisas materiais fazendo do ser humano fim em si mesmo;
• agnosticismo: afirma a impossibilidade de provar a existência de Deus ou pensar que, mesmo se ele existir, não pode se revelar a nós e nós nada podemos dizer sobre ele.
Uma questão final: falando em ídolos, como fica a questão das imagens? Deus disse ao povo escolhido: “Guardai-vos bem de corromper-vos, fazendo figuras de ídolos de qualquer tipo, imagens de homem ou de mulher, imagens de animais... Nem levanteis os olhos até o céu para ver o sol, a lua, as estrelas com todo o exército do céu, deixando-vos seduzir, adorando-os e prestando-lhes culto” (Deuteronômio 4,16-19).
Com essa ordem, Deus procura evitar que seu povo Israel caia nessa tentação. Portanto, não se trata de proibir fazer imagens em si; a proibição condena fazer imagens com a finalidade de adorá-las como ídolos. Por incrível que pareça, o mesmo Deus mandou fazer algumas imagens! Por exemplo: a serpente de bronze, a Arca da Aliança, os querubins que estavam sobre ela... O próprio Jesus aludiu à serpente de bronze: ao contrário de condená-la, tornou-a símbolo de sua própria elevação sobre a cruz: “Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também será levantado o Filho do Homem, a fim de que todo aquele que nele crer tenha a vida eterna” (João 15,14).
A Igreja sempre aprovou que se fizessem imagens, nunca, porém, a fim de serem adoradas; venerá-las não é nenhum erro ou pecado. As imagens são como símbolos ou “fotografias” que nos ajudam a trazer à memória esta ou aquela pessoa santa que queremos lembrar ou a quem queremos recorrer. Pecado seria adorá-las em sentido estrito, atitude que só a Deus é devida.
NB - Este texto foi aqui reproduzibo com a devida autorização de seu Autor:
Dom Hilário Moser, SDB
Biapo Emerito de Tubarão, SC
“Adorarás o Senhor teu Deus e só a ele servirás” (Mateus 4,10; cfr. Deuteronômio 6,13;) foi a resposta que Jesus deu ao Diabo que o tentava, dizendo: “Dar-te-ei tudo isto (os reinos do mundo), se, prostrando-te diante de mim, me adorares” (Mateus 4,9).
Só há um Deus e só a Ele devemos adorar. É pela religião que traduzimos em atos nosso culto ao único Deus. Estes são os principais:
• adoração: consiste em reconhecer a Deus – por meio de pensamentos, afetos e outras atitudes interiores e exteriores – como nosso Criador, Pai e Salvador, Senhor de tudo o que existe, Amor infinito e misericordioso.
• oração: exprime a Deus nosso louvor, nossa ação de graças, nossos pedidos de ajuda e nosso arrependimento pelos pecados;
• sacrifício: tem como finalidade expressar a Deus nosso louvor, nossa submissão, nossa humildade, nosso pedido de perdão. O sacrifício perfeito foi o do amor de Cristo na cruz; nossos sacrifícios se unem ao dele para adorar ao Pai;
• promessas e votos: são formas diversificadas de nos comprometermos com Deus a realizar esta ou aquela obra de bem.
A religião deve ter também dimensões públicas, pois, além de pertencermos a Deus enquanto pessoas, nós Lhe pertencemos também enquanto comunidade, dado que o ser humano é um ser social.
Aqui convém responder à seguinte questão: por que há tantas religiões diferentes? Serão todas iguais? Tanto faz uma como a outra? Não! As religiões variam porque nem todos têm o mesmo conceito de Deus e do ser humano: variando esse conceito, varia também a religião praticada.
A verdadeira religião foi revelada pelo próprio Deus ao povo de Israel e, em seguida, aperfeiçoada por Jesus. Daqui resulta que todo o seguidor de Cristo tem o dever de ser missionário, isto é, de anunciar o verdadeiro Deus, seu Filho Jesus Cristo e sua Igreja, que continua no mundo a missão de evangelizar.
No trabalho missionário, é preciso sempre respeitar a liberdade de consciência das pessoas. Embora nem todas as religiões sejam “verdadeiras”, ocorre que muitas pessoas, sem culpa própria, ignoram a Palavra de Deus e, portanto, vivem serenamente sua religião, de boa fé.
Todavia, a liberdade religiosa não pode significar desinteresse pelo assunto religioso, pela existência ou não de Deus; particularmente se isso ocorresse porque a pessoa quer “ficar à vontade” e, assim, poder se entregar a quaisquer atitudes sem remorsos de consciência: isso não seria liberdade, seria libertinagem. Pelo contrário, todos têm a obrigação grave de formar a própria consciência, informando-se, na medida do seu possível, a respeito da verdade de Deus, de Cristo e de sua Igreja.
Voltando à questão de um único Deus: se é assim, logicamente não existem outros deuses! Disse Deus a seu povo: “Não terás outros deuses além de mim” (Êxodo 20,3; cf. Deuteronômio 5, 7). Apesar disso, muitos membros do povo escolhido praticaram a idolatria, como hoje também muitos a praticam. A única diferença é que os falsos deuses modernos têm outros nomes: orgulho, poder, egoísmo, sexo, dinheiro...
Adorar outros deuses chama-se “idolatria”. Ela pode ocorrer de diversas formas. É sempre pecado e, portanto, ofensa a Deus. Estas são algumas delas:
• idolatria em sentido estrito: consiste em divinizar o que não é Deus, negar o senhorio exclusivo de Deus sobre tudo o que existe e, por consequência, prestar culto a alguma criatura fabricada pelo ser humano ou já existente; também é idolatria dar importância absoluta a certas coisas ou atitudes, como o poder, o dinheiro, a raça, o Estado;
• superstição: é o desvio do sentimento religioso e das práticas com que ele se exprime; por exemplo, atribuir forças mágicas a certos ritos e orações por crer que dispõem de eficácia independentemente das disposições interiores;
• adivinhação e pela magia ou feitiçaria: a adivinhação consiste em recorrer ao diabo, aos mortos ou a outras criaturas a fim de descobrir o futuro; a magia ou feitiçaria pretende dominar os poderes sobrenaturais para colocá-los ao próprio serviço e conseguir objetivos divinos. Essas práticas revelam falta de confiança em Deus, que disse a seu povo Israel: “Não haja em teu meio... quem consulte adivinhos, ou observe sonhos ou agouros, nem quem use feitiçaria; nem quem recorra à magia, consulte oráculos, interrogue espíritos ou evoque mortos. Pois o Senhor abomina quem se entrega a tais práticas” (Deuteronômio 18,10-12). Estas palavras são também a condenação para certas práticas do espiritismo.
• irreligião: é a falta total de respeito para com Deus, pondo-o à prova a fim de conferir seu poder ou sua bondade ou qualquer um de seus atributos: “Não tenteis o Senhor vosso Deus (Deuteronômio 6,16);
• sacrilégio: consiste em profanar ou tratar indignamente tudo o que se refere ao culto de Deus, sejam pessoas, coisas ou lugares consagrados, sejam ações litúrgicas, sobretudo sacramentos;
• simonia: consiste em vender ou comprar coisas e ações sagradas ou realidades espirituais;
• ateísmo: é a atitude de quem nega a Deus ou vive como se ele não existisse e valoriza unicamente as coisas materiais fazendo do ser humano fim em si mesmo;
• agnosticismo: afirma a impossibilidade de provar a existência de Deus ou pensar que, mesmo se ele existir, não pode se revelar a nós e nós nada podemos dizer sobre ele.
Uma questão final: falando em ídolos, como fica a questão das imagens? Deus disse ao povo escolhido: “Guardai-vos bem de corromper-vos, fazendo figuras de ídolos de qualquer tipo, imagens de homem ou de mulher, imagens de animais... Nem levanteis os olhos até o céu para ver o sol, a lua, as estrelas com todo o exército do céu, deixando-vos seduzir, adorando-os e prestando-lhes culto” (Deuteronômio 4,16-19).
Com essa ordem, Deus procura evitar que seu povo Israel caia nessa tentação. Portanto, não se trata de proibir fazer imagens em si; a proibição condena fazer imagens com a finalidade de adorá-las como ídolos. Por incrível que pareça, o mesmo Deus mandou fazer algumas imagens! Por exemplo: a serpente de bronze, a Arca da Aliança, os querubins que estavam sobre ela... O próprio Jesus aludiu à serpente de bronze: ao contrário de condená-la, tornou-a símbolo de sua própria elevação sobre a cruz: “Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também será levantado o Filho do Homem, a fim de que todo aquele que nele crer tenha a vida eterna” (João 15,14).
A Igreja sempre aprovou que se fizessem imagens, nunca, porém, a fim de serem adoradas; venerá-las não é nenhum erro ou pecado. As imagens são como símbolos ou “fotografias” que nos ajudam a trazer à memória esta ou aquela pessoa santa que queremos lembrar ou a quem queremos recorrer. Pecado seria adorá-las em sentido estrito, atitude que só a Deus é devida.
NB - Este texto foi aqui reproduzibo com a devida autorização de seu Autor:
Dom Hilário Moser, SDB
Biapo Emerito de Tubarão, SC
O TERCEIRO MANDAMENTO E A EUCARISTIA DOMINICAL
Qual será a melhor forma de prestar culto a Deus nos domingos e dias santos? É a celebração da Eucaristia a melhor forma de culto a Deus em qualquer tempo, mais ainda quando celebrada com a comunidade cristã reunida no Dia do Senhor ou em algum dia santo. Não há ato de culto mais sublime do que a Eucaristia: ela torna presente no tempo e no espaço o único sacrifício de Jesus na cruz, sua morte e ressurreição, sacrifício que salvou o mundo; além disso, participamos da Eucaristia comungando o corpo e o sangue do Senhor. Nada pode adorar e louvar mais a Deus, agradecer-lhe os imensos benefícios, implorar o perdão dos pecados e pedir a ajuda de que necessitamos, do que a Eucaristia ou Santa Missa. Ela é o coração do domingo.
Tem grande importância participar da comunidade cristã no Dia do Senhor. Aliás, a Eucaristia é por si mesma uma celebração de cunho comunitário. É este o sentido da comunhão eucarística: comunga-se o Corpo e o Sangue de Jesus a fim de ter forças para, ao longo da semana, comungar na caridade com todos os irmãos e irmãs que, no Dia do Senhor, se reúnem em torno do próprio Jesus. Participar da Missa em comunidade significa que temos consciência de pertencer a Cristo e de querermos ser fiéis a ele e à sua Igreja.
Onde não for possível haver a celebração eucarística dominical por falta de ministro sagrado, a Igreja recomenda que participemos da Liturgia da Palavra (culto) na própria comunidade, de acordo com as orientações do bispo diocesano. Não havendo culto, cada um, sozinho, em família ou em grupos de famílias, se dedique à leitura e meditação da Palavra de Deus e à oração. Todavia, podendo participar da Eucaristia, mesmo tendo que locomover-se com algum sacrifício, sempre deve prevalecer a participação na Eucaristia dominical.
A respeito da suspensão do trabalho aos domingos, convém considerar quanto afirma o Catecismo da Igreja Católica: “A vida humana é ritmada pelo trabalho e pelo repouso. A instituição do Dia do Senhor contribui para que todos desfrutem do tempo de repouso e de lazer suficiente que lhes permita cultivar sua vida familiar, cultural, social e religiosa” (n. 2181). Isso supõe evitar os trabalhos ou atividades que impedem fazer do domingo um dia de culto, dia de alegria, de prática do bem (obras de misericórdia) e de descanso para o corpo e o espírito. Evidentemente, há exceções: necessidades familiares ou uma grande utilidade social são motivos legítimos para dispensa do preceito do repouso dominical, mas com o cuidado para que isso não se transforme em hábito injustificado, com prejuízo para a religião, a família e às vezes até para a saúde.
Além do descanso, há outras formas de preencher o domingo. A pobreza e a miséria muitas vezes não permitem descanso ou lazer, embora todos tenham as mesmas necessidades e os mesmos direitos. As obras de misericórdia para com os mais necessitados, o cuidado dos doentes, idosos e crianças... são ótimas ocasiões para a piedade cristã se exercitar aos domingos. Também a família e os parentes merecem atenção nesse dia. O domingo, igualmente, é também tempo de reflexão, silêncio, cultura, oração, enfim, de tudo o que ajuda a crescer na vida interior. Afinal, acima de tudo, somos filhos e filhas de Deus.
Por isso tudo, aos domingos e dias santos, evite-se impor trabalhos a outros. Se as necessidades sociais o exigirem, será preciso encontrar modos de proporcionar tempo para o lazer em outros momentos. É obrigação dos poderes públicos respeitar a consciência dos fiéis e dar-lhes oportunidades de repouso dominical e de prática religiosa no Dia do Senhor. Idêntica obrigação têm os patrões para com seus empregados.
Se algum católico ficar totalmente impedido de celebrar o Dia do Senhor, procure de alguma maneira elevar seu coração a Deus, em união com todos os que nesse dia participam da Eucaristia, adoram e louvam ao Senhor. Finalmente, o domingo exige também que se evite a falta de moderação nas diversões e as violências causadas por elas.
NB - O presente texo foi aqui reprodutzido com a devida autorização de seu Autor:
Dom Hilário Moser, SDB
Bispo Emérito de Tubarão, SC
Qual será a melhor forma de prestar culto a Deus nos domingos e dias santos? É a celebração da Eucaristia a melhor forma de culto a Deus em qualquer tempo, mais ainda quando celebrada com a comunidade cristã reunida no Dia do Senhor ou em algum dia santo. Não há ato de culto mais sublime do que a Eucaristia: ela torna presente no tempo e no espaço o único sacrifício de Jesus na cruz, sua morte e ressurreição, sacrifício que salvou o mundo; além disso, participamos da Eucaristia comungando o corpo e o sangue do Senhor. Nada pode adorar e louvar mais a Deus, agradecer-lhe os imensos benefícios, implorar o perdão dos pecados e pedir a ajuda de que necessitamos, do que a Eucaristia ou Santa Missa. Ela é o coração do domingo.
Tem grande importância participar da comunidade cristã no Dia do Senhor. Aliás, a Eucaristia é por si mesma uma celebração de cunho comunitário. É este o sentido da comunhão eucarística: comunga-se o Corpo e o Sangue de Jesus a fim de ter forças para, ao longo da semana, comungar na caridade com todos os irmãos e irmãs que, no Dia do Senhor, se reúnem em torno do próprio Jesus. Participar da Missa em comunidade significa que temos consciência de pertencer a Cristo e de querermos ser fiéis a ele e à sua Igreja.
Onde não for possível haver a celebração eucarística dominical por falta de ministro sagrado, a Igreja recomenda que participemos da Liturgia da Palavra (culto) na própria comunidade, de acordo com as orientações do bispo diocesano. Não havendo culto, cada um, sozinho, em família ou em grupos de famílias, se dedique à leitura e meditação da Palavra de Deus e à oração. Todavia, podendo participar da Eucaristia, mesmo tendo que locomover-se com algum sacrifício, sempre deve prevalecer a participação na Eucaristia dominical.
A respeito da suspensão do trabalho aos domingos, convém considerar quanto afirma o Catecismo da Igreja Católica: “A vida humana é ritmada pelo trabalho e pelo repouso. A instituição do Dia do Senhor contribui para que todos desfrutem do tempo de repouso e de lazer suficiente que lhes permita cultivar sua vida familiar, cultural, social e religiosa” (n. 2181). Isso supõe evitar os trabalhos ou atividades que impedem fazer do domingo um dia de culto, dia de alegria, de prática do bem (obras de misericórdia) e de descanso para o corpo e o espírito. Evidentemente, há exceções: necessidades familiares ou uma grande utilidade social são motivos legítimos para dispensa do preceito do repouso dominical, mas com o cuidado para que isso não se transforme em hábito injustificado, com prejuízo para a religião, a família e às vezes até para a saúde.
Além do descanso, há outras formas de preencher o domingo. A pobreza e a miséria muitas vezes não permitem descanso ou lazer, embora todos tenham as mesmas necessidades e os mesmos direitos. As obras de misericórdia para com os mais necessitados, o cuidado dos doentes, idosos e crianças... são ótimas ocasiões para a piedade cristã se exercitar aos domingos. Também a família e os parentes merecem atenção nesse dia. O domingo, igualmente, é também tempo de reflexão, silêncio, cultura, oração, enfim, de tudo o que ajuda a crescer na vida interior. Afinal, acima de tudo, somos filhos e filhas de Deus.
Por isso tudo, aos domingos e dias santos, evite-se impor trabalhos a outros. Se as necessidades sociais o exigirem, será preciso encontrar modos de proporcionar tempo para o lazer em outros momentos. É obrigação dos poderes públicos respeitar a consciência dos fiéis e dar-lhes oportunidades de repouso dominical e de prática religiosa no Dia do Senhor. Idêntica obrigação têm os patrões para com seus empregados.
Se algum católico ficar totalmente impedido de celebrar o Dia do Senhor, procure de alguma maneira elevar seu coração a Deus, em união com todos os que nesse dia participam da Eucaristia, adoram e louvam ao Senhor. Finalmente, o domingo exige também que se evite a falta de moderação nas diversões e as violências causadas por elas.
NB - O presente texo foi aqui reprodutzido com a devida autorização de seu Autor:
Dom Hilário Moser, SDB
Bispo Emérito de Tubarão, SC
TERCEIRO MANDAMENTO: GUARDAR OS DOMINGOS E FESTAS DE GUARDA
Faz parte da virtude da religião respeitar o Dia do Senhor, pois também o tempo pertence a Deus. No Antigo Testamento o dia dedicado a Deus era o sábado. “Lembra-te de santificar o dia do sábado. Trabalharás durante seis dias e farás todos os trabalhos, mas o sétimo dia é sábado, descanso dedicado ao Senhor teu Deus. Não farás trabalho algum” (Êxodo 20,8-10). Portanto, o terceiro mandamento nos pede para dedicar o dia santo ao Senhor e descansar dos trabalhos: o dia santo é para a Deus, o descanso é para o ser humano.
O sábado lembrava ao povo de Israel particularmente três acontecimentos fundamentais:
• a criação do mundo: “O Senhor fez em seis dias o céu e a terra, o mar e tudo o que eles contêm; mas no sétimo dia descansou. Por isso o Senhor abençoou o dia do sábado e o santificou” (Êxodo 20,11);
• a libertação da escravidão do Egito: “Lembra-te de que foste escravo no Egito, mas o Senhor teu Deus te tirou de lá com mão forte e braço estendido. É por isso que o Senhor teu Deus ordena que guardes o sábado” (Deuteronômio 5,15);
• a Aliança: “Os israelitas guardarão o sábado, observando-o por todas as gerações como aliança perpétua” (Êxodo 31,16).
Em relação ao trabalho, o sábado se destina também ao descanso. Essa pausa nos trabalhos “será um sinal perpétuo entre mim e os israelitas. Pois em seis dias o Senhor fez o céu e a terra, e no sétimo parou para respirar” (Êxodo 31,17). Assim, o agir de Deus é modelo do agir humano. “Também o homem deve ‘folgar’ e deixar que os outros, sobretudo os pobres, ‘retomem fôlego’ (cf. Êxodo 23,12). O sábado faz cessar os trabalhos cotidianos e concede uma pausa. É um dia de protesto contra as escravidões do
trabalho e o culto do dinheiro” (Catecismo da Igreja Católica n. 2172).
É interessante e instrutivo observar o comportamento de Jesus quanto ao sábado. Diversas vezes Ele foi acusado de violar a lei do sábado, mas ele, na verdade, nunca o profanou. Com pena dos sofredores, curou doentes, isso sim, ou atendeu a necessidades urgentes das pessoas. “Num dia de sábado, Jesus passou pelas plantações de trigo. Seus discípulos estavam com fome e começaram a arrancar espigas para comer.
Vendo isso, os fariseus disseram-lhe: ‘Olha, os teus discípulos fazem o que não é permitido fazer em dia de sábado!’ Jesus respondeu:... Se tivésseis chegado a compreender o que significa, ‘Eu quero a misericórdia e não sacrifícios’, não condenaríeis inocentes. De fato, o Filho do Homem é Senhor do sábado” (Mateus 12,1-3.7).
Com o Novo Testamento, nós, cristãos, passsamos a dedicar ao Senhor o dia de Domingo, palavra que significa precisamente “do Senhor”. O motivo está no fato de Jesus ter ressuscitado no dia seguinte ao sábado. Esse dia, enquanto primeiro dia da semana, recorda o início da criação do mundo. Mas o domingo pode ser considerado também como oitavo dia da semana e, nesse caso, nos lembra a nova criação inaugurada pela ressurreição de Jesus. Por causa disso, o dia seguinte ao sábado passou a ser, na praxe eclesial, o primeiro dia, o Dia do Senhor. A Igreja sempre entendeu que o domingo, dia em que Cristo ressuscitou, confere sentido pleno ao sábado judaico e anuncia o repouso eterno do homem em Deus.
Conhecemos o modo de celebrar o domingo nos inícios do cristianismo. É dos tempos apostólicos a praxe de os fiéis se reunirem para ouvir a Palavra de Deus e celebrar a Eucaristia. “Eles eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão (este era o nome dado à Eucaristia) e nas orações [...] Perseverantes e bem unidos, frequentavam diariamente o templo, partiam o pão (Eucaristia) pelas casas e tomavam a refeição com alegria e simplicidade de coração. Louvavam a Deus e eram estimados por todo o povo” (Atos dos Apóstolos 2,43.46-47). São famosos também os testemunhos que datam do primeiro século sobre a celebração do Dia do Senhor. À imitação da comunidade de Jerusalém, da qual falam os Atos dos Apóstolos, os cristãos se reuniam nesse dia para ouvir a Palavra de Deus, celebrar a Eucaristia, fomentar a comunhão fraterna e cuidar dos pobres.
Foi assim que, aos poucos, criou-se na Igreja a praxe de celebrar o domingo. Respeitar o domingo como Dia do Senhor e reservá-lo para prestar culto a Deus, este é o grande ato de amor a Deus pedido pelo terceiro mandamento. Por isso, a Igreja determina: “O domingo, dia em que por tradição apostólica se celebra o Mistério Pascal, deve ser guardado em toda a Igreja como dia de festa de preceito por excelência” (Código de Direito Canônico c. 1246,1). É este um dos Mandamentos da Igreja; com essa norma, ela entende ligar gravemente a consciência dos fiéis.
Infelizmente, nos tempos atuais, muitos católicos ignoram, na teoria e na prática, essa norma; violam o domingo sem se sentirem culpados por causa disso. A norma da Igreja existe para estimular a fraqueza humana a consagrar ao Criador um dia por semana e também para compreender que o trabalho (e o dinheiro...) não é tudo na vida.
Ao longo dos séculos, a Igreja estabeleceu também outros dias especiais de culto ao Senhor, os chamados “dias santos de guarda”. Todos eles celebram mistérios da vida de Cristo ou de Nossa Senhora ou mesmo a festa de algum santo. Todavia, conforme a diversidade das situações do mundo, o episcopado local, com o consentimento da Sé Apostólica, pode fundir algumas dessas celebrações com um domingo próximo, ou mesmo não celebrar algum santo. No Brasil, por exemplo, os dias santos ao longo da semana são somente quatro: Natal, Corpus Christi, Santa Mãe de Deus (1º de janeiro) e Imaculada Conceição (8 de dezembro); os demais dias santos que havia até anos atrás passaram a ser celebrados no domingo seguinte à data que lhes era própria. Aqui cabe um pequeno esclarecimento: ao contrário do que muita gente pensa, não são dias santos de guarda a Sexta-Feira Santa, a festa de Nossa Senhora Aparecida (12 de outubro) e o Dia de Finados (2 de novembro); por outro lado, são dias em que todo o católico até sente a necessidade de participar das celebrações litúrgicas e de outros atos de devoção: isso é muito louvável e até recomendável. - (Continua na próxima postagem).
NB - Este texto foi aqui reproduzido com a devida autorização de seu Autor:
Dom Hilário Moser, SDB
Bispo Emérito de Tubarão, SC
sábado, 25 de fevereiro de 2012
PRIMEIRO MANDAMENTO: AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS
Este é de fato o primeiro e grande mandamento válido para todo ser humano: trata-se de amar.
Seu sentido fundamental deve ser procurado no Antigo Testamento. As palavras: “Ouve, Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor” (Deuteronômio 6,4) e estas outras: “Eu sou o Senhor, teu Deus” (Êxodo 20,2), são a base e o fundamento da Aliança entre Javé e o povo de Israel.
Portanto, o primeiro mandamento quer inculcar, antes e acima de tudo, a existência de um único Deus (Israel vivia rodeado de pagãos que acreditavam em muitos deuses). Essas palavras, ainda hoje, são o fundamento da fé dos seguidores de Moisés e dos seguidores de Cristo, conforme a nossa profissão de fé: “Creio em um só Deus”. Não há outros deuses.
Se Deus é o único Senhor, nós, suas criaturas, filhos e filhas, devemos comportar-nos com Ele, por palavras e atitudes, de forma a reconhecê-lo realmente como nosso Deus e único Deus. Cabe-nos, portanto, antes e acima de tudo, amá-lo e adorá-lo: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças” (Deuteronômio 6,4-5). Jesus retomará ao pé da letra estas palavras (cf. Mateus 22,37; Marcos 12,29-30; Lucas 10,27-28). Portanto, amar a Deus sobre todas as coisas é o nosso primeiro e mais importante gesto de amor para com quem nos criou e é nosso Pai.
Nosso relacionamento amoroso com Deus deve traduzir-se em atitudes práticas. O mandamento: “Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento” (Mateus 22,37), concretamente, pode ser reduzido a três atitudes:
· crer em Deus (fé);
· esperar em Deus (esperança);
· amar a Deus (caridade).
Estas são as três virtudes teologais, assim chamadas porque nos colocam em contato espiritual imediato com o próprio Deus (“teologais” vem de “Theós” que, em grego, significa “Deus”). São três dons que Ele infunde em nosso coração no momento do batismo. Viver com fé, esperança e caridade é a maneira concreta de nos relacionar com o nosso Deus e cumprir o primeiro mandamento. É bom falar alguma coisa de cada uma.
O que significa viver com fé? A fé consiste em entregar-se a Deus com total confiança e procurar viver de acordo com sua Palavra revelada por Ele nos dois Testamentos (Bíblia) e que a Igreja continua a transmitir. A fé não brota espontaneamente de dentro do ser humano, ela nos é dada por Deus no momento do batismo e se alimenta pela atenção constante à Palavra de Deus.
É assim que, no caso de pessoas adultas não batizadas, a fé começa a germinar no coração ao ouvirem a pregação da Palavra de Deus, como ensina São Paulo: “A fé vem pela pregação e a pregação, pela palavra de Cristo” (Romanos 10,17).
Por essa razão, a fé tem forte relação com o intelecto, pois é por meio dele que compreendemos as palavras que ouvimos. Não basta, porém, crer intelectualmente na Palavra de Deus. É preciso procurar viver de acordo com ela, pois a fé é bem mais do que só crença intelectual, a fé é vida! Isto, porém, em nada diminui a importância de acolher intelectualmente as verdades transmitidas pela Igreja. Descuidando a crença intelectual, aos poucos, a fé nos corações também vai se apagando.
Infelizmente, você pode descuidar da fé de diversas maneiras:
• pela dúvida, que consiste na dificuldade em crer ou na recusa explícita a crer; se não houver esforço para superar essa dificuldade, pode-se chegar a perder fé;
• pela incredulidade, que é o desinteresse total por tudo o que Deus revelou. A incredulidade pode levar à heresia (negação explícita de alguma verdade revelada), à apostasia (rejeição total da fé cristã) e ao cisma (recusa da comunhão com os membros da Igreja e seus pastores, o papa e os bispos).
Essas atitudes são contrárias à fé e violam o primeiro mandamento; por elas, recusa-se obediência a Deus que nos revelou a Verdade.
O que significa viver com esperança? A esperança nos faz aguardar com confiança os bens que Deus em seu amor nos prometeu, em particular, a felicidade eterna. Não ter esperança significa desconfiar de Deus, que poderia mentir e nos enganar... Peca-se contra a esperança:
• pelo desespero, que leva o ser humano a não aguardar mais nada da parte de Deus, como se Deus não se interessasse por nós ou não fosse justo;
• pela presunção, que consiste na atitude contrária, isto é, em alguém pensar que pode salvar-se sozinho, ou então, em pretender de Deus o perdão sem esforço de conversão e sem méritos.
O que significa viver com caridade? Ao amor de Deus por nós devemos responder com sincero amor, amor que supere todo o amor a qualquer criatura, sem outros interesses de nossa parte. Afinal ele é nosso Deus e Pai. Pecamos contra o amor a Deus:
• pela indiferença, que consiste no desprezo do amor de Deus por nós, no desinteresse por Deus e por suas iniciativas em nosso favor;
• pela ingratidão, pois por ela não reconhecemos quanto Deus nos ama e não respondemos a seu amor com nosso amor;
• pela frieza (tibieza), atitude que nos leva a ser negligentes em amar o nosso Pai celeste;
• pelo ódio a Deus, que consiste em aborrecer nosso Criador e Pai, negar sua bondade e até mesmo maldizê-lo por “atrapalhar” nossas más inclinações e ameaçar-nos com “castigos”.
Se amar a Deus sobre todas as coisas é o maior mandamento, não amá-lo sobre todas as coisas é o maior pecado.
Aí está como amar a Deus de acordo com o Primeiro Mandamento. Há ainda outras atitudes a assumir, mas isso fica para a próxima postagem.
NB - Este texto foi aqui reproduzido com a devida autorização de seu autor; Dom Hilario Moser, SDB - Bispo Emérito de Tubarão, SC
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