O TERCEIRO MANDAMENTO E A EUCARISTIA DOMINICAL
Qual será a melhor forma de prestar culto a Deus nos domingos e dias santos? É a celebração da Eucaristia a melhor forma de culto a Deus em qualquer tempo, mais ainda quando celebrada com a comunidade cristã reunida no Dia do Senhor ou em algum dia santo. Não há ato de culto mais sublime do que a Eucaristia: ela torna presente no tempo e no espaço o único sacrifício de Jesus na cruz, sua morte e ressurreição, sacrifício que salvou o mundo; além disso, participamos da Eucaristia comungando o corpo e o sangue do Senhor. Nada pode adorar e louvar mais a Deus, agradecer-lhe os imensos benefícios, implorar o perdão dos pecados e pedir a ajuda de que necessitamos, do que a Eucaristia ou Santa Missa. Ela é o coração do domingo.
Tem grande importância participar da comunidade cristã no Dia do Senhor. Aliás, a Eucaristia é por si mesma uma celebração de cunho comunitário. É este o sentido da comunhão eucarística: comunga-se o Corpo e o Sangue de Jesus a fim de ter forças para, ao longo da semana, comungar na caridade com todos os irmãos e irmãs que, no Dia do Senhor, se reúnem em torno do próprio Jesus. Participar da Missa em comunidade significa que temos consciência de pertencer a Cristo e de querermos ser fiéis a ele e à sua Igreja.
Onde não for possível haver a celebração eucarística dominical por falta de ministro sagrado, a Igreja recomenda que participemos da Liturgia da Palavra (culto) na própria comunidade, de acordo com as orientações do bispo diocesano. Não havendo culto, cada um, sozinho, em família ou em grupos de famílias, se dedique à leitura e meditação da Palavra de Deus e à oração. Todavia, podendo participar da Eucaristia, mesmo tendo que locomover-se com algum sacrifício, sempre deve prevalecer a participação na Eucaristia dominical.
A respeito da suspensão do trabalho aos domingos, convém considerar quanto afirma o Catecismo da Igreja Católica: “A vida humana é ritmada pelo trabalho e pelo repouso. A instituição do Dia do Senhor contribui para que todos desfrutem do tempo de repouso e de lazer suficiente que lhes permita cultivar sua vida familiar, cultural, social e religiosa” (n. 2181). Isso supõe evitar os trabalhos ou atividades que impedem fazer do domingo um dia de culto, dia de alegria, de prática do bem (obras de misericórdia) e de descanso para o corpo e o espírito. Evidentemente, há exceções: necessidades familiares ou uma grande utilidade social são motivos legítimos para dispensa do preceito do repouso dominical, mas com o cuidado para que isso não se transforme em hábito injustificado, com prejuízo para a religião, a família e às vezes até para a saúde.
Além do descanso, há outras formas de preencher o domingo. A pobreza e a miséria muitas vezes não permitem descanso ou lazer, embora todos tenham as mesmas necessidades e os mesmos direitos. As obras de misericórdia para com os mais necessitados, o cuidado dos doentes, idosos e crianças... são ótimas ocasiões para a piedade cristã se exercitar aos domingos. Também a família e os parentes merecem atenção nesse dia. O domingo, igualmente, é também tempo de reflexão, silêncio, cultura, oração, enfim, de tudo o que ajuda a crescer na vida interior. Afinal, acima de tudo, somos filhos e filhas de Deus.
Por isso tudo, aos domingos e dias santos, evite-se impor trabalhos a outros. Se as necessidades sociais o exigirem, será preciso encontrar modos de proporcionar tempo para o lazer em outros momentos. É obrigação dos poderes públicos respeitar a consciência dos fiéis e dar-lhes oportunidades de repouso dominical e de prática religiosa no Dia do Senhor. Idêntica obrigação têm os patrões para com seus empregados.
Se algum católico ficar totalmente impedido de celebrar o Dia do Senhor, procure de alguma maneira elevar seu coração a Deus, em união com todos os que nesse dia participam da Eucaristia, adoram e louvam ao Senhor. Finalmente, o domingo exige também que se evite a falta de moderação nas diversões e as violências causadas por elas.
NB - O presente texo foi aqui reprodutzido com a devida autorização de seu Autor:
Dom Hilário Moser, SDB
Bispo Emérito de Tubarão, SC
quinta-feira, 22 de março de 2012
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