quinta-feira, 22 de março de 2012


O PRIMEIRO MANDAMENTO E A RELIGIÃO


“Adorarás o Senhor teu Deus e só a ele servirás” (Mateus 4,10; cfr. Deuteronômio 6,13;) foi a resposta que Jesus deu ao Diabo que o tentava, dizendo: “Dar-te-ei tudo isto (os reinos do mundo), se, prostrando-te diante de mim, me adorares” (Mateus 4,9).


Só há um Deus e só a Ele devemos adorar. É pela religião que traduzimos em atos nosso culto ao único Deus. Estes são os principais:


• adoração: consiste em reconhecer a Deus – por meio de pensamentos, afetos e outras atitudes interiores e exteriores – como nosso Criador, Pai e Salvador, Senhor de tudo o que existe, Amor infinito e misericordioso.


• oração: exprime a Deus nosso louvor, nossa ação de graças, nossos pedidos de ajuda e nosso arrependimento pelos pecados;


• sacrifício: tem como finalidade expressar a Deus nosso louvor, nossa submissão, nossa humildade, nosso pedido de perdão. O sacrifício perfeito foi o do amor de Cristo na cruz; nossos sacrifícios se unem ao dele para adorar ao Pai;


• promessas e votos: são formas diversificadas de nos comprometermos com Deus a realizar esta ou aquela obra de bem.


A religião deve ter também dimensões públicas, pois, além de pertencermos a Deus enquanto pessoas, nós Lhe pertencemos também enquanto comunidade, dado que o ser humano é um ser social.


Aqui convém responder à seguinte questão: por que há tantas religiões diferentes? Serão todas iguais? Tanto faz uma como a outra? Não! As religiões variam porque nem todos têm o mesmo conceito de Deus e do ser humano: variando esse conceito, varia também a religião praticada.


A verdadeira religião foi revelada pelo próprio Deus ao povo de Israel e, em seguida, aperfeiçoada por Jesus. Daqui resulta que todo o seguidor de Cristo tem o dever de ser missionário, isto é, de anunciar o verdadeiro Deus, seu Filho Jesus Cristo e sua Igreja, que continua no mundo a missão de evangelizar.


No trabalho missionário, é preciso sempre respeitar a liberdade de consciência das pessoas. Embora nem todas as religiões sejam “verdadeiras”, ocorre que muitas pessoas, sem culpa própria, ignoram a Palavra de Deus e, portanto, vivem serenamente sua religião, de boa fé.


Todavia, a liberdade religiosa não pode significar desinteresse pelo assunto religioso, pela existência ou não de Deus; particularmente se isso ocorresse porque a pessoa quer “ficar à vontade” e, assim, poder se entregar a quaisquer atitudes sem remorsos de consciência: isso não seria liberdade, seria libertinagem. Pelo contrário, todos têm a obrigação grave de formar a própria consciência, informando-se, na medida do seu possível, a respeito da verdade de Deus, de Cristo e de sua Igreja.


Voltando à questão de um único Deus: se é assim, logicamente não existem outros deuses! Disse Deus a seu povo: “Não terás outros deuses além de mim” (Êxodo 20,3; cf. Deuteronômio 5, 7). Apesar disso, muitos membros do povo escolhido praticaram a idolatria, como hoje também muitos a praticam. A única diferença é que os falsos deuses modernos têm outros nomes: orgulho, poder, egoísmo, sexo, dinheiro...


Adorar outros deuses chama-se “idolatria”. Ela pode ocorrer de diversas formas. É sempre pecado e, portanto, ofensa a Deus. Estas são algumas delas:

• idolatria em sentido estrito: consiste em divinizar o que não é Deus, negar o senhorio exclusivo de Deus sobre tudo o que existe e, por consequência, prestar culto a alguma criatura fabricada pelo ser humano ou já existente; também é idolatria dar importância absoluta a certas coisas ou atitudes, como o poder, o dinheiro, a raça, o Estado;


• superstição: é o desvio do sentimento religioso e das práticas com que ele se exprime; por exemplo, atribuir forças mágicas a certos ritos e orações por crer que dispõem de eficácia independentemente das disposições interiores;


• adivinhação e pela magia ou feitiçaria: a adivinhação consiste em recorrer ao diabo, aos mortos ou a outras criaturas a fim de descobrir o futuro; a magia ou feitiçaria pretende dominar os poderes sobrenaturais para colocá-los ao próprio serviço e conseguir objetivos divinos. Essas práticas revelam falta de confiança em Deus, que disse a seu povo Israel: “Não haja em teu meio... quem consulte adivinhos, ou observe sonhos ou agouros, nem quem use feitiçaria; nem quem recorra à magia, consulte oráculos, interrogue espíritos ou evoque mortos. Pois o Senhor abomina quem se entrega a tais práticas” (Deuteronômio 18,10-12). Estas palavras são também a condenação para certas práticas do espiritismo.


• irreligião: é a falta total de respeito para com Deus, pondo-o à prova a fim de conferir seu poder ou sua bondade ou qualquer um de seus atributos: “Não tenteis o Senhor vosso Deus (Deuteronômio 6,16);


• sacrilégio: consiste em profanar ou tratar indignamente tudo o que se refere ao culto de Deus, sejam pessoas, coisas ou lugares consagrados, sejam ações litúrgicas, sobretudo sacramentos;



• simonia: consiste em vender ou comprar coisas e ações sagradas ou realidades espirituais;


• ateísmo: é a atitude de quem nega a Deus ou vive como se ele não existisse e valoriza unicamente as coisas materiais fazendo do ser humano fim em si mesmo;


• agnosticismo: afirma a impossibilidade de provar a existência de Deus ou pensar que, mesmo se ele existir, não pode se revelar a nós e nós nada podemos dizer sobre ele.


Uma questão final: falando em ídolos, como fica a questão das imagens? Deus disse ao povo escolhido: “Guardai-vos bem de corromper-vos, fazendo figuras de ídolos de qualquer tipo, imagens de homem ou de mulher, imagens de animais... Nem levanteis os olhos até o céu para ver o sol, a lua, as estrelas com todo o exército do céu, deixando-vos seduzir, adorando-os e prestando-lhes culto” (Deuteronômio 4,16-19).

Com essa ordem, Deus procura evitar que seu povo Israel caia nessa tentação. Portanto, não se trata de proibir fazer imagens em si; a proibição condena fazer imagens com a finalidade de adorá-las como ídolos. Por incrível que pareça, o mesmo Deus mandou fazer algumas imagens! Por exemplo: a serpente de bronze, a Arca da Aliança, os querubins que estavam sobre ela... O próprio Jesus aludiu à serpente de bronze: ao contrário de condená-la, tornou-a símbolo de sua própria elevação sobre a cruz: “Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também será levantado o Filho do Homem, a fim de que todo aquele que nele crer tenha a vida eterna” (João 15,14).



A Igreja sempre aprovou que se fizessem imagens, nunca, porém, a fim de serem adoradas; venerá-las não é nenhum erro ou pecado. As imagens são como símbolos ou “fotografias” que nos ajudam a trazer à memória esta ou aquela pessoa santa que queremos lembrar ou a quem queremos recorrer. Pecado seria adorá-las em sentido estrito, atitude que só a Deus é devida.


NB - Este texto foi aqui reproduzibo com a devida autorização de seu Autor:
         Dom Hilário Moser, SDB
         Biapo Emerito de Tubarão, SC



O TERCEIRO MANDAMENTO E A EUCARISTIA DOMINICAL


Qual será a melhor forma de prestar culto a Deus nos domingos e dias santos? É a celebração da Eucaristia a melhor forma de culto a Deus em qualquer tempo, mais ainda quando celebrada com a comunidade cristã reunida no Dia do Senhor ou em algum dia santo. Não há ato de culto mais sublime do que a Eucaristia: ela torna presente no tempo e no espaço o único sacrifício de Jesus na cruz, sua morte e ressurreição, sacrifício que salvou o mundo; além disso, participamos da Eucaristia comungando o corpo e o sangue do Senhor. Nada pode adorar e louvar mais a Deus, agradecer-lhe os imensos benefícios, implorar o perdão dos pecados e pedir a ajuda de que necessitamos, do que a Eucaristia ou Santa Missa. Ela é o coração do domingo.

Tem grande importância participar da comunidade cristã no Dia do Senhor. Aliás, a Eucaristia é por si mesma uma celebração de cunho comunitário. É este o sentido da comunhão eucarística: comunga-se o Corpo e o Sangue de Jesus a fim de ter forças para, ao longo da semana, comungar na caridade com todos os irmãos e irmãs que, no Dia do Senhor, se reúnem em torno do próprio Jesus. Participar da Missa em comunidade significa que temos consciência de pertencer a Cristo e de querermos ser fiéis a ele e à sua Igreja.

Onde não for possível haver a celebração eucarística dominical por falta de ministro sagrado, a Igreja recomenda que participemos da Liturgia da Palavra (culto) na própria comunidade, de acordo com as orientações do bispo diocesano. Não havendo culto, cada um, sozinho, em família ou em grupos de famílias, se dedique à leitura e meditação da Palavra de Deus e à oração. Todavia, podendo participar da Eucaristia, mesmo tendo que locomover-se com algum sacrifício, sempre deve prevalecer a participação na Eucaristia dominical.

A respeito da suspensão do trabalho aos domingos, convém considerar quanto afirma o Catecismo da Igreja Católica: “A vida humana é ritmada pelo trabalho e pelo repouso. A instituição do Dia do Senhor contribui para que todos desfrutem do tempo de repouso e de lazer suficiente que lhes permita cultivar sua vida familiar, cultural, social e religiosa” (n. 2181). Isso supõe evitar os trabalhos ou atividades que impedem fazer do domingo um dia de culto, dia de alegria, de prática do bem (obras de misericórdia) e de descanso para o corpo e o espírito. Evidentemente, há exceções: necessidades familiares ou uma grande utilidade social são motivos legítimos para dispensa do preceito do repouso dominical, mas com o cuidado para que isso não se transforme em hábito injustificado, com prejuízo para a religião, a família e às vezes até para a saúde.

Além do descanso, há outras formas de preencher o domingo. A pobreza e a miséria muitas vezes não permitem descanso ou lazer, embora todos tenham as mesmas necessidades e os mesmos direitos. As obras de misericórdia para com os mais necessitados, o cuidado dos doentes, idosos e crianças... são ótimas ocasiões para a piedade cristã se exercitar aos domingos. Também a família e os parentes merecem atenção nesse dia. O domingo, igualmente, é também tempo de reflexão, silêncio, cultura, oração, enfim, de tudo o que ajuda a crescer na vida interior. Afinal, acima de tudo, somos filhos e filhas de Deus.

Por isso tudo, aos domingos e dias santos, evite-se impor trabalhos a outros. Se as necessidades sociais o exigirem, será preciso encontrar modos de proporcionar tempo para o lazer em outros momentos. É obrigação dos poderes públicos respeitar a consciência dos fiéis e dar-lhes oportunidades de repouso dominical e de prática religiosa no Dia do Senhor. Idêntica obrigação têm os patrões para com seus empregados.

Se algum católico ficar totalmente impedido de celebrar o Dia do Senhor, procure de alguma maneira elevar seu coração a Deus, em união com todos os que nesse dia participam da Eucaristia, adoram e louvam ao Senhor. Finalmente, o domingo exige também que se evite a falta de moderação nas diversões e as violências causadas por elas.



NB - O presente texo foi aqui reprodutzido com a devida autorização de seu Autor:
         Dom Hilário Moser, SDB
         Bispo Emérito de Tubarão, SC

TERCEIRO MANDAMENTO: GUARDAR OS DOMINGOS E FESTAS DE GUARDA


Faz parte da virtude da religião respeitar o Dia do Senhor, pois também o tempo pertence a Deus. No Antigo Testamento o dia dedicado a Deus era o sábado. “Lembra-te de santificar o dia do sábado. Trabalharás durante seis dias e farás todos os trabalhos, mas o sétimo dia é sábado, descanso dedicado ao Senhor teu Deus. Não farás trabalho algum” (Êxodo 20,8-10). Portanto, o terceiro mandamento nos pede para dedicar o dia santo ao Senhor e descansar dos trabalhos: o dia santo é para a Deus, o descanso é para o ser humano.

O sábado lembrava ao povo de Israel particularmente três acontecimentos fundamentais:
• a criação do mundo: “O Senhor fez em seis dias o céu e a terra, o mar e tudo o que eles contêm; mas no sétimo dia descansou. Por isso o Senhor abençoou o dia do sábado e o santificou” (Êxodo 20,11);
• a libertação da escravidão do Egito: “Lembra-te de que foste escravo no Egito, mas o Senhor teu Deus te tirou de lá com mão forte e braço estendido. É por isso que o Senhor teu Deus ordena que guardes o sábado” (Deuteronômio 5,15);
• a Aliança: “Os israelitas guardarão o sábado, observando-o por todas as gerações como aliança perpétua” (Êxodo 31,16).

Em relação ao trabalho, o sábado se destina também ao descanso. Essa pausa nos trabalhos “será um sinal perpétuo entre mim e os israelitas. Pois em seis dias o Senhor fez o céu e a terra, e no sétimo parou para respirar” (Êxodo 31,17). Assim, o agir de Deus é modelo do agir humano. “Também o homem deve ‘folgar’ e deixar que os outros, sobretudo os pobres, ‘retomem fôlego’ (cf. Êxodo 23,12). O sábado faz cessar os trabalhos cotidianos e concede uma pausa. É um dia de protesto contra as escravidões do
trabalho e o culto do dinheiro” (Catecismo da Igreja Católica n. 2172).

É interessante e instrutivo observar o comportamento de Jesus quanto ao sábado. Diversas vezes Ele foi acusado de violar a lei do sábado, mas ele, na verdade, nunca o profanou. Com pena dos sofredores, curou doentes, isso sim, ou atendeu a necessidades urgentes das pessoas. “Num dia de sábado, Jesus passou pelas plantações de trigo. Seus discípulos estavam com fome e começaram a arrancar espigas para comer.

Vendo isso, os fariseus disseram-lhe: ‘Olha, os teus discípulos fazem o que não é permitido fazer em dia de sábado!’ Jesus respondeu:... Se tivésseis chegado a compreender o que significa, ‘Eu quero a misericórdia e não sacrifícios’, não condenaríeis inocentes. De fato, o Filho do Homem é Senhor do sábado” (Mateus 12,1-3.7).

Com o Novo Testamento, nós, cristãos, passsamos a dedicar ao Senhor o dia de Domingo, palavra que significa precisamente “do Senhor”. O motivo está no fato de Jesus ter ressuscitado no dia seguinte ao sábado. Esse dia, enquanto primeiro dia da semana, recorda o início da criação do mundo. Mas o domingo pode ser considerado também como oitavo dia da semana e, nesse caso, nos lembra a nova criação inaugurada pela ressurreição de Jesus. Por causa disso, o dia seguinte ao sábado passou a ser, na praxe eclesial, o primeiro dia, o Dia do Senhor. A Igreja sempre entendeu que o domingo, dia em que Cristo ressuscitou, confere sentido pleno ao sábado judaico e anuncia o repouso eterno do homem em Deus.

Conhecemos o modo de celebrar o domingo nos inícios do cristianismo. É dos tempos apostólicos a praxe de os fiéis se reunirem para ouvir a Palavra de Deus e celebrar a Eucaristia. “Eles eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão (este era o nome dado à Eucaristia) e nas orações [...] Perseverantes e bem unidos, frequentavam diariamente o templo, partiam o pão (Eucaristia) pelas casas e tomavam a refeição com alegria e simplicidade de coração. Louvavam a Deus e eram estimados por todo o povo” (Atos dos Apóstolos 2,43.46-47). São famosos também os testemunhos que datam do primeiro século sobre a celebração do Dia do Senhor. À imitação da comunidade de Jerusalém, da qual falam os Atos dos Apóstolos, os cristãos se reuniam nesse dia para ouvir a Palavra de Deus, celebrar a Eucaristia, fomentar a comunhão fraterna e cuidar dos pobres.

Foi assim que, aos poucos, criou-se na Igreja a praxe de celebrar o domingo. Respeitar o domingo como Dia do Senhor e reservá-lo para prestar culto a Deus, este é o grande ato de amor a Deus pedido pelo terceiro mandamento. Por isso, a Igreja determina: “O domingo, dia em que por tradição apostólica se celebra o Mistério Pascal, deve ser guardado em toda a Igreja como dia de festa de preceito por excelência” (Código de Direito Canônico c. 1246,1). É este um dos Mandamentos da Igreja; com essa norma, ela entende ligar gravemente a consciência dos fiéis.

Infelizmente, nos tempos atuais, muitos católicos ignoram, na teoria e na prática, essa norma; violam o domingo sem se sentirem culpados por causa disso. A norma da Igreja existe para estimular a fraqueza humana a consagrar ao Criador um dia por semana e também para compreender que o trabalho (e o dinheiro...) não é tudo na vida.

Ao longo dos séculos, a Igreja estabeleceu também outros dias especiais de culto ao Senhor, os chamados “dias santos de guarda”. Todos eles celebram mistérios da vida de Cristo ou de Nossa Senhora ou mesmo a festa de algum santo. Todavia, conforme a diversidade das situações do mundo, o episcopado local, com o consentimento da Sé Apostólica, pode fundir algumas dessas celebrações com um domingo próximo, ou mesmo não celebrar algum santo. No Brasil, por exemplo, os dias santos ao longo da semana são somente quatro: Natal, Corpus Christi, Santa Mãe de Deus (1º de janeiro) e Imaculada Conceição (8 de dezembro); os demais dias santos que havia até anos atrás passaram a ser celebrados no domingo seguinte à data que lhes era própria. Aqui cabe um pequeno esclarecimento: ao contrário do que muita gente pensa, não são dias santos de guarda a Sexta-Feira Santa, a festa de Nossa Senhora Aparecida (12 de outubro) e o Dia de Finados (2 de novembro); por outro lado, são dias em que todo o católico até sente a necessidade de participar das celebrações litúrgicas e de outros atos de devoção: isso é muito louvável e até recomendável. - (Continua na próxima postagem).


NB - Este texto foi aqui reproduzido com a devida autorização de seu Autor:
         Dom Hilário Moser, SDB
         Bispo Emérito de Tubarão, SC










sábado, 25 de fevereiro de 2012

PRIMEIRO MANDAMENTO: AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS




Este é de fato o primeiro e grande mandamento válido para todo ser humano: trata-se de amar.

Seu sentido fundamental deve ser procurado no Antigo Testamento. As palavras: “Ouve, Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor” (Deuteronômio 6,4) e estas outras: “Eu sou o Senhor, teu Deus” (Êxodo 20,2), são a base e o fundamento da Aliança entre Javé e o povo de Israel.

Portanto, o primeiro mandamento quer inculcar, antes e acima de tudo, a existência de um único Deus (Israel vivia rodeado de pagãos que acreditavam em muitos deuses). Essas palavras, ainda hoje, são o fundamento da fé dos seguidores de Moisés e dos seguidores de Cristo, conforme a nossa profissão de fé: “Creio em um só Deus”. Não há outros deuses.

Se Deus é o único Senhor, nós, suas criaturas, filhos e filhas, devemos comportar-nos com Ele, por palavras e atitudes, de forma a reconhecê-lo realmente como nosso Deus e único Deus. Cabe-nos, portanto, antes e acima de tudo, amá-lo e adorá-lo: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças” (Deuteronômio 6,4-5). Jesus retomará ao pé da letra estas palavras (cf. Mateus 22,37; Marcos 12,29-30; Lucas 10,27-28). Portanto, amar a Deus sobre todas as coisas é o nosso primeiro e mais importante gesto de amor para com quem nos criou e é nosso Pai.


Nosso relacionamento amoroso com Deus deve traduzir-se em atitudes práticas. O mandamento: “Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento” (Mateus 22,37), concretamente, pode ser reduzido a três atitudes:
· crer em Deus (fé);
· esperar em Deus (esperança);
· amar a Deus (caridade).

Estas são as três virtudes teologais, assim chamadas porque nos colocam em contato espiritual imediato com o próprio Deus (“teologais” vem de “Theós” que, em grego, significa “Deus”). São três dons que Ele infunde em nosso coração no momento do batismo. Viver com fé, esperança e caridade é a maneira concreta de nos relacionar com o nosso Deus e cumprir o primeiro mandamento. É bom falar alguma coisa de cada uma.

O que significa viver com fé? A fé consiste em entregar-se a Deus com total confiança e procurar viver de acordo com sua Palavra revelada por Ele nos dois Testamentos (Bíblia) e que a Igreja continua a transmitir. A fé não brota espontaneamente de dentro do ser humano, ela nos é dada por Deus no momento do batismo e se alimenta pela atenção constante à Palavra de Deus.

É assim que, no caso de pessoas adultas não batizadas, a fé começa a germinar no coração ao ouvirem a pregação da Palavra de Deus, como ensina São Paulo: “A fé vem pela pregação e a pregação, pela palavra de Cristo” (Romanos 10,17).

Por essa razão, a fé tem forte relação com o intelecto, pois é por meio dele que compreendemos as palavras que ouvimos. Não basta, porém, crer intelectualmente na Palavra de Deus. É preciso procurar viver de acordo com ela, pois a fé é bem mais do que só crença intelectual, a fé é vida! Isto, porém, em nada diminui a importância de acolher intelectualmente as verdades transmitidas pela Igreja. Descuidando a crença intelectual, aos poucos, a fé nos corações também vai se apagando.

Infelizmente, você pode descuidar da fé de diversas maneiras:
• pela dúvida, que consiste na dificuldade em crer ou na recusa explícita a crer; se não houver esforço para superar essa dificuldade, pode-se chegar a perder fé;
• pela incredulidade, que é o desinteresse total por tudo o que Deus revelou. A incredulidade pode levar à heresia (negação explícita de alguma verdade revelada), à apostasia (rejeição total da fé cristã) e ao cisma (recusa da comunhão com os membros da Igreja e seus pastores, o papa e os bispos).

Essas atitudes são contrárias à fé e violam o primeiro mandamento; por elas, recusa-se obediência a Deus que nos revelou a Verdade.

O que significa viver com esperança? A esperança nos faz aguardar com confiança os bens que Deus em seu amor nos prometeu, em particular, a felicidade eterna. Não ter esperança significa desconfiar de Deus, que poderia mentir e nos enganar... Peca-se contra a esperança:
• pelo desespero, que leva o ser humano a não aguardar mais nada da parte de Deus, como se Deus não se interessasse por nós ou não fosse justo;
• pela presunção, que consiste na atitude contrária, isto é, em alguém pensar que pode salvar-se sozinho, ou então, em pretender de Deus o perdão sem esforço de conversão e sem méritos.

O que significa viver com caridade? Ao amor de Deus por nós devemos responder com sincero amor, amor que supere todo o amor a qualquer criatura, sem outros interesses de nossa parte. Afinal ele é nosso Deus e Pai. Pecamos contra o amor a Deus:
• pela indiferença, que consiste no desprezo do amor de Deus por nós, no desinteresse por Deus e por suas iniciativas em nosso favor;
• pela ingratidão, pois por ela não reconhecemos quanto Deus nos ama e não respondemos a seu amor com nosso amor;
• pela frieza (tibieza), atitude que nos leva a ser negligentes em amar o nosso Pai celeste;
• pelo ódio a Deus, que consiste em aborrecer nosso Criador e Pai, negar sua bondade e até mesmo maldizê-lo por “atrapalhar” nossas más inclinações e ameaçar-nos com “castigos”.

Se amar a Deus sobre todas as coisas é o maior mandamento, não amá-lo sobre todas as coisas é o maior pecado.

Aí está como amar a Deus de acordo com o Primeiro Mandamento. Há ainda outras atitudes a assumir, mas isso fica para a próxima postagem.



NB - Este texto foi aqui reproduzido com a devida autorização de seu autor; Dom Hilario Moser, SDB - Bispo Emérito de Tubarão, SC
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sábado, 18 de fevereiro de 2012

Campanha da Fraternidade 2012




Tema: "A Fraternidade e Saude Publica"
Lema: "Que a Saude se difunda sobre a Terra" (Eclo 38,8).



Na próxima 4a. Feira de Cinzas tem início na Igreja do Brasil a Campanha da Fraternidade, 2012 com o tema: "A Fraternidade e Saude Publica" e o lema: "Que a Saude se difunda sobre toda a Terra",

A Campanha da Fraternidade é uma iniciativa pastoral da Igreja Católica por ocasião da Quaresma, como um momento significativo de sua Ação Evangelizadora trabalhando em conjunto, o conteudo de um mesmo tema em todas as Dioceses do país, com suas Paróquias e Comunidades.
Depois de um período de gestação, durante os anos de 1961 a 1963, a Campanha da Fraternidade em seus moldes atuais, acontece cada ano desde 1964.

Em 1961, trê padres responsáveis pela Cáritas Brasileira idealizaram uma campanha para arrecadar fundos para as atividades assistenciais e promocionais da instituição e torná-la assim autônoma financeiramente.

Esta atividade foi chamada Campanha da Fraternidade e realizada pela primeira vez, na Quaresma de 1962, na Arquidiocese de Natal, (RN), que tinha como Administrador Apostólico, Dom Eugênio de Araujo Sales, Cardeal Arcebispo Emérito do Rio de Janeiro, com a adesão de outras três Dioceses e apoio financeiro dos bispos norte-americanos.

No ano seguinte, 1963, dezesseis Dioceses do Nordeste realizaram a Campanha da Fraternidade, que foi o embrião de um projeto anual dos Organismos Nacionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Também em seu início, a Campanha da Fraternidade, teve ainda a atuação destacada do Secretariado Nacional de Ação Social da CNBB, sob cuja dependência estava a Caritas Brasileira, que na época, tinha como responsavel o Cardeal Dom Eugênio de Araujo Sales, Arcebispo Emérito do Rio de Janeiro.

Este projeto foi lançado em nivel nacional, no dia 26 de dezembro de 1963, sob o impulso renovador do espírito do Concílio Vaticano II, que estava em andamento.

E na Quaresma de 1964 foi realizada pela primeira vez a Campanha da Fraternidade em nivel nacional, dando seqüência às demais Campanhas sem interrupção até esta de 2012.

Como iniciativa da Igreja Católica, naturalmente são os católicos os primeiros destinatarios diretos e imediatos da Campanha da Fraternidade que trata temas referentes à Vida e Missão da mesma Igreja.

Nesse sentido, os temas das nove primeiras Campanhas da Fraternidade (1964-1972) trabalharam a renovação da Igreja em si (1964-1965) e da renovação dos cristãos (1966-1972).

A partir de 1973, impulsionada pelo Concílio Vaticano II, e pelas Conferência Episcopais Latino-America, em Medellin e Puebla, a Campanha se preocupa com a realidade social do povo, denunciando o pecado social e promovendo a justiça e nesta mesma linha, desde 1985 a Campanha tem se voltado para situações existenciais do povo brasileiro.

Com esta abertura, para além dos limites específicos da Igreja Católica, a Campanha da Fraternidade multiplica seus destinatários, atingindo além dos católicos, também os cidadãos em geral, sendo acolhida com grande simpatia pela sociedade tanto governamental como civil.

Nesta perspetiva, o objetivo da Campanha da Fraternidade é ajudar os cristãos e as pessoas de boa vontade a viverem a fraternidade pela busca, através de compromissos concretos, para a construção de uma sociedade fraterna, justa e solidária.

A Quaresma, tempo em que se realiza a Campanha da Fraternidade, é por sua vez, o tempo litúrgico de preparação para a Páscoa, a maior festa do calendário católico, em que se celebra a Ressurreição de Cristo, Deus e Salvador, vencedor da morte e fonte de vida nova em plenitude: "...Eu vim para tenham vida e a tenham em abundância" (Jo 10,10).

O Mistério Pascal celebrado e vivido na Quaresma, é marcado como tempo forte de Conversão, ou seja, de passagem da morte para a vida e tem como protagonista o mesmo Cristo, morto e ressuscitado e nEle, por Ele e com Ele, também nos passamos da morte para a vida e vida em abundância.

Chegamos assim, ao Cristo Ressuscitado passando pelo Cristo Penitente, Morto e Sepultado; passagem que significa Conversão, a ser concretizada em clima de oração, de esmola e penitência.

Pelo que foi cima exposto, a Conversão é também para a Campanha da Fraternidade, sua identidade e um fator integrante.

Portanto, como para a Quaresma, a Conversão é também para a Campanha da Fraternidade, uma exigência para a realização do seu objetivo que é; testemunhar a exigência central da mensagem de Jesus, ou seja o Amor Fraterno: "Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, e com todo o teu entendimento! Esse é o maior e o primeiro mandamento. Ora, o segundo lhe é semelhante: Amarás teu próximo como a ti mesmo. Toda a lei e os profetas dependem desse dois mandamentos (Mt 22, 37-40).

Com isto a Campanha da Fraternidade torna-se é uma otima oportunidade de vivermos também o objetivo da Quaresma, enquanto Conversão.

Sem prejudicar a primazia da Quaresma, conservando seu valor e lugar de descaque na celebração do Mistério de Cristo, sobretudo na liturgia, torna-se possivel a realização da Campanha da Fraternidade durante nesse tempo litúrgico.

Um fator significativo e altamente enriquecedor da Campanha da Fraternidade, é o apoio do Santo Padre, externado cada ano desde 1970, com uma mensagem especial, por ocasião de sua abertura.

Para este ano, Bento XVI em sua mensagem de abertura da Campanha da Fraternidade chama nossa atenção para seu objetivo: "suscitar, a partir de uma reflexão sobre a realidade da saude no Brasil, um maior espirito fraterno e comunitário na atenção dos enfermos e levar a sociedade a garantir a mais pessoas o direito de ter acesso aos meios necessários para uma vida saudavel"


Para os cristãos, escreve o Papa o tema bíblico "Que a saude se difunda sobre a terra" (Eclo 38,8), lembra que a saude vai além de um simples bem estar corporal e cita o epsodio da cura de um paralítico (Mt 9, 2-8), Jesus, antes de fazer com que voltasse a andar, perdoa-lhe os pecados, ensinando que a cura perfeita é o perdão dos pecados e a saude por excelência é a da alma, pois "que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua alma?" (Mt 26, 16).


De fato, continua o Papa, as palavras Saude e Salvação têm origem no mesmo termo latino Salus e não por outra razão, nos Evangelhos, vemos a ação do Salvador da humanidade associada a diversas curas: "Jesus andava por toda a Galiléia, ensinando em suas siagogas, pregando o Evangelho od Reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo" "Mt 4, 23).


A Igreja do Brasil recebe feliz e agradecida os votos de Bento XVI para a Campanha da Fraternidade 2012: "possa esta Campanha inspirar no coração dos fiéis e das pessoas de boa vontade uma solidariedade cada vez mais profunda para com os enfermos, tanta vezes sofrendo mais pela solidão e abandono do que pela doença, lembrando que o mesmo Jesus quis se identificar com eles: "Pois Eu estava doente e cuidastes de Mim" (Mt 25, 36¨).


E se associa à Campanha da Fraternidade 2012, fazendo suas as alegrias e as esperanças, as tristezas e angustias de cada um, saudando fraternalmente quantos tomam parte, física ou espiritualmente na Campanha "Fraternidade e Saude Pública"


O Santo Padre termina sua mensagem, invocando a intercessão de Nossa Senhora Aparecida para todos, mas de um modo especial para os doentes, o conforto e a fortaleza de Deus no cumprimento do dever de estado, individual, familiar e social, fonte de saude e progresso do Brasil, tornando-se fertil na santidade, próspero na economia, justo na participação das riquezas, alegre no serviço público, eqüânime no poder e fraterno no desenvolvimento


E que a Bênção Apostólica do Vigário de Jesus Cristo, nos seja de êxito na na realização de mais uma Campanha da Fraternidade. AMEM



















terça-feira, 7 de fevereiro de 2012












OS MANDAMENTOS DA LEI DE DEUS





A partir de hoje vou propor neste Blog – de forma sistemática – uma catequese sobre os Mandamentos da Lei de Deus. Penso que, muitos dos nossos católicos têm muito a aprender sobre esse assunto.



Afinal, trata-se de sermos coerentes com o Batismo que fez de nós filhos/as de Deus e de vivermos concretamente a nossa fé. Que tipo de filhos somos, se ignorarmos e – pior – se não praticarmos a vontade do nosso Pai expressa nos seus Mandamentos?



Muitos são os que se dizem cristãos, todavia, muitos também são os que esqueceram os Mandamentos de Deus ou por eles pouco se interessam. Há mesmo quem viva como se Deus não existisse.



Aumenta assustadoramente o número das nossas leis simplesmente porque não se observam as dez Leis que Deus nos deu, condensadas em duas por Jesus e, por fim, numa só: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Tudo se resume no amor.



Nos Mandamentos estão em jogo três amores que, na verdade, são um só: o amor de Deus por nós, o nosso amor a Deus e o nosso amor aos irmãos.



Expulsemos, pois, da mente e do coração o temor de que os Mandamentos são normas impostas por um Deus voluntarioso e dominador. Pelo contrário, compreendamos que tudo se reduz ao amor. Diz São João: “Amar consiste no seguinte: em viver conforme os mandamentos de Deus” (2 João 6). E explicita: “No amor não há temor.



Ao contrário, o perfeito amor lança fora o temor, pois o temor implica castigo, e aquele que teme não chegou á perfeição do amor. Nós amamos porque Deus nos amou primeiro... E este é o mandamento que dele recebemos: quem ama a Deus, ame também seu irmão” (1 João 4,18-19.21). Jesus, por sua vez, nos interpela: “Vós sois meus amigos, se fizerdes o que vos mando” (João 15,14).



Estas palavras contêm todo o espírito com que devemos conhecer, amar e praticar os Mandamentos. É para fortalecer a nossa vontade que Deus nos faz conhecer a sua vontade: sua Lei é para nós um dom.



Ela nos estimula a retribuir seu amor de Pai com nosso amor de filhos e filhas e a amar a todos como nossos irmãos e irmãs.Console-nos a palavra do Espírito Santo por boca do salmista: “Quem ama a tua lei tem muita paz, no seu caminho não há tropeço! Espero tua salvação, Senhor, e pratico os teus mandamentos.” (Salmo 118,165-166).



Disse o Papa Bento XVI: “Os Mandamentos, se são vistos em profundidade, são o meio que o Senhor nos dá para defender nossa liberdade tanto dos condicionamentos internos das paixões como dos abusos externos dos mal intencionados. Os «não» dos mandamentos são outros tantos «sim» ao crescimento de uma autêntica liberdade”.



O Papa disse também: “O homem moderno não compreende os Mandamentos; toma-os por proibições arbitrárias de Deus, por limites postos à sua liberdade. Mas os Mandamentos de Deus são uma manifestação de seu amor e de sua solicitude paterna pelo homem. «Cuida de praticar o que te fará feliz” (Deuteronômio 6,3; 30,15s): este, e não outro, é o objetivo dos mandamentos”.



Seja de Jesus a última palavra: “Quem acolhe e observa os meus Mandamentos, esse me ama. Ora, quem me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele” (João 14,21).Não poderia haver recompensa maior para quem procura ser fiel à vontade de Deus.

NB - O texto acima foi reproduzido com a devida autorização do autor.







PARA SEGUIR JESUS É PRECISO FORÇA DE VONTADE

Sem força de vontade, ninguém faz nada na vida, ninguém se torna alguma coisa. Muito menos se torna verdadeiro seguidor de Jesus Cristo. Ele mesmo advertiu: “Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me. Porque, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas quem sacrificar a sua vida por amor de mim, vai salvá-la”(Lucas 9,23-24).
Em outras palavras, é impossível seguir a Cristo sem adotar as atitudes que Ele assumiu. Uma delas foi a cruz: não só a cruz que Ele carregou, sobre a qual foi pregado e na qUal entregou a vida; mas, antes disso, a “cruz” da renúncia ao longo da vida. Para isso, Ele teve que usar toda a sua força de vontade.
Há pessoas que não têm a mínima força de vontade. Diante de qualquer dificuldade se entregam e se deixam arrastar de cá para lá.
Que vai ser no futuro de tantas crianças, adolescentes e jovens que estão sendo criados pelos próprios pais, permitindo que façam tudo o que querem, satisfazendo todos os seus caprichos. Nunca se pede a eles um ato de renúncia, de privar-se de certas satisfações. São educados – melhor, mal-educados – a buscar sempre o mais agradável, o que favorece todas as suas veleidades. Quando forem adultas, essas pessoas serão extremamente egoístas.
Todos nós precisamos de boa dose de firmeza, de força de vontade. O primeiro Livro dos Reis diz assim: “Sê corajoso e porta-te como um homem. Observa os preceitos do Senhor teu Deus, anda em seus caminhos, guarda seus estatutos e mandamentos, normas e decretos, como estão escritos na lei de Moisés. Assim serás bem-sucedido em tudo o que fizeres e em todos os teus projetos.” (1Reis 2,2-3).
Aí está o bom caminho. Se não formos firmes em nossos propósitos, como observaremos a lei do Senhor que é exigente, pede renúncia e solicita perseverança? Com a moleza de costumes não se constrói nada, a não ser poltrões, preguiçosos, pessoas sem espinha dorsal. Nada se pode esperar deles. No dia em que for necessária a dedicação intensa a uma causa, com tais pessoas não se poderá contar. O Evangelho é exigente. O que Jesus vai fazer com discípulos/a sem força de vontade?
A ajuda (“graça”) de Deus está sempre ao nosso dispor. Todavia, Deus não força os corações; Ele apenas oferece seu amor e seu auxílio. Se, de nossa parte não encontrar correspondência – e para corresponder é necessária a decisão da vontade – nada acontecerá. Quantas pessoas poderiam ter sido santas de altar se tivessem correspondido com mais decisão à graça de Deus!
Nós sabemos quanto somos fracos de vontade. É sempre tempo, porém, de recomeçar. Para recomeçar, não devemos presumir de nós mesmos, como se fôssemos heróis. Sejamos humildes e francos: comecemos com pouco, mas sejamos constantes em submeter nossa vontade ao jugo do Evangelho.
Como em qualquer coisa na vida, tudo se aprende aos poucos. Também na vida espiritual é assim: ofereçamos a Jesus um pouco de nós mesmos cada dia, sem desistir, e quando nos dermos contas, já teremos percorrido um bom caminho.
Jesus está conosco até o último dia da história. Fique com Ele também cada dia, custe o que custar. Verá como as coisas acontecerão.



NB - Este texto foi aqui reproduzido com a devida autorização de seu Autor
























sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Dom Bosco - Bicentenario de Nascimento

DOM BOSCO, CEM ANOS

Em 16 de agosto de 2015 celebraremos o Bicentenário do nascimento de São João Bosco, Fundador dos Salesianos e das Filhas de Maria Auxiliadora.

Preparando a celebração deste memoravel acontecimento, o Pe. Páscual Chávez Villanueva, Superior Geral dos Salesianos, propos para toda a Família Salesiana um itinerário de três anos, iniciado a 16 de agosto de 2011 e a concluir-se no dia 15 de agosto de 2014, quando terá inicio o Ano Bicentenário do Nascimento de Dom Bosco.

O espírito deste itinerário, esta na oração a Dom Bosco, a ser rezada por todos que na Igreja e na Sociedade partilham de seu carisma, a partir dos Jovens e dos Salesianos.

São João Bosco,
Pai e Mestre da Juventude,
dócil aos dons do Espirito e aberto às realidades de seu tempo,
fostes para os jovens, sobretudo humildes e pobres,
um sinal do amor e da predileção de Deus.
Sê nosso guia no caminho de amizade com o Senhor Jesus
para podermos perceber nEle e no seu Evangelho
o sentido da nossa vida
e a fonte da verdadeira felicidade
Ajuda-nos a corresponder com generosidade
à vocação que recebemos de Deus
para sermos na vida cotidiana
construtores de comunhão
e, em comunhão com a Igreja inteira
colaborarmos com entusiasmo
na edificação da civilização d amor
Obtém-nos a graça da perseverança
na vivência da vida cristã em grau elevado
segundo o espírito das bem-aventuranças
e faze com que, guiados por Maria Auxiliadora
possamos encontrar-nos um dia contigo
na grande família do céu. Amem

O Concílio Vaticano II, ensina que a vida religiosa constitue "um dom divino que a Igreja recebeu de seu Senhor e por graça dEle sempre conserva" (Lumen Gentium, n.43).

Com isto através de seus multiplos e variados carismas a vida religiosa destina-se a promover sobretudo o "bem espiritual de toda a Igreja (idem n.44). A vida religiosa, sem pertencer à estrutura Herárquica da Igreja, "esta contudo firmemente relacionada com sua vida e santidade"(idem).

Os fundadores, particularmente os canonizados, são santos da Igreja, para além dos limites da família religiosa que fundaram e foram assumidas oficialmente pela propria autoridade da Igreja, guiada pelo Espírito Santo. Têm pois, eles e suas Fundações, muito a ver com a Igreja inteira.

Nesta perspectiva, a celebração do Bicentenário do Nascimento de São João Bosco envolve a Igreja inteira, que por meio dos Salesianos, das Filhas de Maria Auxiliadora e demais Membros da Familia Salesiana atualiza o carisma do Fundador: "Evangelizar os jovens, especialmente dos mais Pobres".

Este seu carisma, faz de Dom Bosco o santo dos jovens e para os jovens, tornando-o eficaz intercessor junto de Deus em tudo que se refira à evangélica opção preferencial por essa porção predileta do rebanho do Senhor.

Além da celebração do Bicentenário em foco, a Juventude Brasileira vive a riqueza pastoral da realização da próxima Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro em 2013. São dois acontecimentos que vão marcar significativamente a evangelização dos jovens na Igreja do Brasil.
De fato, agraciada pelo Santo Padre Bento XVI com a escolha do Brasil para sediar a próxima JMJ, nossa Igreja assume com entusiasmo esse evento já em curso desde a acolhida da Cruz dos Jovens e a Ícone de Nossa Senhora, no dia 18 de setembro de 2011.

Providencialmente acontece na pastoral da Igreja o protagonismo dos jovens, sempre presente na vida e missão de Dom Bosco.

O Pe. Pacual Cháves Villanueva, apresenta para cada etapa do Triêno de Preparação do Bicentenário para ser trabalhado, um tema que coincidirá a Estreia para aquele ano.


Sendo assim. o tema para este ano de 2012 é: "Conhecendo e imitando Dom Bosco, façamos dos Jovens a Missão da Nossa Vida.


A festa liturgica de Dom Bosco, (31 de janeiro) acontece neste ano no centro da primeira etapa do Triênio de Preparação do Bicentenário do Nascimento de Dom Bosco.

O caminho é longo e exigente. Maria Auxiliadora, a Mãe e Mestra, dada a Dom Bosco no sonho dos nove anos, como ontem também hoje continua a confiar-lhe os jovens de hoje, na pessoa dos continuadores de sua missão na Igreja.


Assumindo para valer, a Estreia do Reitor Mor dos Salesianos, para este ano de 2012, vamos trabalhar com coragem, esperança e sobretudo com confiança nos jovens, o conhecimento da historia de Dom Bosco e do seu contexto, da sua figura, da sua experiência de vida, das suas opções.

Com isto faremos dos jovens a Missão de nossa Vida.


Para Refletir:



01. Você esta disposto(a) a assumir a evangelica opção preferencial pelos Jovens em sua Comunidade?


02. Você esta disposto(a) a fazer dos Jovens a Missão de sua vida?


03. Você acredita e confia na ação do Jovem Evangelizando o Jovem?


04. O que Você fará de concreto na preparação da Jornada Mundial da Juventude de 2013 e do Centenário do Nascimento de Dom Bosco em 2015?


São Paulo, 31 de Janeiro de 2012

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

NO BATISMO RENUNCIAMOS AO "MUNDO" E AO MALIGNO

NO BATISMO RENUNCIAMOS AO "MUNDO" E AO MALIGNO

No dia seguinte à celebração da festa do Batismo do Senhor, tem inicio no calendário litúrgico o Tempo Comum.

Tendo presente a importancia fundamental do Batismo para a vida cristã, com a devida autorização do autor, julgamos ser do interesse e de proveito para nossos seguidores, imprimi-lo aqui, como segue..

Um dos momentos significativos do Batismo é aquele em que os padrinhos, em nome do batizando/a, renunciam ao mal, em particular, ao Maligno, isto é, o Diabo, responsável supremo por todo o mal no mundo.

Aqui convém meditar estas palavras do apóstolo João: “Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo - a concupiscência humana, a cobiça dos olhos e a ostentação da riqueza - não vem do Pai, mas do mundo. Ora, o mundo passa, e também sua cobiça; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.” (1 João 2,15-17).

Aqui a palavra “mundo” não significa o universo (céu, terra, mar, estrelas...); para São João, “mundo” é o conjunto de tudo o que se opõe a Deus, de tudo o que é mau.

Se repararmos bem, o mundo é isso mesmo. A concupiscência da carne é a busca desordenada do prazer, sobretudo por aqueles cujo deus é o estômago e o sexo. A cobiça dos olhos significa a vontade de possuir: encher a casa e o coração de bugigangas, dinheiro, bens, possuir, possuir, possuir.

A ostentação da riqueza é a vaidade, desfilar diante dos outros o próprio luxo e bem-estar; quanto aos pobres... bem, os pobres, alguém irá cuidar deles...

Realmente o mundo é isso. Ele é, por isso, inimigo de Deus. Quem ama o mundo é mundo, quem ama a Deus vive de Deus. Não há acordo possível entre Deus e o mundo. Jesus não disse: “Ninguém pode servir a dois senhores. Pois vai odiar a um e amar o outro, ou se apegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro.” (Lucas 16,13)?

Tome cuidado com o mundo: ele pode encher seu bolso de dinheiro, seus olhos de vaidade, seu estômago de comida e dar-lhe todos os prazeres do sexo. Seu coração, porém, ficará vazio. E sem Deus, você não é nada!
Por trás do mundo, entendido como tudo o que se opõe a Deus, está o diabo. Por isso, fique atento à última invocação do Pai-nosso: “Mas livrai-nos do mal”. Esse mal é muito mais do que um mal qualquer; é o Mal, com letra maiúscula, o Maligno, o Diabo.

Preste atenção às palavras de São João: “Aquele que pratica o pecado é do diabo, porque o diabo é pecador desde o princípio. Para isto é que o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do diabo... Nisto se revela quem é filho de Deus e quem é filho do diabo... Todo aquele que não pratica a justiça não é de Deus, como também não é de Deus quem não ama o seu irmão.” (1 João 3, 8.10).

Estas palavras não são brincadeira. Na oração que Jesus fez a seu Pai, referindo-se a seus apóstolos, disse: “Eu não rogo que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno.” (João 17,15). Será que Jesus iria brincar com uma coisa dessas?

O Catecismo da Igreja Católica, comentando a invocação final do Pai-nosso “mas livrai-nos do Mal”, explica: “Neste pedido, o Mal não é uma abstração, mas designa uma pessoa, Satanás, o Maligno, o anjo que se opõe a Deus. O diabo - segundo a etimologia da palavra grega - é aquele que se atira no meio do plano de Deus e de sua obra de salvação realizada em Cristo.

“Homicida desde o princípio, mentiroso e pai da mentira” (João 8,44), “Satanás (é) sedutor de toda a terra habitada” (Apocalipse 12,9), foi por ele que o pecado e a morte entraram no mundo” (Catecismo da Igreja Católica nn. 2851-2852).

Cuidado com o “mundo” e com o Maligno: eles tramam contra Deus e contra a sua felicidade eterna. Por isso, procure viver coerentemente o seu Batismo; a porta para o Diabo estará sempre fechada.


NB - O presente texto foi aqui reproduzido com a devida autorização de seu Autor

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Dia de Finados

OS QUE PARTIRAM....OS QUE CHEGARAM...

Dom Hilário Moser, SDB - Bispo Emérito de Tubarão,SC


Dois de novembro, Dia de Finados. Junto ao jazido dos familiares e amigos que nos deixaram, sentimos saudades de sua presença que já se foi. Sabemos, porém, pela fé em Jesus Ressuscitado – Aquele que é a Vida e a Ressurreição – que eles vivem para sempre e estão junto de nós mais do que nunca. Esses nossos irmãos e irmãs já percorreram o mesmo caminho percorrido por Jesus, que disse: “Saí do Pai e vim ao mundo, agora deixo o mundo e volto para o Pai” (João 16,28). Percorreram o caminho e, ao fim, encontraram o Pai que os acolheu em seus braços.
Iluminados pela fé em Jesus Ressuscitado, nós devemos considerar a morte não tanto como partida, quanto como chegada. Quem não nasceu não sabe nada. Quem já morreu sabe tudo. Quem está a caminho – e esses somos nós – tem que saber olhar para além da barreira da morte e do campo santo, e contemplar, na alegria, o horizonte que se ilumina anunciando a eternidade feliz. Assim, morrer não é propriamente partir, é chegar.
Nesse sentido, em clima de Dia de Finados, vale a pena parar um pouco e meditar na bela reflexão que, anos atrás, alguém me enviou e que, hoje, proponho a você. Aqui está:
“Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espetáculo de rara beleza. O barco, impulsionado pela força dos ventos, vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor. Não demora muito e só podemos contemplar um pequeno ponto branco na linha remota e indecisa, onde o mar e o céu se encontram.
Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclamará: ‘Já se foi’. Terá sumido? Evaporado? Não certamente. Apenas o perdemos de vista.
O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha quando estava próximo de nós. Continua a ser tão capaz quanto antes de levar ao porto de destino as cargas recebidas. O veleiro não evaporou, apenas não o podemos mais ver. Mas ele continua o mesmo. E talvez, no exato momento em que alguém diz: ‘Já se foi’, haverá outras vozes mais além, a afirmar: ‘Lá vem o veleiro’.
Assim é a morte. Quando o veleiro parte, levando a preciosa carga de um amor que nos foi caro, e o vemos sumir na linha que separa o visível do invisível, dizemos: ‘Já se foi’. Terá sumido? Evaporado? Não certamente. Apenas o perdemos de vista.
O ser que amamos continua o mesmo, suas conquistas persistem dentro do mistério divino. Nada se perde, a não ser o corpo físico de que não mais se necessita. É assim que, no mesmo instante em que dizemos: ‘Já sei foi’, no além, outro Alguém, dirá: ‘Já está chegando’. Chegou ao destino levando consigo as aquisições feitas durante a vida.
Na vida, cada um leva sua carga de vícios e virtudes, de afetos e desafetos, até que resolva por desfazer-se do que julgar desnecessário. A vida é feita de partidas e chegadas. De idas e vindas. O que para uns parece ser a partida, para outros é a chegada. Assim, um dia, todos nós partimos, como seres imortais que somos, ao encontro dAquele que nos criou”(Rabino Henry Sobel, por ocasião da morte de Mário Covas).
Nós, discípulos e discípulas do Senhor, sabemos que Aquele que nos criou é também nosso Pai. E é ao encontro de seu abraço eterno que, durante a vida, estamos caminhando.





Observação: Este artigo é de autoria de Dom Hilário Moser, aqui reproduzido com a devida autorização do autor.